quarta-feira, 28 de setembro de 2011

007 - Licença para agredir

Passados que estão cinco dias sobre o clássico do Dragão, continuamos a assistir aos malabarismos de determinados jornalistas, analistas e opinion-makers, que se vão desdobrando em esforços no sentido de branquear os lances polémicos que em qualquer país desenvolvido justificariam a expulsão de um ou dois jogadores encarnados mas que, graças ao beneplácito do árbitro, passaram impunes. Assim, depois de Jorge Coroado, Pedro Henriques e Paulo Paraty, em tão inusitado quanto suspeito consenso, terem reinventado os regulamentos transformando uma condenável agressão num inocente gesto antidesportivo, eis que chega agora a vez de José António Saraiva, ex-editor do jornal O Jogo e actual cronista do Record, nos presentear com um artigo de opinião, intitulado "Os comediantes", capaz de fazer corar de inveja o Querido Manha ou o betinho Amaral.
Começa o articulista por afirmar que Fucile tem ar de palhaço e que foi este o protagonista de uma cena cómica, referindo-se, obviamente, ao lance em que o defesa portista se envolveu com Cardozo. Meus senhores, sejamos sérios: é indesmentível que o uruguaio procurou dramatizar excessivamente a situação ao levar a cabo toda uma sucessão de gritos e contorções muito pouco convincentes - já vi javalis levarem tiros de chumbo grosso no lombo e nem assim armaram semelhante cenário - mas desgraçados estarão os actores no dia em que a falta de talento para as cenas de drama servir de pretexto para levarem um pontapé. Não haveria dia em que o elenco dos Morangos com Açúcar não fosse desancado nas ruas de Lisboa por multidões em fúria. É óbvio que, entre as dispensáveis palhaçadas do uruguaio e o gesto violento do paraguaio, deveria ser o segundo a merecer maior condenação, o que não se verifica. Aliás, sobre esse assunto nem uma palavra, o que deixa no ar a pergunta: terá Cardozo alguma licença especial para agredir os adversários com total impunidade?

1 comentário:

  1. caríssimo, permita-me um conselho de Amigo: não leia os pasquins do grupo Cofina. são piores do que o da Travessa da Queimada e fazem mal à saúde (por causa dos nervos) ;)

    abraço
    Miguel

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