segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Festas felizes!

Para todos os que acompanham este blogue, aqui ficam os meus desejos de um santo e feliz Natal!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A maçã podre que afinal não o era

Quando João Moutinho foi contratado pelo FC Porto ao Sporting, muita gente afecta ao clube leonino, incluindo o próprio treinador Paulo Bento, acusou o jogador de ser uma maçã podre que contaminava as maçãs sãs. Godinho Lopes, actual presidente do Sporting, concedeu agora uma entrevista ao programa “Trio de ataque” onde abordou a questão, considerando que Moutinho foi, afinal, uma vítima do sistema que imperava então no seu clube.

«Chamavam-lhe maçã podre, mas afinal de contas João Moutinho era uma vítima do sistema, porque os jogadores que estavam à sua volta queriam sair, porque não se sentiam bem

Parece que, afinal, as maçãs podres eram outras. Só falta dizerem quem.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Para quem tanto se queixa...

.... é caso para perguntar: haverá algum jogo que o Benfica consiga ganhar sem beneficiar de uma expulsão forçada ou de um penalty duvidoso? Hum... não creio...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Gestão danosa

No final da partida com o Braga que ditou o afastamento do FC Porto da Taça de Portugal, Vítor Pereira afirmou que a responsabilidade pela escolha de vários jogadores menos utilizados ao longo da época (apenas quatro jogadores agora utilizados são habitualmente titulares) era única a exclusivamente dele. Bem pode dizê-lo, já que, nesta altura, ninguém tem dúvidas de que o principal motivo da derrota foi exactamente a profunda reforma na estrutura da equipa operada pelo técnico portista.
Já todos sabemos que uma grande época passa necessariamente por uma boa gestão do plantel. Nesse sentido, é expectável que o treinador proceda a alterações na equipa que permitam refrescar os jogadores, dando descanso aos mais utilizados e tempo de jogo aos menos utilizados. No entanto, estas alterações devem ser pontuais e diluídas ao longo da época e nas várias competições, de forma a não prejudicar o normal rendimento da equipa principal. Não me parece minimamente inteligente alterar a estrutura de forma tão radical como agora aconteceu, muito menos quando o FC Porto defrontava um adversário de grande valor, com tradição de ser muito complicado no seu reduto e ainda para mais num jogo de tudo ou nada onde qualquer deslize seria irreversível. A consequência desta aventura foi o afastamento de uma competição que era assumida como um dos principais objectivos a nível interno, imediatamente a seguir à revalidação do título de campeão nacional.
Na próxima terça-feira, o FC Porto terá mais um compromisso para a Liga dos Campeões, desta feita em Paris onde defronta o PSG. Com a passagem aos oitavos já garantida, resta ainda amealhar o prestígio e os milhões de euros de prémio que uma vitória no Parque dos Príncipes e o 1º lugar do grupo nos conferirá. A casa do FC Porto da capital francesa já garantiu a presença em massa de apoiantes para este jogo, pelo que estão reunidas todas as condições para que possamos viver mais uma noite de glória europeia. Exige-se que assim seja, depois da desilusão da Taça de Portugal.

O larápio bem querido


Olegário Benquerença carrega ainda sobre os ombros o estigma do golo fantasma de Petit a Vítor Baía, cuja existência nunca foi comprovada por qualquer meio credível mas que os encarnados pretendiam a todo o custo que fosse assinalado no sentido de poupar a sua equipa a mais uma humilhante derrota no seu reduto. Ontem, em Braga, o árbitro leiriense, assumido adepto do Benfica, deu mais um passo na reconciliação com os seus correlegionários.
Seria ridículo atribuir a derrota do FC Porto em Braga à arbitragem de Olegário Benquerença (até porque terá existido um penalty contra os Dragões por falta de Fernando sobre Hugo Viana que não foi assinalado), mas basta olhar para a ficha disciplinar do jogo para perceber que o juiz leiriense fez tudo o que estava ao seu alcance para inclinar o campo em prejuízo dos azuis-e-brancos. Se mais não fez, foi porque não pôde ou  porque não viu.
Tal como Vítor Pereira afirmou no final do jogo, não aconteceu absolutamente nada nesta partida que justificasse a amostragem de 10 cartões amarelos e 1 vermelho (o que qualquer pessoa que assistiu ao jogo poderá efectivamente comprovar), mas o que o treinador portista pretendia verdadeiramente era alertar para a gritante dualidade de critérios demonstrada pelo árbitro na amostragem dos cartões ao longo dos 90 minutos. Para além de muitos dos amarelos mostrados aos jogadores portistas serem extremamente forçados (nos quais se inclui o 2º mostrado a Castro que ditou a sua expulsão), a mesma severidade não foi aplicada no caso dos jogadores arsenalistas que, em situações idênticas, passaram sem qualquer admoestação. Refira-se ainda que o primeiro cartão amarelo mostrado a jogadores do Braga surgiu apenas aos 65 minutos de jogo, numa altura em que já três amarelos tinham sido mostrados a jogadores do Porto. De nada valem os protestos agora que o mal está feito, mas fica o registo.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Jesus, o 18º mais bem pago do mundo

Um estudo publicado hoje revela o ranking dos 30 treinadores de futebol mais bem pagos de todo o Mundo. Ora, se o facto do nome de José Mourinho surgir na segunda posição não surpreende ninguém dada a brilhante carreira do técnico português, já o facto de Jorge Jesus integrar a lista na 18ª posição constitui uma revelação no mínimo surpreendente.
A ser verdade a informação agora divulgada, o treinador do Benfica aufere, nada mais, nada menos, que 4 milhões de euros brutos por ano, o que corresponde a 2,1 milhões líquidos anuais. Logo à partida, estes valores parecem completamente absurdos quando confrontados com o pobre currículo profissional de um técnico que não consegue passar da mediania, não obstante a oportunidade extraordinária de que usufrui ao treinar um dos grandes do futebol português desde há vários anos. Mas, se isso não fosse por si só suficiente para causar estranheza, mais estupefactos ficamos quando pensamos no contexto económico actual do nosso país e, principalmente, na situação financeira de um clube cujo passivo ultrapassa já os 400 milhões de euros. É caso para perguntar se terão descoberto petróleo lá para as bandas da Luz ou se estaremos apenas perante mais uma evidência da gestão megalómana de Vieira ao leme do clube lisboeta.
Para terminar, uma nota curiosa: Jorge Jesus aufere muito mais do que Joachim Low, que é "só" o seleccionador da... Alemanha. Não admira pois que os alemães considerem Portugal um país de chicos-espertos que vivem acima das suas possibilidades. Com exemplos destes, estamos à espera de quê?


Aqui fica a lista dos 30 treinadores mais bem pagos do Mundo:

1 Carlo Ancelotti (Paris Saint-Germain) 13,5 milhões de euros (brutos)/7,4 milhões de euros (líquidos)
2 José Mourinho (Real Madrid) 15,3 milhões de euros (brutos)/7,3 milhões de euros (líquidos)
3 Fabio Capello (Rússia) 7,8/6,8
4 Marcelo Lippi (Guangzhou) 10/5,5
5 Frank Rijkaard (Arábia Saudita) 5,3/5,3
6 Alex Ferguson (Manchester United) 9,4/5,2
7 Arsène Wenger (Arsenal) 9,3/5,1
8 Guus Hiddink (Anzhi) 8,3/4,5
9 Paulo Autuori (Catar) 3,6/3,6
10 Tito Vilanova (Barcelona) 7/3,3
11 José Antonio Camacho (China) 5,9/3,2
12 Roberto Mancini (Manchester City) 5,9/3,2
13 Jupp Heynckes (Bayern Munique) 5,2/2,9
14 Luciano Spaletti (Zenit) 3,3/2,8
15 André Villas Boas (Tottenham) 4,5 brutos /2,5 líquidos
16 Abel Braga (Fluminense) 3,5/2,5
17 Harry Redknapp (Queens Park Rangers) 4/2,2
18 Jorge Jesus (Benfica) 4 brutos/2,1 líquidos
19 Vanderlei Luxemburgo (Grémio) 3/2,1
20 Muricy Ramalho (Santos) 3/2,1
21 Tite (Corinthians) 3/2,1
22 David Moyes (Everton) 3,6/2
23 Manuel Pellegrini (Málaga) 3,6/1,7
24 Antonio Conte (Juventus) 3/1,7
25 Cesare Prandelli (Itália) 3/1,7
26 Ottmar Hitzfeld (Suíça) 2,6/1,5
27 Joachim Low (Alemanha) 2,5/1,3
28 Martin O`Neil (Sunderland) 2,5/1,3
29 Roy Hodgson (Inglaterra) 2,5/1,3
30 Marcelo Bielsa (Atlético de Bilbau) 2,5/1,2

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Graças a Momo!

Poucos dias antes da difícil deslocação do FC Porto a Braga, Jorge Jesus não resistiu a lançar mais uma das pérolas a que já nos habituou, afirmando que os azuis-e-brancos costumavam ter sorte na "pedreira". O técnico portista não quis deixar a alfinetada sem resposta e, de forma acutilante e certeira, relembrou o seu congénere encarnado de que a sorte é fruto de muito trabalho. O certo é que Momo (deusa dos escritores e dos poetas que, na mitologia grega, personificava o sarcasmo e a ironia) parece ter acompanhado a troca de palavras entre os técnicos rivais e decidiu apimentar a discussão, dando o seu toque pessoal a um jogo que teve o seu quê de teatral. Se por um lado é verdade que o FC Porto não teve a sorte do seu lado quando, logo nos primeiros minutos da partida, viu a bola embater no poste da baliza bracarense, não será menos verdade que o golo de James Rodriguez ao minuto 90 parece ter caído do céu, dada a incapacidade demonstrada pelos azuis-e-brancos para desmontar a bem estruturada defesa adversária, pese embora o domínio exercido durante praticamente toda a partida. A bola, fortemente rematada pelo jovem prodígio colombiano, embate no pé de um defesa, descreve um arco perfeito sobre o guarda-redes e acaba dentro da baliza após uma carambola repartida entre a trave e o chão. E ainda Jorge Jesus ia amaldiçoando a sorte dos rivais quando Jackson Martinez, aproveitando uma asneira da defesa bracarense (provavelmente a única em todo o jogo), disparou para a baliza adversária, marcando o segundo golo com que se arrumou definitivamente a questão dos pontos em disputa: três para o Porto, zero para o Braga. Graças a Deus, terão pensado muitos portistas. Graças a Momo, pensei eu. 

P.S. - Tal como sempre acontece com qualquer lance ocorrido na área portista, muito se falará amanhã do pretenso penalty que Xistra não marcou. No entanto, demonstram as imagens que o centro mal executado por Alan embate no chão antes de ressaltar directamente para o braço do defesa que, com a cara voltada para trás, dificilmente adivinharia a trajectória da bola. Caso evidente de bola na mão, não obstante o que disserem. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resposta a Rui Santos

Ainda a propósito da arbitragem de Jorge Sousa no clássico do passado Domingo, Rui Santos publicou um artigo no blogue O Relvado, intitulado Sporting tem de jogar mais para se queixar da arbitragem, no qual proferiu uma série de afirmações que me mereceram alguns comentários. Por motivo de limitação de espaço, não me foi possível responder da forma como gostaria, pelo que aqui fica a minha resposta completa:

1) O sr. Rui Santos começa por afirmar que as câmaras de televisão possibilitam-nos o olhar mais próximo da realidade e nos tiram as dúvidas. Como explica então que, logo na primeira jornada desta época, o sr. tenha afirmado que o jogo FC Porto-Gil Vicente não teve casos polémicos, quando as imagens demonstravam, de forma clara e indiscutível, a existência de dois penalties (um deles clamoroso, que mais parecia uma placagem de rugby) a favor do Porto que Duarte Gomes ignorou? Não lhe parece patético que uma pessoa, que tanto defende a implementação de meios audio-visuais como meio de apoio às arbitragens, tenha demorado mais de um mês a reconhecer a existência desses lances, apesar das imagens terem estado escarrapachadas na frente dos seus olhos ao longo de todo esse tempo?

2) Acho curioso que faça referência no seu texto ao Tribunal de O JOGO, no sentido de sustentar a sua própria perspectiva sobre os três lances mais polémicos deste FC Porto-Sporting, mas não tenha demonstrado a mesma preocupação quando os três ex-árbitros que compõem esse painel foram unânimes ao considerar existentes os tais penalties favoráveis ao FC Porto que atrás refiro e que terão tido influência directa nos resultados de dois jogos dos dragões. Pelo contrario, nem uma referência fez a esses lances, seguindo, aliás, uma política que vem sendo habitual no jornal A BOLA, que prima por trazer as arbitragens à estampa sempre que o Benfica se queixa, mas escamoteia aos olhos do público todos os lances em que o Porto foi prejudicado.

3) Qualquer pessoa minimamente isenta percebe que o FC Porto é, dos três "grandes", o que mais motivos de queixa teve das arbitragens até ao momento. Além dos dois penalties não assinalados por Duarte Gomes em Barcelos, soma-se ainda o penalty descarado que ficou por marcar contra o Guimarães por corte de um remate com o braço, e outro, ainda mais descarado, por falta sobre Kléber em cima do minuto 90, no jogo com o Rio Ave. Em suma: em apenas seis jornadas, os portistas já viram os árbitros sonegarem quatro penalties a seu favor, dois deles clamorosos e com influência directa no resultado. Por que motivo este facto não merece, de sua parte, qualquer reflexão? Não existirá também aqui a falta de coragem de sua parte? Não haverá também aqui a tal subserviência a uma determinada clientela que você tanto critica nos outros?

4) Perante estes factos, até uma criança percebe que o critério por si usado na análise da Liga Real é, simplesmente, ridículo! É óbvio que existe sempre a possibilidade do jogador falhar o penalty ou do guarda-redes defender, mas a probabilidade deste ser concretizado pende claramente a favor do atacante, não do defensor. Essa probabilidade aumenta exponencialmente se, por exemplo, uma equipa se queixa de dois penalties não assinalados a seu favor (como aconteceu com o Porto em Barcelos), visto que é muito improvável que pelo menos um deles não fosse concretizado. Como tal, ignorar a importância dos penalties não assinalados a favor do FC Porto e assim defender que o Benfica é a equipa mais prejudicada só pode ser uma anedota, um absurdo que não passa na cabeça de ninguém que tenha dois dedos de testa! Está visto que essa rubrica, nos moldes actuais, nada tem contribuído para a clarificação da verdade desportiva, mas antes para passar para o público uma imagem distorcida, viciada, daquela que tem sido a verdadeira tendência das arbitragens nesta época.

5) Afirmar que Jorge Sousa teve a intenção de "proteger o mais forte" com base unicamente na análise dos dois penalties mal assinalados contra o Sporting é mais um exemplo de viciação dos factos. Basta ver, por exemplo, que no final do 1º tempo o Porto já tinha visto três amarelos em apenas cinco faltas cometidas, contra um do Sporting. Mais: o lance mais perigoso (talvez o único digno de registo) dos leões nasce de um livre inexistente, no qual o Alex Sandro se lesionou e viu um amarelo injusto. Mais ainda: o defesa leonino que provocou o 1º penalty não tinha já um amarelo? E o Rojo, que acabou por ser expulso, não tinha já antes feito uma falta grosseira merecedora de amarelo que não foi mostrado? Para quem "protege os mais fortes", não acha que Jorge Sousa demonstrou muita parcimónia ao perdoar aí a expulsão aos jogadores leoninos?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Não esperem pelo mau tempo para arranjar as velas!

Fiquei tão feliz com o resultado e, principalmente, com a exibição frente ao PSG que estive quase a escrever um post intitulado "Perfeição!". No entanto, bastou-me passar os olhos pelos meus textos mais recentes para logo me vir à memória a inconstância denotada pela equipa nos últimos jogos e assim refrear os meus ânimos mais optimistas. Apesar da vitória sobre o Sporting poder ser um importante sinal da consolidação exibicional que tanto desejamos ver implementada no FC Porto, a verdade é que estaria a mentir se dissesse que fiquei totalmente agradado com o que vi nesta noite de Domingo.
Não me interpretem mal! Ganhar continua a ser óptimo e, apesar da previsível choradeira a que se vai assistindo hoje, alimentada pela sempre corrupta imprensa lisboeta, só por má fé se poderá contestar esta vitória, tal a superioridade demonstrada pelos azuis e brancos ao longo de toda a partida! Eu não sou daquele tipo de adeptos que nunca se mostram satisfeitos, independentemente da equipa vencer e convencer, mas lamento não ser também daqueles para quem tudo é uma maravilha desde que se ganhe. Temos de reconhecer que estes leões de Alvalade mais se parecem actualmente com uns gatinhos de colo, capazes de arranhar com as suas unhas afiadas, é certo, mas longe, muito longe, de causar dano significativo a um sério, verdadeiro candidato ao título como é o FC Porto. Esperava-se, portanto, muito mais do que os singelos 15 minutos de futebol do mais alto nível que os portistas ofereceram ao seu público no início desta partida, coroados com um golo daqueles que ficam cravados a fogo nos anais da história. Fora isso, a exibição teve momentos de uma pasmaceira atroz, uma mediania confrangedora, uma falta de ambição inexplicável perante um adversário que, patético de tão banal que é, merecia sair do Dragão vergado a uma goleada histórica. Nem o confronto de meio da semana a contar para a Champions poderá justificar este facto, já que o Sporting vinha também de um compromisso europeu, teve menos tempo de descanso e trazia sobre os ombros o peso da humilhante goleada sofrida frente a um adversário de 2º plano.
O Porto, simplesmente, apanha-se a ganhar e tira o pé do acelerador. É sintomático! É recorrente! Não gosto! Tal como não gosto, por exemplo, de ver Lucho correr sem convicção para a bola e desperdiçar o penalty rematando ao poste, como se as oportunidades soberanas como aquela fossem assim tão comuns que nos pudéssemos dar ao luxo de as enjeitar. Não gosto de ver o Porto dominar territorialmente sem que daí resultem verdadeiras oportunidades de golo capazes de dilatar o resultado e sossegar a equipa, evitando assim o sofrimento escusado até ao último minuto. Nem gosto de ver Jackson Martinez marcar um golo de bandeira, daqueles que fazem levantar o público em qualquer estádio, e o treinador continuar de braços cruzados, com aquele ar pedante de quem se acha superior a essas manifestações de regozijo próprias da populaça. É óbvio que nada disto assume verdadeira importância enquanto os objectivos vão sendo conseguidos, mas todos nós temos a consciência de que nem sempre será assim. Portanto, façam-me um favor: não esperem pelo mau tempo para arranjar as velas!



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Coward Webb" regressa ao Dragão

A UEFA divulgou hoje os árbitros que vão ajuizar as partidas referentes à próxima jornada da Liga dos Campeões e já se sabe que o caminho do FC Porto irá cruzar-se novamente com Howard Webb. Infelizmente, o nome deste árbitro inglês não traz boas recordações aos azuis e brancos, já que, no ano passado, protagonizou uma péssima arbitragem na recepção ao Sevilha no Dragão, com claro prejuízo para os portugueses. A propósito dessa arbitragem, tive a oportunidade de escrever, na altura, o seguinte:

«Howard Webb é daqueles árbitros que parece ter nascido com o cu virado para a lua e tem uma sorte fora do normal. Ou isso, ou tem um padrinho muito bem colocado nos meandros do futebol mundial. Já foi escolhido para arbitrar a final da Liga dos Campeões e a final do Campeonato do Mundo, o que lhe confere um currículo impressionante mas também surpreendente, principalmente se tivermos em conta as péssimas actuações que já protagonizou na sua carreira de arbitragem. Em Inglaterra, o senhor Webb já esteve envolvido em situações que geraram grande polémica e ontem, no Dragão, mostrou porquê. O inglês demonstrou falta de coragem na hora de expulsar jogadores espanhóis, primeiro ao permitir que Alexis continuasse em campo quando o defesa sevilhano (que já tinha visto um cartão amarelo) agarrou ostensivamente Hulk pela camisola impedindo-o de entrar na área com perigo e depois quando ignorou a agressão a Fucile. Pelo contrário,  mostrou um amarelo a Beluschi quando este tentou apenas jogar a bola ainda nas proximidades da área espanhola e não teve contemplações em expulsar Álvaro Pereira numa entrada viril. Pelo meio, muitas faltas óbvias passaram em claro, mal disfarçadas por uma pseudo-arbitragem "à inglesa", enquanto muitas outras foram assinaladas em lances banalíssimos. Enfim, o inglês foi uma nódoa num pano que tinha tudo para ser de seda.»

Veremos o que fará agora o sr. Webb nesta partida frente ao PSG, mas palpita-me que iremos assistir à sequela de um filme já visto. Mais um motivo para que a equipa do FC Porto entre em jogo plenamente consciente de que necessitará de uma exibição perfeita e de plena concentração e empenho para conseguir ultrapassar este adversário, já de si tão complicado. E que bom era, se conquistássemos já mais três pontinhos...

Carlos Lisboa em todo o seu esplendor

Os espanhóis acusam o treinador de basquetebol do Benfica, Carlos Lisboa, de ser o principal causador dos incidentes verificados no jogo de anteontem com o Cáceres e que culminaram com o abandono da equipa portuguesa a 4,09 minutos do final, quando o resultado era favorável aos anfitriões, por 88-84. Segundo o diário espanhol “Hoy”, «o treinador do Benfica contestou desde o início o trabalho da dupla de arbitragem (Esperanza Mendoza e Francisco Rastollo), queixando-se do elevado número de faltas averbadas à sua equipa».
Os "nuestros hermanos" ainda não conheciam as cenas lamentáveis que este energúmeno é capaz de protagonizar e abrem a boca de espanto. Para nós, que já fomos vítimas do seu comportamento execrável, estes actos não constituem surpresa, tal como já não é nova a situação de um jogo interrompido antes do final por desacatos perpetrados por elementos encarnados. Lamenta-se apenas a triste imagem de mau perder e de anti-desportivismo dada pelo Benfica no estrangeiro, o que envergonha todo o desporto português.

domingo, 30 de setembro de 2012

Comunicação social portuguesa, reino da podridão e da anarquia

Por aqui se vê, uma vez mais, a podridão e a total anarquia que reina na comunicação social portuguesa. Sempre que o treinador do FC Porto se queixa sobre as arbitragens, logo aparecem os pasquineiros do regime a criticar, alegando que não compete aos técnicos analisar questões de arbitragem, que isso deve ficar para os entendidos, et cetera e tal. A verdade é que, depois de uma semana em que a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta não parou de dar eco ao escândalo armado por Jorge Jesus contra Carlos Xistra (tendo, inclusivamente, o jornal A BOLA feito disso matéria de primeira página), eis que o árbitro Bruno Esteves deixa passar em claro mais um penalty descarado favorável aos azuis e brancos (o 5º, só na corrente época) em cima do minuto 90 e nem uma palavra se lê sobre o assunto nas crónicas dos jornais desportivos da capital. Apenas o Tribunal de O JOGO teve a decência de fazer referência directa ao lance, assumindo unanimemente a existência da falta sobre Kléber e a sua possível influência no resultado final, tal como se pode constatar:


Cada vez dou mais razão àqueles que defendem que, por altura da Revolução de Abril, muita gente devia ter sido "passada pelas armas". Afinal, cada vez mais se constata que a luta pela liberdade de imprensa e de expressão não serviu para libertar o jornalismo português do jugo da censura, mas antes para que esta escumalha ganhasse o poder de manipular os factos a seu bel-prazer e em nome dos seus interesses mesquinhos, comportando-se agora, eles próprios, como o regime fascista que os oprimia. Com uma agravante: em nome de uma falsa democracia, fazem-no com total impunidade, sem que haja uma autoridade capaz de fiscalizar e punir quem se outorga no direito de brincar com os mais básicos princípios deontológicos do jornalismo.

Esta semana não haverá choradeira

Como é costume, o Benfica andou a semana inteira a chorar e a protestar contra os árbitros, chegando ao cúmulo de exigir, através de um dos seus dirigentes, a demissão do presidente da Comissão de Arbitragem. O subserviente Vítor Pereira, como é seu timbre, tratou logo de amansar as feras escolhendo Bruno Esteves para o jogo do FC Porto e este não quis defraudar as expectativas do "patrão". Após o 2º golo do Rio Ave, o árbitro da Associação de Setúbal parece ter sido acometido de algum ataque visual: começou por fazer vista grossa a uma entrada por trás a James Rodriguez em posição frontal à baliza vila-condense, fez novamente vista grossa a uma cotovelada na cara de Varela que interrompeu uma jogada de contra-ataque e, já no minuto 89, também não conseguiu ver um penalty óbvio sobre Kléber, pontapeado no calcanhar por um defesa que não tinha hipótese absolutamente nenhuma de jogar a  bola naquelas condições. Obviamente, esta semana não haverá gritaria, nem parangonas de 1ª página, nem declarações do presidente dos árbitros, nem abertura de inquéritos por parte da Liga.

Mereciam mais, os adeptos, em época festiva

Depois do excelente jogo realizado frente ao Beira-Mar, esperava-se muito mais deste FC Porto, hoje, no confronto com o Rio Ave. Apesar de não ser uma equipa nada fácil, principalmente a jogar no seu reduto, os vila-condenses estavam perfeitamente ao alcance dos Dragões, tal como o domínio territorial verificado ao longo de toda a primeira parte fazia perceber. Lamentavelmente, o treinador portista pretendeu demonstrar algo que não cabe no meu entendimento e tratou de fazer retroceder a táctica ao ponto em que o papel de construtor de jogo cabia a Lucho Gonzalez, em detrimento de James Rodriguez que, ao contrário do que aconteceu na partida anterior com os bons resultados que se conhecem, regressou ao seu lugar na ala. O resultado deste passo atrás poderá ter sido uma maior posse de bola e maior consistência no meio-campo, mas também uma confrangedora perda de criatividade atacante que se traduziu na escassa vantagem de um golo ao intervalo, não obstante as oportunidades (algumas, poucas) criadas.
Já na segunda parte, os visitados entraram com vontade de dar a volta aos acontecimentos e foram ganhando confiança à medida que a equipa portista se ia afundando num mar de incompreensível inoperância. A cambalhota no marcador aconteceria mesmo graças a dois golos de Tarantini. No segundo, espectacular, dominou com um pé e rematou com o outro, sem hipóteses para Helton, já depois de um não menos brilhante remate de James ter embatido com estrondo na barra vila-condense. Se uns desperdiçavam, outros aproveitavam. É assim o futebol e nem a entrada simultânea de Varela e Fernando para os lugares de Atsu e Lucho conseguiu acalmar o jogo portista. Até final, foi ver os Dragões correrem com o credo na boca, despejando bolas para a área na esperança do milagre que, efectivamente, veio a acontecer: Jackson Martinez (outra vez ele) correspondeu de cabeça a um centro da direita e marcou o golo do empate já em cima do apito final. Salvou-se, ainda assim, um pontinho, o que podia ter sido bem pior graças à atitude passiva de uma equipa que parece sofrer de uma preocupante bipolaridade emocional. Mereciam mais, os adeptos, em época festiva.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Serpa da Bola

Aquando da deslocação do FC Porto ao Estádio do Algarve para defrontar o Olhanense em jogo a contar para a Liga, Vítor Serpa, director do jornal A BOLA, não resistiu a escrever mais um dos seus já habituais artigos de opinião, tendo como alvo preferencial o clube azul e branco. A determinada altura do artigo (que mais parecia um discurso encomendado pelo clube da Luz, tal o chorrilho de alarvidades claramente proferidas com o objectivo de agradar ao ego das hostes encarnadas), o articulista escreve a seguinte pérola sobre o referido jogo:

«...pena foi que tivesse sido visto, ao vivo, por menos de dez mil espectadores. Continua, aliás, a não se compreender muito bem como é possível que tão poucos portistas acompanhem o bicampeão nacional. Parece que apenas os incondicionais marcam presença e puxam com entusiasmo pelo dragão».

Tal como Miguel Lima, do Tomo II, fez questão de referir no excelente email que lhe enviou, lamenta-se que Vítor Serpa, na ânsia de lançar mais algumas das suas farpas envenenadas, tenha perdido a sensibilidade e sensatez de perceber que, nos tempos difíceis que atravessamos, não é propriamente acessível à carteira de qualquer pessoa deslocar-se do Norte do país ao Algarve para assistir a uma partida de futebol. Por muito grande que seja o amor que nos une a uma equipa, ainda há maiores prioridades que o "pontapé na bola", tais como, por exemplo, o simples acto de pôr comida na mesa. Mas mais lamentável ainda, é a incapacidade manifestada pelo director de um dos maiores jornais desportivos do país de assumir os mais básicos princípios de isenção e equidistância que devem reger o jornalismo, esquecendo-se agora de comentar, fazendo uso dos mesmos critérios, o facto de o Benfica não ter conseguido fazer deslocar mais de dez mil adeptos a Coimbra, no jogo frente à Académica. Parece que, na perspectiva do sr. Serpa, é incompreensível que o bicampeão leve apenas 10000 adeptos do Porto ao Algarve, mas não causa qualquer estranheza que o "colosso", "mais grande do mundo", " clube dos 6 milhões", leve o mesmo número de apoiantes de Lisboa a Coimbra.  Está certo...
Tal como diz o povo, as atitudes ficam com quem as toma, mas não venham depois tentar convencer-nos de que são gente séria.

P.S. - A BOLA prepara-se para lançar um canal televisivo no MEO. Se os critérios editoriais do canal forem idênticos aos do jornal (e nada faz supor que não serão), é fácil de prever que estaremos na presença de mais um veículo de propaganda ao bom estilo fascista, vendido aos interesses encarnados. Preparem-se portanto, que vamos ter guerra.

A revolta da macacada

Tal como vem sendo habitual desde há vários anos, o Benfica voltou a gozar, neste início de época, de critérios de arbitragem especiais e exclusivos que permitiram ao clube lisboeta chegar à 4ª jornada com a inusitada marca de 143 minutos a jogar em vantagem numérica sobre os adversários, o que representa quase 40% do tempo total de jogo. É obra! No entanto, bastou que a equipa escorregasse, pela 2ª vez esta época, em Coimbra, onde protagonizou uma das piores exibições que lhe vi fazer nos últimos tempos, para que estalasse, lá para as bandas da capital do império ultramarino, mais uma das já habituais revoluções tendo a arbitragem como epicentro. Se a hipocrisia matasse...
Não pretendo sequer discutir a justeza dos cartões vermelhos mostrados pelos árbitros aos jogadores adversários do Benfica (ainda que o simples facto de Douglão ter sido despenalizado pela Liga ser suficiente para demonstrar que nem tudo tem decorrido de forma limpa), mas parece-me evidente que, se a arbitragem tivesse algum motivo para prejudicar o clube da Luz como os seus dirigentes tanto gostam de propagandear, nunca permitiriam que o mesmo beneficiasse de um tal registo, digno de menção no Guinness Book of Records. Bastaria que aplicassem aos jogadores adversários o mesmo critério largo (que é como quem diz, a mesma protecção) que é aplicada aos jogadores encarnados (como, por exemplo, Maxi Pereira, que não obstante ser useiro e vezeiro em matéria de indisciplina consegue passear airosamente em qualquer campo do país sem ser admoestado com um único cartão vermelho) ou, pelo menos, o mesmo critério que é aplicado nos restantes jogos, para que fosse evitada esta clara desproporcionalidade. Isto é tão óbvio, mas tão óbvio, que até uma criança de dez anos compreenderia, mas, infelizmente, continuam a existir milhões de portugueses que, quais chimpanzés inebriados pelos gritos do Tarzan da Selva, permitem que lhes substituam a razão humana pela irracionalidade primata.
Ora, no mesmo período em que o Benfica beneficiou de tais critérios disciplinares que, como facilmente se constata, não são transversais a todos os clubes, eis que o FC Porto teve motivos para reclamar, nada mais nada menos, de quatro penalties não assinalados a seu favor, dois dos quais ocorridos logo na primeira jornada, em Barcelos, quando Duarte Gomes, um dos meninos bonitos da Luz, decidiu fazer vista grossa a dois lances faltosos em plena área do Gil Vicente (um deles que mais parecia uma placagem de rugby, tal a eficácia com que o defesa gilista se agarrou à cintura de Kléber e não mais largou até imobilizar completamente o avançado portista). A cegueira do árbitro de Lisboa traduziu-se num empate e na cedência de dois pontos logo na primeira jornada, o que muito agradou aos clubes e à imprensa da capital que sobre o assunto não fizeram qualquer alarido. Como sempre acontece quando o FC Porto é prejudicado e, consequentemente, o Benfica disso retira proveito, não houve gritaria, não houve parangonas de 1ª página, não houve discursos revoltados, não houve declarações do presidente da Comissão de Arbitragem, não houve abertura de processos de investigação. E é assim, graças a esta despudorada viciação dos factos e esta descarada diferença de critério, que se vai manipulando as mentes simplórias deste país, incutindo-lhes a ideia de que o Benfica, coitadinho, é uma vítima inocente de uma atroz perseguição de forças ocultas. Sinceramente, já não há pachorra.

Cães raivosos

Se a transferência de Hulk deixou legítimos receios no espírito dos adeptos portistas, já a inesperada saída em simultâneo de Javi Garcia e Witsel parecem ter semeado o pânico entre as hostes benfiquistas, tal o nervosismo patente nas atitudes dos dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos encarnados.
Bem pode Luís Filipe Vieira vir pregar aos peixes com os seus discursos encomendados, dizendo que a actual crise obriga os clubes a vender os principais jogadores e et cetera e tal, numa tentativa de justificar, perante os sócios, o desmoronar do meio-campo encarnado. O que no plano financeiro poderá ser visto como um negócio mirabolante, na perspectiva desportiva terá sido um dos erros de gestão mais crassos da história do clube, principalmente pelo facto da Direcção não ter sequer sabido precaver atempadamente a substituição de dois dos seus melhores jogadores, que há muito eram alvo da cobiça de emblemas estrangeiros, preferindo desbaratar milhões de euros em reforços para sectores bem servidos da equipa e de onde não havia perspectivas de sair ninguém. Resultado: o Benfica está claramente mais fraco do que na época anterior,  apresentando agora um plantel que mais parece uma manta de retalhos e o mesmo treinador medíocre que nunca passará da mediania, não obstante a arrogância com que se auto-promove.
Num clube bem conhecido pela bipolaridade emocional dos seus adeptos, capazes de alternar fases de uma desmedida euforia com outras de profunda depressão, a incógnita sobre o futuro desta equipa deixou os nervos à flor da pele, de tal forma que bastou um pequeno rastilho para despoletar a ira, ainda mais precocemente do que nas épocas anteriores. Como cães raivosos, lançaram-se de dentes arreganhados, primeiro aos seus próprios jogadores e equipa técnica, depois à sede da claque Mancha Negra (que, por acaso, até é das mais pacíficas de Portugal). E como já era de esperar, não tardaram a vir os dirigentes encarnados desviar as atenções para a arbitragem, tentando fazer de Carlos Xistra o bode expiatório de mais uma burricada que, afinal, seria da única e exclusiva responsabilidade da Direcção. Tudo isto, obviamente, com a preciosa colaboração dos pasquineiros do costume, que logo se prontificaram a fazer eco do discurso da maralha. Tudo normal, portanto, na capital do império ultramarino.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Armada colombiana

Os adeptos portistas necessitavam urgentemente de uma reacção positiva por parte da equipa à saída de Hulk e esta não se fez esperar. A goleada imposta ao Beira-Mar acabou por ser apenas o corolário lógico da melhor exibição a que assistimos nesta época.
A nível individual, destacou-se, obviamente, o espectacular golo de Jackson Martinez, surgido na sequência de uma excelente combinação do ataque portista e culminado com um pontapé de bicicleta perfeito, que veio, com certeza, encher de confiança o nosso novo ponta-de-lança. Eleito no final do jogo como MVP, o colombiano tem vindo a crescer a olhos vistos e começa a mostrar que tem tudo para conquistar o coração dos adeptos, fazendo (finalmente!) esquecer Falcao. Apesar disso, foi a prestação de James Rodriguez que mais encheu os olhos aos adeptos presentes no Dragão neste serão de Sábado. Assumindo o papel de 10 da equipa, El Bandido deu água pela barba à equipa contrária, protagonizando duas assistências para golo e assinando, ele próprio, um belo tento que bem vinha fazendo por merecer. O jovem compatriota de Jackson Martinez carimbou, em definitivo, a sua candidatura a patrão com plenos poderes do ataque portista e a flexibilidade táctica que demonstrou nesta posição deixou ainda em aberto um leque de possibilidades atacantes muito interessantes. Uma referência especial ainda para Atsu que, jogando a titular, correspondeu totalmente à confiança depositada pelo treinador e para a entrada de Iturbe que, não obstante ter jogado pouco tempo, imprimiu velocidade e imaginação ao sector atacante numa altura em que a equipa começava a denotar alguma apatia.
Apesar do adversário ter demonstrado muitas fragilidades, em parte provocadas pela pressão asfixiante da equipa azul e branca, mas também por deficiências óbvias na estrutura da equipa aveirense, este bom jogo do FC Porto permitiu suavizar um pouco as dúvidas que persistiam no espírito dos Dragões sobre as verdadeiras capacidades da equipa e abrir boas perspectivas para o decorrer da Liga. Há, no entanto, que perceber ainda se este optimismo poderá ser estendido à Liga dos Campeões, onde a qualidade das equipas adversárias irá, com toda a certeza, exigir performances de nível muito superior.

sábado, 8 de setembro de 2012

Há vida para além de Hulk?

Tal como aconteceu no passado com inúmeros outros jogadores tidos como fundamentais na estrutura da equipa, a saída de Hulk veio encher o espírito dos adeptos portistas de dúvidas e receios. O que irá acontecer à equipa com a saída do Incrível? Quem irá ocupar o seu lugar? Que alterações tácticas irá esta situação provocar? Até que ponto estará o plantel mais fraco?
Pela experiência adquirida ao longo dos anos, é legítimo afirmar que, a exemplo do que sempre aconteceu, o clube estará preparado para substituir o brasileiro por outro avançado de elevada qualidade, capaz de fazer esquecer rapidamente aquelas arrancadas explosivas, aqueles remates fulminantes, aqueles golos de bandeira capazes de levar multidões aos estádios e arrancar aplausos mesmo entre as ostes adversárias. Há, no entanto, neste caso, um factor de desconfiança acrescido e que se prende com a incapacidade geralmente demonstrada pelo técnico actual de fazer frente às adversidades, principalmente quando defronta equipas cuja estratégia se baseia fundamentalmente no estacionar do autocarro em frente da baliza. Quantas e quantas vezes não foi Hulk a ferramenta utilizada para arrombar os ferrolhos e desequilibrar os jogos a nosso favor perante equipas fechadas a sete chaves na defesa? Quantas e quantas vezes, no meio da letargia que, inexplicavelmente, se apoderava da equipa, lá surgia um lance de génio vindo do pé esquerdo do Incrível, a salvar a honra do convento? Tudo isto, aliado ao facto de os adeptos ainda terem bem fresca na memória toda a dificuldade sentida pelo clube em encontrar um substituto à altura de Falcao (com todo o prejuízo que daí adveio, principalmente nas competições europeias), torna este caso ligeiramente mais preocupante do que as experiências do passado. Pelo menos, na minha perspectiva.
É um dado adquirido que não será além muros que o clube encontrará o substituto de Hulk. O fecho do mercado e a actual conjuntura económica, pouco propícia a aventuras, indiciam que será entre os actuais elementos do plantel que Vítor Pereira terá de encontrar solução para o problema. A julgar pelas notícias vindas recentemente a público, tudo indica que a aposta será na juventude. Os nomes de James, Atsu e Kelvin, têm sido trazidos para cima da mesa como sucessores naturais do brasileiro, mas terão verdadeiramente estes jovens, de comprovado e indiscutível valor, poderes suficientes para vestirem o fato do novo super-herói? E Iturbe, promessa argentina, tido por muitos como o novo Messi, que papel poderá ter neste novo capítulo da história? A resposta começará a ser dada já na próxima jornada, na recepção ao Beira-Mar.

Mais do que ocupar a posição de Hulk, James Rodriguez, com 21 anos de idade, é o principal candidato a assumir-se como o novo patrão do ataque azul e branco. Parte em vantagem nesta disputa interna, não só pela experiência adquirida ao longo da última época, na qual jogou como titular em muitos jogos, mas também pela crescente importância que tem adquirido na selecção da Colômbia, o que lhe valeu uma elevada projecção internacional. Despertou já a cobiça de vários clubes estrangeiros e, por esse motivo, há quem diga que não ficará muito mais tempo no Dragão, podendo mesmo vir a ser uma das maiores transferências da história do clube. Técnica e fisicamente dotado, demonstra, no entanto, alguma indisciplina táctica e a tendência para alternar grandes exibições com períodos de menor entrega. É, ainda assim, a aposta mais segura.

A desenvoltura física de Christian Atsu não espelha a tenra idade que possui. Com apenas 20 anos, este jovem ganês evoluiu imenso no decorrer da época passada em que esteve emprestado ao Rio Ave e deu nas vistas durante a pré-época graças às excelentes exibições que protagonizou. Nas primeiras jornadas foi chamado por Vítor Pereira e não desiludiu, demonstrando uma entrega ao jogo de fazer inveja a jogadores muito mais experientes e maduros. Apesar de não possuir a arte dos seus companheiros, exibe, ainda assim, uma capacidade técnica muito acima da média, bom domínio de bola, velocidade, força e poder de explosão.Se conseguir dominar os nervos e afinar a pontaria na hora de rematar à baliza, acreditem que teremos aqui um caso muito sério.

O penteado estilo moicano denuncia imediatamente o carácter irreverente de Kelvin. Tal como Atsu, este jovem brasileiro, de apenas 19 anos, foi emprestado ao Rio Ave na época passada, onde se foi adaptando ao estilo de futebol europeu e adquirindo uma maturidade futebolística que, claramente, não possuía. Em termos de domínio da bola, é, na minha opinião, o jogador mais talentoso dos quatro, protagonizando lances de verdadeira magia com o esférico nos pés. No entanto, continua a revelar muita imaturidade táctica, demasiada irreverência e o egoísmo típico dos meninos de rua, pelo que foi com alguma surpresa que o vi integrar o plantel portista já esta época. Sinceramente, acho que um ano de rodagem noutro clube de menor dimensão só lhe faria bem, pois ainda é cedo para assumir maiores responsabilidades numa equipa tão exigente como a dos Dragões.

Não foi por acaso que deixei Iturbe para o fim. Quem acompanha o meu blogue conhece já a admiração que tenho por este miúdo argentino de apenas 19 anos, sobre quem deposito enormes esperanças. As poucas oportunidades que teve na época passada não lhe permitiram entrosar-se completamente com os companheiros da equipa principal, o que lhe valeu muitas críticas injustas e, na minha perspectiva, ignorantes. A verdade é que, de cada vez que Iturbe toca na bola, esta parece esboçar um sorriso de tão bem tratada que é. O golo marcado ao Celta de Vigo na pré-época foi o momento mais alto da sua presença em Portugal, revelando talento, técnica,  velocidade, raça, enfim, tudo o que faz um grande jogador. Se isso não chegou para desvanecer as dúvidas sobre o seu valor, então não sei o que mais será preciso para convencer os cépticos. Se eu tivesse de apostar em alguém para substituir Hulk, não pensaria duas vezes. Iturbe seria a minha primeira aposta.

Duas broncas na mesma semana seria dose...

Segundo a edição online do Diário de Notícias, o Conselho de Disciplina da FPF reuniu-se hoje mas não se debruçou sobre o caso da agressão do Luisão ao árbitro alemão. Recorde-se que este órgão instaurou um processo disciplinar ao capitão benfiquista classificado de urgente a 17 de Agosto (o que implicaria que o desfecho do processo se deveria dar, no máximo, a 1 de Setembro) mas até ao momento ainda não foi tornada pública qualquer decisão.
Estou cá com um palpite que a decisão já estará tomada, mas depois da farsa que foi o pseudo-castigo imposto a "Jor'Jasus", estrategicamente aplicado ao fim de seis meses de forma a coincidir com uma paragem da Liga, os elementos do Conselho de Disciplina lá devem ter achado que seria abusivo causar duas broncas na mesma semana...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Os grandes clubes são assim

José Mourinho deu ontem uma entrevista ao jornal espanhol AS na qual, a determina altura, afirma o seguinte:

«Continuo a sentir a mesma emoção e alegria do primeiro dia em que ganhei, e a mesma raiva e decepção do primeiro dia em que perdi. Só quando vejo as fotos do meu começo no FC Porto é que dou conta de que desse rapaz nasceu o homem que é o treinador do Real Madrid. Mas apenas nas fotos. Por dentro sinto-me exactamente igual ao que era há 20 anos»

José Mourinho não começou no FC Porto. Antes disso foi treinador do Benfica e da União de Leiria, mas é óbvio que a sua experiência mais marcante, aquela que o projectou para a ribalta do futebol europeu e o catapultou para uma carreira de sucesso sem par, foi a passagem pelo FC Porto. Os grandes clubes são assim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Post-it do dia


A gloriosa verdade desportiva

Eu dava o cu e dez tostões para poder ouvir as escutas telefónicas dos cinco elementos que constituem o Conselho de Disciplina da FPF nos últimos sete meses. Nem imagino o tráfico de influências, o jogo de interesses e as pressões exercidas sobre este órgão durante este período e que estarão na origem desta farsa a que alguns, hipocritamente, ainda têm a lata de chamar de "castigo" imposto a Jorge Jesus.
O mais chocante nesta decisão é o facto dela denunciar uma táctica fraudulenta recorrente, uma manipulação óbvia da verdade desportiva feita às claras mas que já não constitui novidade. Também no caso da agressão a Luís Alberto, "Jor'Jasus" foi punido com uma suspensão de apenas 11 dias, convenientemente aplicada de forma a garantir a disponibilidade do técnico encarnado no jogo com o FC Porto (uma situação ainda mais grave se atendermos ao facto do relatório da juíza de instrução, que havia dado como provada a agressão ao jogador do Nacional, ter sido ignorado, no sentido de reduzir drasticamente a pena aplicada).
Não se espere, ainda assim, que este novo escândalo motive qualquer reacção por parte das autoridades de Lisboa. Há muito tempo que, em Portugal, a Justiça só actua a Norte do Mondego e a imprensa da capital não tardará a abafar o caso. Felizmente, um dos homens que mais prejuízo causou ao país pela sua deplorável actuação enquanto Procurador Geral da República está prestes a deixar o cargo, o que constitui uma boa notícia para todos os portugueses. Todos, excepto os benfiquistas, obviamente. Rezemos para que, depois dele, não venha outro ainda pior, a exemplo do que acontece com este Conselho de Disciplina que quase (quase!) nos faz sentir saudades desse ignóbil figurão chamado Ricardo Costa.

P.S. - Tal como o FC Porto salientou no seu comunicado, espero que esta farsa não seja o prelúdio de mais um escândalo, desta vez com o caso Luisão. No entanto, como eu já disse aqui antes, estamos perante o "campeonato das proezas", pelo que não nos admiremos com o que daqui poderá advir.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A inveja dos medíocres

Hoje, ao abrir o site de A MARCA como normalmente faço pela manhã, senti-me orgulhoso ao deparar-me com um artigo intitulado "Ningún club vende mejor que el Oporto - 400 millones en 30 años". Nesse artigo, o jornal da capital espanhola faz uma resenha das principais transferências de jogadores protagonizadas pelo FC Porto ao longo das últimas três décadas e enaltece a competência e sagacidade negocial da sua Direcção que permitiu ao clube um encaixe financeiro apenas ao alcance dos colossos mundiais.
Com a transferência de Hulk para o Zenit, os Dragões voltaram a chamar as atenções do mundo futebolístico que, boquiaberto, assistiu a mais um negócio milionário com a chancela de Pinto da Costa. Infelizmente, já se previa que o internacionalmente reconhecido sucesso portista suscitasse, aquém fronteiras, a inveja dos medíocres. Assim, não se fizeram esperar os ataques de gentalha afecta ao clube da Luz que, beneficiando do já habitual compadrio da corrupta imprensa da capital, logo se desdobraram em tentativas de descredibilização do negócio. Resultado: numa altura em que todos nós, portugueses, nos deveríamos sentir orgulhosos por ver as nossas capacidades enaltecidas pelos estrangeiros (e que falta isso nos faz nesta altura, meu Deus...), continuamos a ver-nos prejudicados pela mentalidade tacanha de gente invejosa e rasca que, sem qualquer pudor, coloca os seus interesses mesquinhos acima dos do próprio país
Já sabíamos que Lisboa se comporta como um menino mimado que, habituado a ser alvo de todas as atenções, não descansa enquanto não estraga os brinquedos novos dos outros meninos. Da mesma forma, também o Benfica se recusa a aceitar que o negócio de Witsel (também ele notável, refira-se) seja ensombrado pelo de Hulk - ainda para mais em plena campanha eleitoral, em que se torna imprescindível para as pretensões de Vieira convencer os adeptos encarnados sobre as suas capacidades de gestão - mas os argumentos utilizados nessa cruzada são tão absurdamente ridículos que eu fico na dúvida se hei-de rir ou de chorar. Rir, pelo nível de inteligência demonstrado por tamanhas bestas, a roçar a superfície do solo; chorar, pela percepção que tenho da quantidade de portugueses que, por ingenuidade ou má-fé, se deixam manipular por tão descarada lavagem cerebral.
Até um aluno do liceu possui conhecimentos de matemática e economia suficientes para compreender que os negócios de Hulk e Witsel nunca poderiam ser directamente comparados colocando-se, lado a lado, o valor líquido do encaixe financeiro obtido pelo FC Porto com a venda do brasileiro, com o valor bruto envolvido na transferência do Belga, tal como A BOLA pretendeu fazer na sua edição de ontem. A ideia é de tal forma viciada na sua fundamentação que só por má-fé ou completa ingenuidade se poderá atribuir-lhe qualquer valor, mas, mais do que os inúmeros acéfalos que por toda a blogosfera encarnada se aprestaram a dar-lhe eco, lamenta-se a quantidade de adeptos portistas que se deixaram abalar na sua confiança. Estarão a enfraquecer?
Ao contrário do Benfica, o Porto não tem antecedentes de prestar falsas declarações à CMVM. Ora, se o clube, através do seu comunicado, informou a entidade reguladora de que a verba líquida a receber seria de 40 milhões de euros, eu não consigo encontrar qualquer motivo para desconfiar da veracidade de tal afirmação. Nem mesmo o facto do presidente do Zenit vir afirmar que não será o clube russo a pagar a restante quantia que perfaz os 60 milhões envolvidos na transferência põe em causa a transparência do negócio. Ou será que só agora perceberam que, quando os clubes contratam jogadores por verbas avultadas, grande parte do dinheiro provém, não dos cofres dos clubes, mas de investidores privados??? Será difícil de prever que os tais 20 milhões para pagar a intermediação, o fundo de solidariedade e a dívida ao jogador, virão dos bolsos da Gazprom ou de outro investidor privado???

P.S.- Li hoje também um artigo do Jornal de Notícias que refere que o encaixe líquido do Benfica na transferência de Witsel não ultrapassará os 26 milhões de euros. Não sei se tal será verdade - até porque não atribuo grande credibilidade a este jornal no âmbito desportivo - mas parece-me óbvio (e natural) que, contas feitas, os valores finais sejam dessa ordem (o que não deixa, ainda assim, de constituir um grande negócio). Apesar de A BOLA pretender convencer os mais ingénuos de que os 40 milhões de euros envolvidos na transferência irão na totalidade para os cofres do clube, não me parece plausível que Jorge Mendes, empresário do jogador, prescinda da sua parte do bolo, nem que a FIFA esteja disponível para abrir excepções ao clube da Luz no que ao fundo de solidariedade se refere.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Quem nos saíu na rifa...

GRUPO A

FC Porto
Dínamo de Kiev
Paris Saint-Germain
Dínamo de Zagreb

Não me parece nada mal!

Post-it do dia


Super Mou!

É arrogante, é mal educado, tem mau perder, mas não há dúvidas de que é o melhor do mundo. Mourinho é mesmo El Único!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parabéns, guerreiros do Minho!

Ao derrotar a Udinese, o Braga conquistou o direito de participar na edição deste ano da Liga dos Campeões. Parabéns, guerreiros do Minho! Quem sabe nos voltaremos a ver na final!

P.S. - Pela primeira vez na vida, vi um guarda-redes defender um penalty marcado "à Panenca". Um grande momento de Beto, que adivinhou a intenção do adversário e carimbou a passagem do Braga na eliminatória.

OMO lava mais branco

Sem papas na língua, o presidente do Vitória de Setúbal pôs o dedo na ferida: se a vergonhosa arbitragem de Jorge Sousa tivesse sido ao contrário, haveria hoje uma revolução em Portugal.
Não me parece que esteja em causa a validade do cartão vermelho mostrado a Amoreirinha logo aos oito minutos de jogo. As leis são para cumprir e se um jogador comete uma infracção merecedora de expulsão, o árbitro deve fazer cumprir o que está estipulado, independentemente de ser no primeiro ou no último minuto de jogo. O que está em causa é a dualidade de critérios cobarde demonstrada por este árbitro que, escassos minutos depois, perdoou a expulsão a Luisão numa entrada por trás. Isto e, obviamente, um conjunto de decisões erradas que permitiu à equipa lisboeta transformar uma deslocação a um campo difícil num agradável passeio de Domingo.
No Tribunal do jornal O Jogo, quer Jorge Coroado, quer Pedro Henriques, reconheceram que o capitão benfiquista entrou por trás sobre o adversário, cometendo falta grosseira passível de causar lesão grave e, como tal, punível disciplinarmente. No entanto, estranhamente, consideraram que o árbitro agiu bem ao mostrar apenas o cartão amarelo, o que contraria frontalmente as leis do jogo que definem as entradas por trás como motivo de expulsão.
Não creio que algum destes ex-árbitros tenha dificuldades na interpretação dos regulamentos, pelo que não me restam dúvidas de que as opiniões agora  manifestadas surgem no seguimento da deplorável campanha de branqueamento alimentada pela imprensa lisboeta em favor do capitão benfiquista, visando influenciar a decisão do processo disciplinar aberto pela FPF na sequência da agressão ao árbitro alemão. Na véspera de Luisão se deslocar à sede da Federação para prestar depoimento sobre o caso, não interessava absolutamente nada ao lobby lisboeta que o jogador fosse expulso, pondo assim em causa a falsa imagem de correcção e lealdade que tanto de esforçaram em divulgar. Obviamente, quem não pactua com esta defesa dos interesses mesquinhos da capital facilmente compreende que estamos perante mais um inqualificável atentado à verdade desportiva. Resta agora saber até que ponto estará a FPF disposta a pactuar com esta farsa, pondo a sua credibilidade em causa, não só aos olhos dos portugueses, mas também perante a FIFA que, com certeza, está atenta ao desenrolar deste processo.

P.S. - Ainda no seguimento do que atrás foi dito, tive hoje a oportunidade de ler, no jornal O Jogo, mais uma brilhante análise de Jorge Coroado às arbitragens do passado fim-de-semana que me deixou, no mínimo, surpreendido. O antigo árbitro, não só reitera a opinião de que a entrada por trás do Luisão é apenas punível com cartão amarelo, como sugere (pasme-se!) que o capitão do Vitória de Setúbal deveria ter sido expulso por reclamar junto do árbitro a amostragem do cartão vermelho ao jogador encarnado.
Conclusão: contrariando o que dizem os regulamentos, o sr. Coroado considera que as entradas por trás dos jogadores encarnados são faltas menores, puníveis com um simples amarelo, enquanto que aos jogadores sadinos nada é permitido, nem mesmo a manifestação verbal da revolta pela clara dualidade de critérios de um árbitro que, como facilmente se vê, se acobardou quando se lhe exigia isenção e coerência nos critérios disciplinares. Pelo andar da carruagem, fico à espera para ver se, amanhã, o sr. Coroado não encontrará, à luz da sua interpretação pessoal das leis do jogo, novos argumentos para sustentar a expulsão de meia equipa sadina.

O campeonato das proezas

Em paralelo com o campeonato de futebol, parece haver um outro campeonato em que os participantes se esforçam por concretizar a maior... proeza.
Em apenas duas jornadas, dois árbitros de Lisboa conseguiram a proeza de escamotear quatro penalties a favor do FC Porto, dois deles flagrantes. Na primeira jornada, Duarte Gomes fez a proeza de não ver a placagem do defesa gilista a Kléber apesar de se encontrar a escassos metros do lance, mas Hugo Miguel não lhe quis ficar atrás e realizou uma não menos notável proeza ao fazer vista grossa a uma brilhante defesa de um jogador vimaranense em plena área do Vitória de Guimarães. Já o Benfica conseguiu a proeza de, em apenas dois jogos, jogar mais de 100 minutos em vantagem numérica sobre os adversários, primeiro graças a uma proeza de Artur Soares Dias que confundiu a mão de um jogador preto com a de um jogador branco e depois beneficiando da proeza de Jorge Sousa que evidenciou muita severidade na amostragem de um cartão vermelho directo a uma jogador do Vitória de Setúbal logo aos 8 minutos de jogo, mas se esqueceu de manter o mesmo critério ao perdoar a expulsão a Luisão, dez minutos depois.
Sério candidato ao primeiro lugar no campeonato das proezas é também Rui Santos, jornalista e comentador da SIC, que conseguiu a extraordinária proeza de afirmar que o jogo Gil Vicente-FC Porto não teve casos. Convenhamos que é realmente assombroso que um homem, que até se dá ao luxo de entregar petições na Assembleia da República a exigir a implementação de meios audiovisuais no futebol em nome da verdade desportiva, seja incapaz de ver o penalty sobre Kléber mesmo com as imagens escarrapachadas na frente dos olhos. Mas, apesar de todas estas proezas verdadeiramente extraordinárias, palpita-me que a FPF já reservou para si uma proeza implacável, capaz de deitar todas as demais por terra. É que está para breve a decisão sobre o caso da agressão do Luisão ao árbitro alemão... Querem apostar que vamos ter campeão?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Regresso das touradas a Viana... e a Barcelos

Nem a propósito! No mesmo dia em que se registaram alguns incidentes em Viana do Castelo devido aos protestos contra o regresso dos espectáculos tauromáquicos a esta cidade minhota, eis que se assistiu, numa outra praça de touros próxima, a um verdadeira tourada à qual não faltaram forcados e pegas de cernelha com fartura. E isto já para não falar de um cavalo que, tal como os touros, não esconde a sua atracção pela cor vermelha.
Em Barcelos, Duarte Gomes demonstrou, uma vez mais, ter queda para os feitos inéditos e, se na época passada conseguiu a proeza de assinalar três penalties (dois deles inexistentes) a favor do Benfica em cerca de 30 minutos, desta feita conseguiu a não menos assinalável proeza de fazer vista grossa a três lances passíveis de grande penalidade na área do Gil Vicente. Um deles, o terceiro, digno de ficar registado nos anais da história, não do futebol, refira-se, mas da tauromaquia, tal a destreza demonstrada pelo defesa gilista que, qual rabejador, se agarrou ao quadril de Kléber e não mais largou até imobilizar o avançado portista no chão. Tudo isto perante o olhar aprovador do árbitro lisboeta que aplaudiu de pé a audácia do gesto. Mereciam ambos (jogador e árbitro) uma orelha que, no entanto, não lhes foi concedida pelo público que abandonou a praça ainda aturdido pelo péssimo espectáculo a que se assistiu.
O Dragão saiu de Barcelos com duas bandarilhas cravadas no cachaço, uma por cada ponto desperdiçado nesta lide que tinha todas as condições para ganhar não fosse, por uma lado, a já habitual apatia e desacerto da equipa, e por outro, a actuação vergonhosa de um árbitro que não consegue disfarçar o seu assumido benfiquismo.

P.S.- Estou com uma certa curiosidade de ver se Duarte Gomes irá publicar no Twitter mais um post a assumir o erro que cometeu neste jogo em prejuízo do FC Porto, tal como aconteceu na época passada quando fez vista grossa a um penalty clamoroso cometido por João Luiz, defesa do Marítimo, sobre Belluschi. A situação já se vai tornando tão habitual que basta-lhe fazer copy/paste do post anterior.

domingo, 19 de agosto de 2012

Pontapé de saída às 18h15

A época 2012/2013 começou exactamente como terminou a época anterior: com o Porto a ganhar títulos e o Benfica a atirar-se aos árbitros. Mas, infelizmente para nós, portistas, as semelhanças não se ficam por aqui. Esperava-se que jogo da Supertaça, frente à Académica, viesse trazer alguma luz sobre a constituição definitiva do plantel desta época e esclarecer algumas (muitas?) dúvidas sobre o futebol praticado pela equipa, mas eu arriscar-me-ia a dizer que, quem como eu se deslocou a Aveiro, terá regressado a casa com mais incertezas do que convicções.
Descansem aqueles que pensam que eu vou começar já a atirar-me ao treinador. Se até na época passada o fiz apenas ao fim de muitas jornadas de sofrimento, dando-lhe o benefício da dúvida para além do que permitia a força humana, não o iria fazer agora quando Vítor Pereira tem vários factores a seu favor. Primeiro, porque é campeão nacional; segundo, porque não tinha à sua disposição vários jogadores importantes, titulares indiscutíveis, que se encontravam ainda ao serviço da selecção olímpica brasileira; terceiro, porque ainda não estão totalmente definidas as possíveis saídas de alguns jogadores, o que, inevitavelmente, interfere com o subconsciente destes; quarto, porque a entrada de alguns reforços na equipa não está ainda completamente consolidada; quinto, porque após o período de férias qualquer equipa necessita de algum tempo para readquirir o entrosamento desejável e reabsorver as orientações do técnico; etc. Ainda assim, mesmo beneficiando desta confortável posição, esperava-se que o treinador portista nos pudesse oferecer algo diferente daquele futebol pastoso, desengonçado, lento e displicente que quase nos levou ao desespero em muitos jogos da época passada. Não que a vitória não tenha sido justa perante uma Académica cujo mérito se resumiu quase exclusivamente à forma organizada e coesa como defendeu o nulo até ao fim, mas quando as pretensões de uma equipa são tão grandes que extravasam uma taça, por muito super que esta possa ser, o sentimento resultante só pode ser de desilusão.
Em condições normais, o jogo de hoje em Barcelos poucos motivos de interesse teria para além de assinalar o início da participação do FC Porto na presente edição da Liga Portuguesa. No entanto, pelas incertezas que subsistem no espírito portista e por marcar o regresso dos Dragões a um campo onde, na época passada, sofreu a sua única derrota (ainda que aqui o mérito seja repartido entre o Gil Vicente e o árbitro Bruno Paixão), há uma certa expectativa sobre o desfecho desta partida. Acredito que uma vitória segura lançará o Porto para uma cavalgada vitoriosa, não apenas pela confiança e força anímica que incutirá na equipa, mas também pela desmotivação que causará desde já às hostes inimigas, atormentadas por um começo periclitante que já se tornou tradição para as bandas da Luz e que não lhes augura nada de bom. Tem agora a palavra Vítor Pereira e seus pupilos sobre quem estarão focados todos os olhares a partir das 18h15.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mais um deplorável espectáculo com selo SLB

No dia 3 de Janeiro de 2010, o Benfica recebeu o Nacional da Madeira na Luz, em jogo a contar para a Taça da Liga. Com apenas 28 minutos decorridos, Luisão agrediu Salino, que se encontrava no solo, com um violento pontapé. O lance sem bola foi em tudo comparável ao desvario de Pepe que valeu um castigo de 10 jogos de suspensão ao defesa do Real Madrid, mas, apesar da violência da agressão, Olegário Benquerença, que se encontrava a poucos metros de distância, limitou-se a punir o defesa brasileiro com um simples cartão amarelo, o que, não só permitiu ao jogador benfiquista prosseguir em campo, como impediu qualquer possibilidade de lhe ser instaurado um processo sumaríssimo, ficando assim disponível para os encontros seguintes a contar para a Liga Portuguesa.

Este foi apenas um exemplo das várias agressões e desacatos protagonizados pelo capitão encarnado desde a sua chegada a Portugal (facilmente visionáveis através dos muitos vídeos disponíveis no Youtube) e que contrariam completamente a imagem de jogador correcto e leal que a corrupta imprensa da capital procura agora passar para o público na tentativa de branquear mais um incidente grave, desta feita com o árbitro alemão Christian Fischer. Obviamente, a comunicação social estrangeira não pactua com o compadrio obsceno existente entre o Benfica e a imprensa que, infelizmente, é comum no nosso país e que vai permitindo aos dirigentes, técnicos e jogadores do clube lisboeta passarem ao lado de qualquer condenação jurídica ou moral sempre que protagonizam mais um dos seus deploráveis exemplos de mau comportamento, pelo que rapidamente surgiram, de toda a Europa, as mais duras críticas, não apenas à agressão em si, mas também às reacções dos restantes elementos do clube.  
De facto, mais chocante do que a agressão de Luisão ao árbitro foi, sem dúvida, ver a expressão de gozo estampada nos rostos dos restantes jogadores e técnicos encarnados perante o sucedido, algo que só encontra mais uma vez justificação no clima de total impunidade a que se habituaram no nosso país. E como se tal não fosse suficientemente grave, ainda se assistiu ao discurso abjecto de um dirigente que, recorrendo aos mais ridículos argumentos, procurou justificar o injustificável, e a um inqualificável comunicado oficial do clube que, ao ser traduzido e publicado por um jornal alemão, mais não foi que a estocada final na já depauperada imagem do Benfica aos olhos da Europa. Enfim, foi mais um deplorável espectáculo de anti-desportivismo protagonizado pelo clube de Lisboa que, mais do que fazer rir, nos envergonhou a todos nós, portugueses. Ou, pelo menos, aqueles a quem ainda resta alguma noção do ridículo.

Resta saber como irão agora proceder a FIFA ou a UEFA. Caso decidam tomar as rédeas do processo, prevê-se mão pesada para o jogador e para o clube, o que motivará a reacção histérica de todos aqueles que, iludidos pela campanha de viciação dos factos desde logo montada pela imprensa lisboeta, se consideram vítimas de uma cabala do árbitro alemão que age, provavelmente, sob a orientação do omnipresente e omnisciente Pinto da Costa. No entanto, caso os organismos que superintendem o futebol internacional decidam atribuir à Federação Portuguesa de Futebol a responsabilidade de decidir sobre este processo como alguns peritos já deram a  entender que poderá vir a acontecer, o mais certo será virmos a assistir a mais um vergonhoso e cobarde arquivamento sumário, o que permitirá aos jogadores, técnicos e dirigentes encarnados saírem airosamente de mais um triste incidente por si criado. O que esta gente poderá não compreender é que é precisamente este clima de impunidade de que gozam em Portugal que está na origem do crescendo de indisciplina que se verifica no Benfica desde há vários anos, o que, para além do desgaste de imagem que provoca nos adeptos, fartos e cansados que estão destes lamentáveis espectáculos, abre as portas a novos e mais graves incidentes cujas repercussões, mais tarde ou mais cedo, se farão sentir. É que, por muito poderosa que seja a máquina política e propagandista do regime, há sempre um limite para tudo. Até para a pouca vergonha.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Regresso ao activo

Com o jogo da Supertaça realizado em Aveiro no passado fim-de-semana, iniciou-se uma nova época futebolística e o blogue O Porto é o maior, carago! regressa ao activo para acompanhar de perto as vicissitudes do futebol ao longo dos próximos meses que, como todos esperamos, constituirão mais uma caminhada de sucesso do nosso FC Porto. Para todos os que habitualmente visitam este blogue aqui fica a minha especial saudação, esperando que o mesmo continue a merecer a vossa atenção e o contributo dos vossos comentários que tanto me honram.
Visto que os próximos tempos serão de grande exigência a nível pessoal e familiar devido ao nascimento do meu primeiro filho, decidi reforçar a equipa do O Porto é o maior, carago! com um novo comentador que vos será apresentado brevemente. Um estilo diferente, obviamente, mas a mesma paixão azul e branca e a mesma acutilância na defesa dos interesses do FC Porto é o que este comentador tem para nos oferecer, aliadas a uma visão e conhecimento muito próximos da realidade portista. Um reforço de peso, portanto!
Um abraço a todos e força rumo ao tri-campeonato!

domingo, 27 de maio de 2012

Memórias de uma noite inesquecível IV

OS FESTEJOS

Ainda hoje lamento não ter visto em directo as imagens da entrega da Taça dos Campeões Europeus ao capitão João Pinto, mas a euforia foi de tal ordem que, mal acabou a partida, corri para a rua como um louco, com um único pensamento na mente: festejar a vitória nos Aliados!
Por todos os lados surgiam já automóveis a buzinar e imensas pessoas que, munidas de todo o tipo de apetrechos, começavam a fazer a festa. Um grupo de senhoras, donas de casa equipadas a  rigor com o seu avental de cozinha, batiam com colheres em panelas e tachos agarrados à pressa. Uma delas gritava como uma desalmada enquanto agitava no ar um grande pano em xadrez azul e branco que facilmente se reconhecia como uma toalha de mesa. Estava à vista que a noite ia ser longa e que os festejos, qual São João, iriam motivar a população da cidade em peso.
Já com um grupo de amigos, dirigi-me de carro em direcção aos Aliados. Um trajecto que, normalmente, se percorre em 15 minutos, demorou cerca de uma hora a fazer, tal a dimensão das imensas filas de trânsito que se formaram nos principais acessos ao centro da cidade, mas ninguém se importou com isso. A Invicta parecia um gigantesco coração em que as pessoas, como o sangue da cidade, iam fluindo a pé ou de carro pelas artérias em direcção ao centro, onde as paredes e o chão palpitavam com os gritos da multidão: CAMPEÃO, CAMPEÃO, CAMPEÃO...
Conhecem aquele som intenso que se ouve quando quarenta ou cinquenta milhares de gargantas gritam golo em simultâneo num estádio de futebol "à pinha"? Conhecem a sensação de sentir o chão a tremer com a reverberação provocada por aquele enorme "bruá"? Imagine-se agora a sensação de escutar esse mesmo som, de forma contínua e crescente, à medida que nos aproximávamos dos Aliados e nos embebíamos na imensa multidão de milhares de pessoas que ali se reuniram. Não havia um único metro quadrado de espaço livre em toda a Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados, desde o Palácio das Cardosas até ao edifício da Câmara. Um imenso mar de gente cobria completamente o salão de festas da cidade do Porto, gritando, dançando, saltando, agitando bandeiras e cachecóis. A única maneira de nos deslocarmos de uns locais para os outros era inserir-nos na multidão e deixar-nos levar pela maré. Aqueles que se aventuravam de carro no meio desta massa humana iam contribuindo para a festa com buzinadelas enquanto circulavam em marcha muito lenta. Entre eles havia um camião carregado de pessoas na caixa de carga que iam agitando bandeiras enormes do FC Porto ao ritmo do hino do clube que se ouvia de duas enormes colunas de som.
Uma das figuras mais pitorescas desta festa era o sr. Almeida, que fazia sempre questão se marcar estas ocasiões com originais fantasias azuis e brancas. Andava vestido com um traje de índio Apache, todo ele azul e branco, com um grande cocar de penas também azuis e brancas na cabeça e uma enorme bandeira do FC Porto. Vi-o, algum tempo depois, a festejar a conquista de mais um título nacional vestido à cowboy, todo de azul e branco, montado num cavalo.
Deitei-me de madrugada com um sorriso de orelha a orelha, ainda incrédulo com tudo o que estava a acontecer. Para sempre ficaram as recordações dessa noite inesquecível em que o meu clube subiu ao Olimpo do futebol europeu. Estava longe de imaginar que, nos anos seguintes, iria viver mais seis títulos internacionais, mas isso são contas de outro rosário. Apesar da alegria e do orgulho que sinto a cada conquista, não há sensação como aquela que senti quando o FC Porto se sagrou pela primeira vez Campeão Europeu.

Memórias de uma noite inesquecível III

A FINAL

Todas as finais são finais, mas algumas são mais finais do que outras. Há finais que se limitam a ser uma simples decisão de atribuição de um troféu entre duas equipas, jogos extremamente táticos, cínicos, sem substância, que, não fossem os registos, facilmente se perderiam na névoa do tempo. E depois há aquelas que, pela qualidade do futebol praticado, pela incerteza do resultado, pela beleza dos golos marcados e pela emoção que movem entre a assistência, ficarão para sempre na memória, não apenas dos adeptos das equipas intervenientes, mas de todos os que a ela tiveram o prazer de assistir.
O jogo entre o FC Porto e o Bayern está, sem dúvida, entre as maiores finais de sempre na história da Taça dos Campeões Europeus. Os primeiros minutos foram marcados por uma intenso domínio do Bayern e foi com alguma naturalidade que os bávaros chegaram ao golo aos 24 minutos de jogo. Kogl rematou cruzado de cabeça e a bola só parou no fundo das redes de Mlynarczyk. Foi mal batido o guarda-redes polaco, que estava um pouco adiantado, mas o remate foi inesperado e a defesa também facilitou ao deixar espaço para o remate. Estaria a mentir se dissesse que este golo não afectou as minhas convicções. Mlynarczyk foi sempre um dos maiores esteios da equipa no brilhante percurso realizado até esta final e vê-lo tremer assim seria um abalo para a confiança de qualquer adepto. Mas, ao contrário do que cheguei a temer, o jogo prosseguiu e chegou ao intervalo sem que os alemães conseguissem repetir o feito. A esperança mantinha-se viva e, ainda que a consciência da tarefa árdua que nos esperava nos segundos 45 minutos nos enfraquecesse o espírito, não nos acalmava o coração.
A segunda parte começou com o resultado de 1-0 favorável ao Bayern. O FC Porto reagiu muito bem, entrou forte, destemido. Notava-se a mão de Artur Jorge, que ao intervalo terá dito aos seus pupilos que era agora ou nunca! Não havia retorno, não havia alternativa! O único caminho possível era o da baliza adversária e as  oportunidades de golo começaram finalmente a surgir com alguma frequência, mas a bola não entrava. Futre mostrava-se, como sempre, um dos mais revoltados e dos seus pés saiam verdadeiras obras de arte, mas os alemães, do alto da sua sobranceria e calculismo, iam dominando as operações, rechaçando, uma após outra, os ataques azuis e brancos.
E eis que, finalmente, se abriram as portas do céu! Aos 77 minutos, na sequência de mais uma jogada fulgurante pelo lado direito, a bola é centrada para a pequena área do Bayern onde surgiu Madjer isolado, apenas com um defesa em cima da linha de golo. "Chuta!", gritamos todos, mas Madjer não chutou. Não da maneira que todos esperávamos, porque os génios são assim, nunca fazem o que o comum dos mortais espera deles. Madjer percebeu, naquela fracção de segundo, que se parasse a bola, se se virasse para a baliza, iria perder tempo precioso. Em alternativa, esticou a perna para a frente e, num gesto portentoso, perfeito, único, tocou a bola com o calcanhar, lançando-a para o fundo da baliza bávara. Ainda hoje não necessito de quaisquer imagens televisivas para rever esse golo, de tal forma o tenho gravado na memória. Revejo-o mentalmente vezes sem conta, como se o mundo tivesse parado naquele preciso momento e nada mais existisse para além da imensa explosão de alegria que nos proporcionou.
O Porto igualou o marcador, mas não chegava. Para trazer o caneco, era preciso marcar mais golos, pelo menos mais um, um só! O golo galvanizou os jogadores portugueses e os alemães tremeram, mas nem assim alguém poderia imaginar o que se iria passar dois escassos minutos depois. Nunca a viajem do inferno ao céu demorou tão pouco tempo. Madjer tinha acabado de entrar após receber assistência junto à linha lateral, pois ficou combalido quando os seus companheiros se lançaram sobre ele durante os festejos do golo. O argelino recebeu a bola isolado junto à linha lateral pois até os adversários se tinham esquecido dele. Erro crasso! Quando arrancou para a área contrária, tirou um defesa da frente com mais um golpe de génio e centrou para a pequena área onde a bola foi encontrar Juary que, livre de marcação, só teve de a tocar para o fundo da baliza do desamparado Jean-Marie Pfaff. Naquele preciso  momento, o mundo à minha volta desabou, impotente para suportar o peso da felicidade e do orgulho imenso que me encheu o coração e a alma. Qual David, o meu clube, aquele pobre e pequeno clube de uma cidade secundária de um país secundário em quem ninguém apostava, aquele grupo de ilustres desconhecidos de camisola às riscas azuis e brancas, acabava de dar um golpe fatal na cabeça do Golias germânico.
Daí até ao final foi sofrer a bom sofrer. Os alemães, que até aí se comportavam como donos e senhores do seu destino, desesperavam agora, protestando por tudo e por nada, reclamando por qualquer demora na reposição da bola em jogo, pontapeando a bola para a frente à espera de um milagre. Nas bancadas, os adeptos germânicos agarravam-se à cabeça incrédulos, em contraste com os lusos que, arrumados num cantinho do Estádio do Prater, se faziam agora ouvir aos gritos de "Campeões!".
O apito final do árbitro soou nos meus ouvidos como as trombetas dos anjos. "ACABOU!", gritei eu, como querendo convencer-me a mim próprio desta feliz realidade. "SOMOS CAMPEÕES EUROPEUS"!

(continua)

Memórias de uma noite inesquecível II

O DIA 27 DE MAIO DE 1987

Faz hoje precisamente 25 anos que vivi uma das noites mais loucas da minha vida. Um quarto de século passou (e como tempo voa, meu Deus...) sobre essa data, mas as emoções então sentidas, partilhadas com milhares de portistas nas ruas da cidade invicta, estão tão vivas na minha memória como se tivessem ocorrido poucas horas atrás.
O dia 27 de Maio de 1987 foi passado com um nervosismo latente que impedia a minha concentração no que quer que fosse. Para onde quer que eu olhasse, tudo se desvanecia rapidamente numa intensa névoa e aos olhos vinham-me apenas as imagens dos jogadores, dos golos e dos festejos que marcaram a caminhada vitoriosa do FC Porto até àquela final da Taça dos Campeões Europeus. A esperança na conquista daquele ambicionado troféu era imensa, a confiança arrebatadora, mas, sempre que atingia o seu auge, esbarrava com estrondo no medo que sentia do monstro bávaro como um navio choca contra um rochedo. O nome do gigante de Munique ensombrava a minha mente como se se tratasse de uma divisão panzer prestes a invadir Portugal. O Bayern era uma espécie de "Leibstandarte Adolf Hitler", mas em versão futebolística. Começava por pensar: "Que se lixe, mesmo que percamos a final, chegar aqui já é uma honra...". Mas logo a seguir pensava: "Não! Se os nossos bravos navegadores domaram o Adamastor, os nossos jogadores vão derrotar este colosso!". Este processo mental foi-se repetindo até à hora do jogo, altura em que me refugiei por alguns minutos na varanda de minha casa e, olhando o céu azul, rezei a Deus, pedindo-lhe ajuda.
Nunca tive jeito para inventar orações e agradeço que se tenha perdido a tradição de rezar antes das refeições pois, no meu papel de chefe de família, seria a chacota do mundo inteiro. Por isso, decidi dirigir-me ao Criador como se fosse um amigo de longa data, esperando que não me fulminasse com um raio pela impertinencia. Comecei por pedir-lhe desculpa por interromper os seus importantes assuntos divinos com algo tão fútil como o futebol e implorei-lhe que, naquilo que pudesse interferir sem prejudicar a sua isenção, ajudasse o FC Porto a ser campeão europeu. Nada mais. Nada de promessas, nada de idas a Fátima a pé, de joelhos ou de patins, porque temia que, se mais tarde não cumprisse a promessa, o Porto não voltasse a ganhar mais nada na vida.
Recordo-me ainda de ver a rua deserta. Não se via vivalma. Acredito que, àquela hora, toda a cidade estaria já defronte de um televisor, aguardando ansiosamente o início da partida. Fiz o mesmo.

(continua)

sábado, 26 de maio de 2012

Memórias de uma noite inesquecível I

Nos meus velhos tempos de Faculdade, conheci um jovem que tinha a face desfigurada por uma enorme cicatriz de forma circular em torno do seu olho esquerdo. Porque o assunto causaria natural constrangimento ao nosso colega, evitávamos falar disso, ainda que não fosse fácil disfarçar a má impressão que aquela disformidade causava a quem olhava para ele. Imaginei que a mesma teria sido causada por um terrível acidente ou um infeliz encontro com um cão feroz, mas, um certo dia, falando de futebol, o nosso colega explicou-nos a verdadeira origem dessa horrível marca.
Sendo natural de uma aldeia transmontana próxima de Torre de Moncorvo, este nosso colega era um dos poucos jovens que, na década de 80, ali se identificava com as cores do FC Porto. No dia 27 de Maio de 1987, então com apenas 15 anos, deslocou-se ao café da aldeia para assistir ao jogo da final da Taça dos Campeões Europeus na companhia de outros dois amigos também portistas, alimentando a esperança de ali assistir à primeira conquista internacional do seu clube frente ao poderosíssimo Bayern de Munique.
O café da aldeia era o habitual ponto de encontro de muitos aficionados da bola que ali se reuniam para assistir à transmissão televisiva dos principais jogos e, como era costume, estava cheio de gente, na sua maioria afecta ao Benfica. Os três assumidos portistas, de cachecol ao pescoço, ocuparam uma das mesas e ali, rodeados de adeptos rivais, foram assistindo ao desenrolar da partida, roendo as unhas dos dedos à medida que o gigante bávaro ia tomando conta das operações. Muito lhes custou ver o golo de Kogl que Mlynarczyk não conseguiu evitar e mais ainda por se verem confrontados com os festejos dos benfiquistas ali presentes que celebraram o golo alemão como se do Benfica se tratasse. No entanto, quis o destino que o FC Porto virasse o resultado a seu favor com dois golos históricos e foi então que um trágico incidente aconteceu. Ao primeiro golo portista, que o meu colega festejou com natural felicidade, logo surgiram os primeiros insultos e ameaças vindas daqueles benfiquistas que torciam pela equipa alemã. Na sua mentalidade doentia, distorcida por um fanatismo absurdo, os festejos azuis e brancos constituíam um atentado à hegemonia encarnada que habitualmente ali se fazia sentir, pelo que qualquer manifestação da parte dos adeptos portistas devia ser imediatamente oprimida, fosse de que forma fosse. É claro que ninguém acreditava que um motivo tão fútil pudesse causar reacções violentas, pelo que as pessoas prosseguiram com naturalidade, sem  atribuir grande importância às ameaças. Um erro crasso. Ao segundo golo do FC Porto, um desses indivíduos partiu uma garrafa de cerveja na mesa e, dirigindo-se ao meu colega enquanto este festejava com os olhos postos na televisão, cravou-lhe o caco de vidro na cara. Foi por escassos milímetros que não lhe traçou o olho. Aquele momento que devia ser de festa, de alegria e de orgulho, transformou-se num pesadelo que iria perseguir o meu colega por muitos anos, graças ao fanatismo de um execrável canalha, o ódio cego de um criminoso que, em nome de um benfiquismo doentio, destruiu a face de um miúdo que, com todo o direito, festejava a vitória do clube do seu coração. A noite acabou por ser passada nas urgências do hospital, já com a família, onde os gritos de dor substituíram os gritos de alegria enquanto os médicos procuravam retirar os pedaços de vidro cravados na carne dilacerada e suturavam a ferida com trinta pontos.
Foi aberto um auto pelas autoridades e, nos dias que se seguiram, os agentes da GNR visitaram o café e as casas de algumas das pessoas que testemunharam o sucedido, mas o processo acabou arquivado já que nenhuma das pessoas quis falar. Os adeptos do Benfica, todos gente de bem e bons chefes de família, tementes a Deus e cumpridores da lei, afirmaram que não viram nada. Os adeptos portistas calaram-se por medo das represálias.
25 anos após a conquista dessa Taça dos Campeões Europeus, aqui envio um grande abraço a esse colega com quem, infelizmente, perdi o contacto há muito tempo, mas de quem guardo as melhores recordações. Espero que tenha sido capaz de ultrapassar a dor no corpo e na alma que lhe causaram com aquela inqualificável agressão e que tenha conseguido a tão desejada operação plástica que lhe permitiria recuperar a sua imagem. Espero também que nunca tenha perdido a força e a coragem para torcer pelo FC Porto onde quer que fosse, fazendo dessa força uma luta contra o despotismo de quem faz do ódio o seu modo de estar na vida.

domingo, 20 de maio de 2012

E Lisboa ficou a arder

E Lisboa ficou a arder. Não literalmente, como é óbvio, mas em títulos. Foi-se o campeonato, foi-se a Taça de Portugal, foi-se a Supertaça, foi-se a Liga dos Campeões, foi-se a Liga Europa. Salvou-se, como já se tornou hábito, a Taça da Liga que, ano após ano, vai-se assumindo cada vez mais como a tábua de salvação da mediocridade, pelo menos para o lado encarnado da 2ª Circular.
A Académica chegou à final da Taça de Portugal com imenso mérito e, fazendo jus ao seu epíteto, bateu-se de forma briosa com o Sporting, arrecadando o 2º caneco da sua história. Estão de parabéns os "estudantes" e particularmente Pedro Emanuel que conquistou assim o seu primeiro título como treinador principal.
Já se prevê que, amanhã, os leões, alicerçados como sempre na corrupta imprensa lisboeta, se vão atirar com unhas e dentes ao árbitro, transformando-o no bode expiatório de mais uma frustrante derrota. Não têm razão, como qualquer entendido em futebol pôde constatar ao longo dos 96 minutos de jogo, mas isso é pormenor insignificante para quem, desde há muito tempo para cá, se habituou a encontrar nas arbitragens a justificação mais fácil para a sua própria incompetência. Por tudo o que fizeram, os de Coimbra não mereciam uma análise tão redutora e muito menos serem sujeitos ao triste e deplorável espectáculo mais uma vez protagonizado pelo público afecto ao Sporting que, demonstrando mau perder e falta de fair-play, ainda tentaram estragar a festa com insultos, cuspidelas e arremesso de objectos contra a equipa de arbitragem, técnicos e jogadores academistas. Não deixa de ser irónico que a equipa coimbrã, que ainda hoje foi relembrada pelo seu imprescindível papel na luta pela liberdade e pela democracia nos tempos do fascismo, se veja agora vítima de quem, abusivamente, julga que os direitos conquistados em 25 de Abril de 1974 servem para justificar este tipo de comportamentos execráveis dignos de um país terceiro-mundista.

P.S. - Ressalve-se, em abono da verdade, o exemplar comportamento de Sá Pinto que, apesar dos muitos protestos no decorrer do jogo, teve uma postura muito digna no final da partida. Veremos se manterá essa atitude ou se, influenciado pelo ambiente crispado que logo se fez sentir entre os sportinguistas, mudará de opinião já amanhã.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Finalmente, um benfiquista na final da Champions

Já se previa, mas agora é oficial: Pedro Proença foi nomeado pela UEFA para dirigir a final da Liga dos Campeões do próximo sábado, entre o Bayern de Munique e o Chelsea. O árbitro de Lisboa e assumido benfiquista será o primeiro português a apitar uma final desta prova.

Os adeptos do Benfica deviam ficar contentes com esta notícia, pois esta é a primeira vez nas últimas duas décadas que um benfiquista participa numa final da Champions. A última vez foi em 1990, quando o SLB perdeu com o Milan no estádio do Prater, em Viena de Áustria, o mesmo palco onde, três anos antes, o FC Porto se sagrou campeão europeu pela primeira vez na sua história ao derrotar precisamente o Bayern de Munique.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Circo ataca a arbitragem


Todos aos Aliados!

Amanhã, pelas 22h, depois do jogo com o Rio Ave que se inicia às 18h30, referente à última jornada da Liga, o plantel portista vai festejar a conquista do bicampeonato na Avenida dos Aliados. 
O FC Porto regressa assim, de pleno direito, a um espaço que está histórica e tradicionalmente ligado aos inúmeros êxitos portistas das últimas décadas e de onde foi obrigado a sair por força das politiquices de um presidente da Câmara Municipal que nunca demonstrou sensibilidade para perceber o sentir do povo da sua cidade. 
Espera-se assim mais uma festa rija, um São João antecipado, que constituirá a melhor resposta que a massa adepta azul e branca poderá dar aos execráveis ataques que o clube tem sofrido por parte daqueles que, como sempre movidos por um mau-perder doentio e alicerçados na corrupta imprensa da capital, têm procurado, uma vez mais, denegrir o mérito das conquistas do FC Porto.  

segunda-feira, 30 de abril de 2012

domingo, 29 de abril de 2012

Campeões!!!

O Porto é campeão nacional! Parabéns a todos os portistas!

sábado, 28 de abril de 2012

E vao sete de avanço

Com a suada mas justa vitória desta noite frente ao Marítimo, o FC Porto elevou para 7 pontos a vantagem sobre o 2º classificado. Amanhã, todos os olhos estarão postos em Vila do Conde, onde o Rio Ave defronta o Benfica. Um deslize dos encarnados e o Porto sagrar-se-á matematicamente campeão nacional. Será que é desta? Logo se verá.
O que é certo é que o FC Porto precisava de conquistar os três pontos esta noite nos Barreiros e não falhou nesse objectivo. Pode ter falhado noutros, mas não nesse. Como já alguém antes disse, as finais são para se ganhar, e não há dúvida de que a equipa encarou este jogo como uma final. Não ficará para a história pelo futebol bonito, nem pelos golos espectaculares, mas antes pela vitória que pode valer um título.
Tal como sempre acontece quando é assinalado um penalty a favor do FC Porto, amanhã os jornais da capital, sedentos de polémica, vão encher as suas páginas com análises à arbitragem. O que ninguém vai explicar é por que raio teve de ser o juiz-de-linha a assinalar o 1º penalty, quando é por demais evidente a mão na bola do defesa maritimista. É caso para perguntar: se o juiz-de-linha não tivesse assinalado nada, Paulo Baptista teria deixado passar em claro um penalty daqueles?

Batata frita, viva o fascismo!

No passado dia 22 de Março, partilhei aqui um comunicado do FC Porto, intitulado "A madrassa da Ericeira", que, como se recordam, dava conta de uma queixa apresentada no Ministério de Educação pelo pai de uma aluna da escola pré-primária da Ericeira. Em causa estava a atitude de uma educadora de infância que alterou a letra da popular canção infantil "Atirei o pau ao gato", acrescentando-lhe no final "batata frita, viva o Benfica".
Apesar de considerar que o caso merecia uma reflexão, decidi aguardar pela resposta do Ministério de Educação, resposta essa que, por coincidência, foi divulgada precisamente na mesma semana em que se celebra o 25 de Abril. Nem de propósito...

Para as mentes mais simplórias, aquelas que não conseguem ver mais além do que o seu clubismo lhes permite, este caso poderá resumir-se a uma simples questão futebolística. De facto, muitos portistas que agora se mostram indignados não veriam qualquer problema na alteração da canção caso esta terminasse em "Viva o Porto". Da mesma forma, muitos daqueles que defendem a educadora alegando que a actual configuração da canção não terá qualquer influencia sobre a preferência clubística das crianças, com certeza mudariam rapidamente de opinião caso a canção fosse alterada para "Morte ao Benfica". Nada a que não estejamos já habituados num país onde a paixão futebolística se sobrepõe, muitas vezes, ao bom senso. No entanto, para aqueles que ainda possuem algum sentido de responsabilidade cívica, este problema ultrapassa largamente o âmbito desportivo e levanta gravíssimas dúvidas sobre a qualidade da Democracia praticada nas escolas de Portugal. 

A Constituição Portuguesa defende a liberdade de pensamento e de opinião para qualquer cidadão nacional. Mais, defende o respeito pela diferença e individualidade de cada um. Como tal, as escolas, enquanto espaços de educação, devem salvaguardar o direito das crianças de se desenvolverem de forma livre, sem influências externas nem condicionalismos ideológicos de qualquer espécie, sejam eles políticos, religiosos, ou desportivos. Obviamente, não é isso que acontece quando as crianças são obrigadas a participar em brincadeiras e a cantar canções concebidas de forma a transmitir uma mensagem, implícita ou explícita, de propaganda partidária de uma qualquer facção.

Não deixa de ser curioso que, numa altura em que o nosso país atravessa uma grave crise económica e tanta gente se mostre revoltada por vivermos debaixo de uma ditadura imposta pelos mercados internacionais, se verifiquem tantas tentativas de branqueamento de uma situação que constitui um verdadeiro atentado à nossa Democracia e que, ao que parece, vai acontecendo com total impunidade. Hipocritamente, algumas pessoas chegam ao cúmulo de defender que a criança não é obrigada a cantar, já que a educadora permite que ela própria decida se quer participar ou não. Ora, todos nós, que já fomos crianças um dia, sabemos que não há nada pior do que sentir-se excluído pelos colegas, pelo que não é difícil perceber que qualquer miúdo se sentirá obrigado a participar na brincadeira pelo simples facto de querer sentir-se integrado no meio social. Nem o pai desta criança impedirá a filha de o fazer, consciente do constrangimento que essa proibição irá causar a uma menina de 4 anos que ainda é incapaz de perceber o que está verdadeiramente em causa. Tal situação representa assim um inadmissível acto de coação por parte da escola sobre os pais e, principalmente, sobre a criança, que se vêem obrigados a assumir um tipo de comportamento que vai contra a sua liberdade de opinião mas que lhes é imposto em nome da vontade da maioria. À luz da Constituição, tal constitui um crime punível por lei, o que torna incompreensível a decisão agora divulgada pelo Ministério de Educação de arquivar a queixa. E como se a situação não fosse, por si só, suficientemente grave, dá-se ainda o caso da escola, perante as várias reclamações dos pais da criança, ter chegado ao cúmulo de responder que "quem está mal que se mude"! Tal resposta reflecte a arrogância e a prepotência desta gente que, além de impor as suas vontades aos outros, ainda se acha no direito de dispor da vida das pessoas a seu bel-prazer, sem se preocupar com as dificuldades sentidas, hoje em dia, por qualquer casal na educação dos seus filhos. E o Ministério de Educação pactua com tudo isto???

Para agravar ainda mais a situação, a divulgação deste caso por parte do FC Porto despoletou a denúncia de muitas outras situações semelhantes ocorridas em escolas da região da Grande Lisboa, nas quais a versão adulterada da canção "Atirei o pau ao gato" é também assumida como prática comum. É caso para perguntar se todos os cidadãos portugueses que não pactuem com estas tácticas tipicamente fascistas de imposição das preferências clubísticas da capital serão obrigados a mudar-se para o Norte do país onde ainda não existem registos deste tipo de comportamentos, pois parecem não ter alternativa

É sabido que a criança escolhe o seu clube pela meritocracia, ou seja, ela adopta simplesmente o clube mais vencedor, aquele que se mostra capaz de lhe proporcionar mais alegrias. As "politiquices" que geralmente condicionam as opções dos adultos não têm qualquer peso na decisão da criança, excepto se esta for condicionada pelos seus familiares ou educadores. Como tal, só por mera ingenuidade se poderá considerar que a alteração da canção infantil de forma a terminar num absolutamente nada inocente "Viva o Benfica" terá tido outra motivação que não a de incutir nos alunos a simpatia pelo clube da capital. Tudo indica, portanto, que a generalização desta versão adulterada da canção nas escolas poderá constituir uma forma de evitar a "desertificação" do Benfica,  já que, em virtude do reduzido êxito desportivo verificado nas últimas décadas, o clube tem vindo a perder o principal factor que sustenta a sua imagem de grandeza: o número de adeptos.
Talvez esteja aqui a explicação de ainda encontrarmos na região Norte muitos adeptos do Benfica (mesmo em cidades onde os clubes locais têm vindo a conquistar maior espaço no coração da população), ao contrário do que se passa com o FC Porto que, não obstante o sucesso desportivo obtido nas últimas décadas, continua a ter muita dificuldade em obter adeptos na região de Lisboa onde não parece existir liberdade de escolha já que as pessoas, ou aceitam o clube que lhes é imposto, ou são "convidadas" a mudar-se.

Apesar do arquivamento do processo por parte do Ministério de Educação, este caso ainda dará muito que falar já que o pai da criança aqui em causa avançou também com um processo na Justiça. Espero, sinceramente, que, em nome da Democracia, os tribunais consigam repor a normalidade, punindo a escola e a educadora de infância pelo seu inqualificável comportamento. Caso contrário, estaremos perante um precedente grave, abrindo-se assim as portas à anarquia nas escolas onde qualquer professor ou educador se sentirá com a liberdade de impor determinadas preferências às crianças, ou de forma particular, ou de forma concertada, inserida numa estratégia de propaganda em larga escala, sabe-se lá em nome de que interesses.