quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Adeus Champions, olá Liga Europa

O futebol tem destas coisas. Uma fina linha separava o FC Porto da passagem aos oitavos de final da Champions ocupando a primeira posição do grupo, mas a falta de sorte e uma noite inspirada do guarda-redes russo evitaram o golo salvador, arremessando-nos para a Liga Europa num inglório terceiro lugar. Os dragões regressam assim a uma casa onde foram muito felizes na época passada, um prémio de consolação que disfarça, mas não apaga, um certo sabor amargo na boca.
Desta eliminação da Champions há muitas ilações que convém retirar, umas boas, outras nem tanto. Mas vamos por partes:

Relativamente ao jogo de hoje, já se viu um Porto dominador, rematador e ambicioso, enfim, um Porto bem mais próximo daquilo a que nos habituamos a chamar Porto. As estatísticas comprovam uma claríssima superioridade portista a todos os níveis, seja na posse de bola, seja no número de ataques, seja ainda no número de remates efectuados. Então, onde falhamos? Clara e indiscutivelmente na concretização onde, uma vez mais, se lamenta a falta de visão de Vítor Pereira ao deixar Walter de fora das inscrições, em favor de Kléber. Refira-se a propósito que o ex-maritimista, que entrou numa fase adiantada da partida para o lugar de Djalma, passou - para não variar - completamente ao lado do jogo, demonstrando que é uma carta a mais neste baralho, mas não terá sido apenas este a falhar. Hulk foi desastrado e inútil na posição de avançado-centro e só quando Vítor Pereira fez entrar Kléber para o eixo do ataque, fazendo descair o Incrível para a ala, se viram lances de perigo nascidos dos seus pés. Há, no entanto, que reconhecer o devido mérito à equipa adversária e ao seu guarda-redes, Malafeev, que conseguiu manter a baliza russa miraculosamente inviolada ao longo dos 90 minutos, mesmo em lances onde já se gritava golo nas bancadas. É verdade, como se disse no final da partida, que o Zénit jogou ultra-defensivamente, preocupando-se apenas em manter o nulo o maior tempo possível e explorando esporádicos lances de contra-ataque, geralmente pelos pés de Danny, que a defesa portista foi sabendo anular com uma surpreendente eficácia. E digo surpreendente tendo em conta as tremideiras a que fomos assistindo ao longo da época e que valeram a perda de muitos pontos, quer nas competições a nível interno, quer externo. Mas o certo é que a equipa orientada por Luciano Spalletti trazia a lição bem estudada e, consciente de que iria defrontar um Porto embalado pelo seu público e a quem só a vitória interessava, soube respeitar o adversário, fez um jogo pragmático e no fim levou a água ao seu moinho.
Escusado será dizer que não foi pelo empate de hoje que o Porto deixou de seguir em frente na Liga dos Campeões. Foi, obviamente, pelo conjunto de derrotas (2) e empates (2) que averbou ao longo da fase de apuramento. Mesmo admitindo que a equipa começa finalmente a dar sinais de uma notória melhoria, a verdade é que esta devia ter acontecido há já vários meses atrás, no início da época, e nunca nesta fase de jogos decisivos. É caso para dizer que demos quase meia época de avanço aos adversários, restando agora saber se haverá ainda tempo para salvar a temporada, corrigindo os erros e elevando a moral da equipa. Eu quero acreditar que sim, mas muito há ainda para fazer, a começar na solidificação da defesa e no reforço do ataque que necessita urgentemente de uma referência ao estilo de Falcao.
Para terminar, uma referência especial para Moutinho, que fez uma exibição soberba a fazer lembrar os seus melhores momentos da época passada, e para James, que terminou o jogo esgotado e com as lágrimas nos cantos dos olhos. Ah, e para o público, que soube dizer presente numa noite fria, demonstrando que, aconteça o que acontecer, o FC Porto nunca caminhará só.

P.S. - Danny terminou o jogo em tronco nu, voltado para o público de braços abertos, em mais uma atitude provocatória que seria perfeitamente dispensável. Não sei se terão sido os filhos a pedir-lhe que fizesse mais uma triste figura - esta, na minha opinião, pior ainda do que a primeira - mas sai do Dragão pela porta pequena. Passa aos oitavos da Champions, é verdade, mas bem pode agradecer aos seus companheiros da defesa, já que, no que lhe competia, foi uma perfeita nulidade.

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