quarta-feira, 2 de novembro de 2011

OK, CHEGA!

Tenho a noção de que o treinador de uma equipa é sempre o elo mais fraco e que é dele a primeira cabeça a rolar quando as coisas começam a correr mal. Também tenho a consciência de que, como qualquer outro adepto, coloco muitas vezes a paixão clubística acima da razão, nem sempre primando pela justiça na apreciação do trabalho do técnico. Por esse motivo, tentei manter a serenidade, recusando-me a enveredar pelo caminho fácil da crítica a Vítor Pereira. Concedi-lhe o benefício da dúvida enquanto as forças me permitiram, contrapus as opiniões adversas enquanto o bom senso me sustentou, mas hoje, perante a inqualificável exibição do Porto perante o Apoel, não me resta outra alternativa senão retirar a minha confiança em Vítor Pereira.
Neste jogo, estavam em disputa muito mais do que os simples três pontos e os milhares de euros que a UEFA paga pela vitória. Estava em causa a passagem aos oitavos de final da prova, uma passagem que vale muito dinheiro para os cofres do clube e muito prestígio para o seu nome. Com tanto espólio em jogo, esperava-se uma exibição, no mínimo, digna, mas não foi nada disso que se viu. Em Nicósia esteve um Porto amorfo, sem ambição, sem ritmo, sem fio de jogo, enfim, irreconhecível!
É impossível que uma equipa desaprenda a  jogar futebol num espaço de apenas um ano. É inexplicável que os mesmos jogadores que há poucos meses atrás conquistaram a Liga Europa não consigam agora efectuar dois passes consecutivos sem perder a bola para o adversário. Algo se passa na cabeça destes atletas, algo que transcende em muito a saída de Falcao ou a eventual falta de adaptação dos reforços.
Matematicamente, ainda existe uma ténue esperança de assegurar a passagem aos oitavos, mas, para que tal aconteça, há que actuar já! Cabe aos responsáveis do clube encontrar a solução para o problema mas, conhecendo a aversão de Pinto da Costa pelas chamadas "chicotadas psicológicas", é pouco provável que a opção passe pela mudança de treinador. Por esse motivo, a massa associativa terá agora um papel essencial no sentido de fazer chegar o seu desagrado aos ouvidos dos responsáveis . De forma cívica, entenda-se, mas nem por isso menos firme.

3 comentários:

  1. Uma tristeza. Razão tinham os que disseram que com estas camisolas de risca ao meio não se ganha nada. Só que isso é superstição, que está a dar, mas o certo é que o treinador tem que sair antes que seja tarde e os jogadores devem levar um raspanete à medida e devem ser tomadas medidas adequadas enquanto é tempo.

    ResponderEliminar
  2. Existe por aí um anónimo a sustentar, em diversos blogs portistas, a ideia superticiosa e sem qualquer sentido, portanto totalmente ridícula, que o FC Porto não ganha pelo facto de as riscas da camisola serem ao meio. Se tivesse mais um bocado de racionalidade deixava-se dessa ideia absurda e concentrava-se na verdadeira razão do actual insucesso da equipa do FC Porto: falta de táctica e estratégia, falta de fio de jogo. A principal responsabilidade deste facto cabe ao treinador, Vítor Pereira.
    Na temporada passada, mesmo com as camisolas amarelas ou cor-de-rosa, ou com as riscas transversais tenho a certeza que a equipa ganhava os jogos. Ponham a equipa de 2003/4, a de Mourinho, a jogar com as camisolas amarelas ou com risca ao meio e mesmo assim o FC Porto ganhava. Portanto deixemo-nos dessa supertição oidiota das riscas e pensemos na verdaeira razão do insucesso actual.

    Daniel Gonçalves

    ResponderEliminar
  3. Para mim Vítor Pereira tem capacidade para treinar uma qualquer equipa. Tem qualidades suficientes para treinar o FC Porto, agora, nem ele nem ninguém têm capacidade para treinar um plantel destroçado pelas ideias torpes que lhes introduziram e que os próprios meteram na cabeça. Alguns ficaram "abananados" com a saída do treinador em quem confiavam cegamente e que lhes prometia vôos mais altos na época a seguir mas assim que lhe acenaram com dinheiro russo convertido em libras foi vê-lo a cagar-se para as promessas que tinha feito e para as juras de amor eterno ao "seu clube de coração". Isto obrigatoriamente mexeu com a cabeça deles. São pessoas como qualquer outras e isto mexe com a cabeça de qualquer um. Uns quiseram fazer o mesmo que o treinador (€€€) e outros ficaram mas a pensar que tinham perdido "força" pois a estrutura já não seria a mesma, logo seria menos forte.
    Depois ainda viram o colega em quem mais confiavam para marcar os golos e dar vitórias a sair e ser substituído por um jovem aprendiz. Ora, se a confiança e força anímica já estava abalada, com esta "troca" ainda mais ficou.
    Kleber claramente está ainda a aprender e os seus colegas sabem disso e como tal pouca confiança têm nele e na sua capacidade de decidir jogos. Com esse raciocínio vem a desconfiança nos colegas e claro, na equipa.

    Percebe-se isto tudo pelos constantes passes errados, pelas perdas de bola por não serem capazes de se esticarem um pouco mais, porque a bola que vem no ar e que deve ser recebida à frente do adversário e deixam este posicionar-se à sua frente, pelos constantes remates de longe em vez de fazerem jogadas até dentro da área adversária.
    Cabe ao treinador perceber isto e tentar emendar o que puder mas não será fácil. Há coisas que com o treino se podem corrigir mas as outras, as da cabeça, será necessário muito mais que treino ou palavrinhas de circunstância.


    Avivar

    ResponderEliminar