terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A análise de Rui Santos

Não gosto de Rui Santos e geralmente discordo de muita coisa do que diz e escreve, mas tenho de reconhecer que, independentemente das duras críticas que fez ao FC Porto, foi o único jornalista que, na minha opinião, fez uma análise completa e isenta do jogo com o Gil Vicente: criticou as opções de Vítor Pereira e o mau jogo da equipa, mas nem por isso deixou de contestar a escolha de Bruno Paixão para arbitrar este jogo, nem de referir a influência directa que os seus erros tiveram no resultado final. Mais, teve a coragem de pôr o dedo na ferida, afirmando mesmo que "Bruno Paixão é um árbitro que faz mal ao futebol português há muitos anos". Uma notória diferença de atitude em relação à generalidade da intelectualmente corrupta imprensa lisboeta que imediatamente se desdobrou em múltiplos esforços para branquear as vergonhosas arbitragens a que se assistiram nesta jornada, que podem ter ditado prematuramente o desfecho da própria liga.

P.S. - É óbvio que a opinião de Rui Santos não agradou aos adeptos de um determinado clube lisboeta que acabou por sair altamente beneficiado desta jornada, pelo que não admira que tenha sido imediatamente alvo de comentários insultuosos e ameaçadores. Nada que não se esperasse.

9 comentários:

  1. Mete alguma piada (alguma não, muita mesma), os adeptos do porto reclamarem como virgens ofendidas! Arbitragens desfavoráveis... eu sei que não é muito habitual, mas meus amigos, calha a todos. E até estarem devidamente compensados, demoraria anos... Enfim! Quem, como eu, ouvia de amigos portistas (porque os tenho, e não são poucos), que a vida era assim,
    que uns tinham dinheiro para árbitros e outros não, tem alguma dificuldade em ver todos estes lamentos e toda esta "indignação"!


    Quanto ao tal jogo onde o Líder do campeonato foi supostamente favorecido, até anti-benfiquistas como guilherme aguiar e outros afins viram o que você, e outros, na ânsia de arranjarem uma desculpa, não conseguem (não querem) ver!

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  2. 1) Se fossemos a analisar a questão sob a perspectiva das "compensações", então o FC Porto (e os restantes clubes) ainda teriam muito a reaver do Benfica pelas várias décadas de domínio que o clube lisboeta manteve graças à protecção política do Estado Novo. Eu sei que você deve ser novo e não viveu esses tempos de ditadura, mas olhe que a juventude não justifica a ignorância.

    2) Há muito tempo que nos habituamos a esse discurso hipócrita dos benfiquistas. Sempre que o Porto é prejudicado, lá vêm eles dizer que "ah e tal, é para compensar...", mas eu já perdi a conta ao número de vezes que ouvi isso só nos últimos anos. Esta época, então, tem sido quase jornada sim, jornada sim.

    3) Na época passada, quando o Benfica perdeu (e bem!) em Braga, os benfiquistas armaram um escândalo em Portugal por causa da expulsão do Javi Garcia (expulsão essa que as imagens até comprovaram como justa). Houve até um jornal desportivo, afecto ao clube lisboeta, que se deu ao desplante de branquear a agressão do espanhol e de escrever na 1ª página que o árbitro tinha decidido o campeonato a favor do Porto. Ora, se o Benfica arma escândalos dessa proporção por causa de um simples lance em que se acha prejudicado, imagine-se o que não fariam se fossem descaradamente roubados como o Porto foi pelo Bruno Paixão em Barcelos!

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  3. Essa da proteccão do Estado Novo é mais uma repetida muitas vezes até ser verdade...quem quer "emprenha de ouvido" e principalmente quando dá jeito. O assunto é mais complexo do que a simplificacão permite analisar, e ainda estou para saber o que fizeram FCP e SCP na luta contra o regime. À época tinha que se ter jogo de cintura e tentar dar uma no cravo e outra na ferradura. Quase todos fizeram isso, mas como sempre, o Papa dá a missa, os bispos espalham a mensagem, e os fieis repetem o salmo.

    Fazendo parte de uma família de benfiquistas E anti-fascistas que pagaram caro pela liberdade que hoje o caríssimo tem para poder escrever o que lhe apetece, essa associacão é, além de intelectualmente desonesta, ofensiva.

    Já agora, não sou anjinho: infelizmente no futebol português TODOS os dirigentes desportivos tentam ter influencia na arbitragem, a todos os níveis de competicão. Infelizmente, este esquema completamente corrompido do que devia ser esta liga, é perpetuado por jornalistas que puxam para a sua cor, mas acima de tudo querem vender papel, para tal perdendo mais tempo nas tricas e polémicas do que no futebol propriamente dito. Mas no final de contas, como já escrevi atrás, nenhuma equipa ganha uma prova de regularidade sem mérito, ou extremo demérito dos adversários. No final de contas os árbitros servirão sempre para bombos da festa, numa tentativa de esconder deficiencias proprias e retirar mérito a quem ganhou. Durante esta fase negra do Benfica, soube ver que as deficiencias estavam dentro de portas, e chamar os arbitros para o problema era tapar o sol com a peneira.

    Tenho a certeza que este crescimento do Benfica se deve muito a movimento de bastidores de LFV. Mas isso mais não foi que uma guerra "escondida" com Pinto da Costa, que dominava tudo e todos desde há 20 anos atrás. O que acho extraordinario é que adeptos do FCP para o seu lado só vejam méritos, e para o outro "colinho". Que agora bradem pela "verdade desportiva", mas quando estavam a ganhar, por merito proprio mas tambem com a ajudinha dos arbitros, era tudo claro como a água. Este "autismo", de que fui acusado num post anterior é que é risível e, desculpem-me, particularmente saboroso de observar.

    Que o futebol português está uma valente porcaria à custa desta bipolarizacão (e o Sporting ja percebeu como tem que ser e vai pelo mesmo caminho) já se sabia. Não é uma questão de compensacão, de uma mão lava a outra...mas é interessante ver-vos criticar nos outros a atitude "hipócrita" que sempre têm tido...

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  4. "Essa da proteccão do Estado Novo é mais uma repetida muitas vezes até ser verdade...quem quer "emprenha de ouvido" e principalmente quando dá jeito."

    As pessoas são livres de acreditar naquilo que querem. Também há quem diga que o holocausto nazi nunca aconteceu.

    "ainda estou para saber o que fizeram FCP e SCP na luta contra o regime."

    Não fizeram nada, como é óbvio. São clubes, não são exércitos. Mas uma coisa é ter um papel submisso perante a opressão, outra bem diferente é servir o Estado Novo como ferramenta de propaganda política, tal como aconteceu com o Benfica. Os próprios símbolos do clube propiciavam essa conotação fascista: a bandeira vermelha e branca, idêntica à bandeira nazi, e a águia, símbolo dos exércitos alemães. Pode dizer-me que o clube não teve culpa e que essa ligação ao Estado Novo foi imposta pelo poder político, mas a verdade é que o clube ganhou muito com isso e nunca devolveu os títulos que ganhou sob a protecção fascista. Antes pelo contrário, mostram-se hoje muito orgulhosos deles, pretendendo branquear as circunstâncias em que foram conquistados.

    "Fazendo parte de uma família de benfiquistas E anti-fascistas"

    Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

    "Durante esta fase negra do Benfica, soube ver que as deficiencias estavam dentro de portas, e chamar os arbitros para o problema era tapar o sol com a peneira."

    Dou-lhe os parabéns pela lucidez, mas infelizmente não passa de um oásis no meio do deserto de honestidade e bom-senso que o Benfica representa no panorama do futebol nacional.

    "O que acho extraordinario é que adeptos do FCP para o seu lado só vejam méritos, e para o outro "colinho"."

    Devolvo a crítica à procedência. Você, melhor até do que eu, sabe muito bem como funciona a cabeça do benfiquista, e tem a plena consciência de que aquilo que você aqui diz não representa minimamente a filosofia desse clube.
    O Benfica nunca foi exemplo de moralidade para ninguém. O Benfica acha-se no direito de ganhar por decreto, e destrói tudo ao seu redor quando tal não consegue. A mesquinhez do pensamento benfiquista é tal que, num passado ainda recente, se deu ao desplante de ir fazer queixinhas à UEFA na tentativa de roubar o lugar do FC Porto na Liga dos Campeões. Quem age dessa forma não tem qualquer autoridade moral para criticar seja quem for.

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  5. O problema, é que você não faz mais nada senão devolver á procedência. Tal como a esmagadora maioria dos adeptos do FCP que conheco. Não me interessa o que acha o meu clube. Eu, pessoalmente enquanto Benfiquista não me resumi a devolver desaforos. Você, enquanto adepto do FCP baseou-se na fuga para a frente e no "contra tudo e todos" que em geral vos caracteriza.

    E enquanto foge para a frente não tem que olhar para dentro nem falar das (muitas) trapalhadas (para ser meigo) em que Pinto da Costa esteve envolvido desde que assumiu a presidencia do FCP. Eu sei que me vai atirar à cara que foi considerado inocente em tribunal. Mas não foi. No sistema penal português não foi provada a culpa, que é bem diferente de ser-se inocente. Pinto da Costa, mérito lhe seja dado, é um homem inteligente, que sabe mover-se nas entrelinhas e está bem aconselhado legalmente para poder escapar-se envolto na dúvida. Não é novo nem original...há muito Presidente de Câmara, deputado, administrador e pior que também fizeram o mesmo.

    No final de contas você assenta a sua argumentacão no "a melhor defesa é o ataque". Tal como a esmagadora maioria dos adeptos do seu clube (e do meu). E por isso, neste ping-pong, nesta luta esquizofrénica pela "superioridade moral", e nesta danca das cadeiras da culpa pelo estado do futebol nacional, andaremos eternamente nesta espiral.

    A sua fábula sobre o regime é de facto extraordinária. Essa da águia como simbolo fascista e do vermelho e branco está bem pensada. Claro que vermelho também era (é) apenas a cor comunista, que à época representava tudo aquilo que o regime desprezava, mas isso não interessa...a mesma rapidez de raciocínio quando monta argumentos de ataque ao Benfica é usada para desconstruir, racionalizar e eliminar qualquer resquício de dúvida em relacão à inocência de Pinto da Costa no que toca à máfia que se instituiu no futebol português nos anos 80 e 90. Dou-lhe os parabéns pela agilidade, porque cambalhotas de lógica e piruetas de intelecto dessa natureza não são fáceis de conseguir.

    Para terminar, a sua frase "quem não quer ser lobo não lhe veste a pele" é muito baixa, é desonesta e ao mesmo estilo absolutista com que no tempo da outra senhora se julgavam pessoas sumariamente. Essa capacidade simplista de classificar como branco ou preto (ou azul e encarnado) algo que, por definicão é uma complexa escala de cinzentos. Esse julgamento baseado na arrogancia do preconceito, que me faz pensar que talvez os tais "lobos" nunca devessem ter sacrificado anos de vida para que ingratos como você pudessem escrever com tamanha soberba disparates desta natureza.

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  6. "O problema, é que você não faz mais nada senão devolver á procedência."

    Não estou para alimentar uma conversa que, provavelmente, irá descambar em acusações de cariz pessoal. As minhas críticas são dirigidas a instituições e, quando muito, aos árbitros, não são dirigidas a si, portanto, poupe-me das suas "alfinetadas". Se não consegue discutir futebol pelo futebol, então lamento, mas não terá em mim um interlocutor.

    "nem falar das (muitas) trapalhadas (para ser meigo) em que Pinto da Costa esteve envolvido desde que assumiu a presidencia do FCP."

    Se há pessoa em Portugal de que toda a gente fala é precisamente do Pinto da Costa. O presidente portista está constantemente nas bocas do mundo, até pela sua vida pessoal, ao contrário de outros dirigentes que parecem beneficiar de um estranho alheamento do público em geral, independentemente da gravidade do que dizem e fazem.
    Recentemente, houve um indivíduo que escreveu, num fórum de discussão futebolística, um comentário curioso. Ele disse: "olhar para o futebol português e só ver um corrupto, é como olhar para o pinhal de Leiria e só ver um pinheiro." Curiosamente, os jornais desportivos da Capital só vêem mesmo um pinheiro.

    "No sistema penal português não foi provada a culpa, que é bem diferente de ser-se inocente."

    Nada mais falso. No sistema judicial português, todo o arguido é inocente até prova do contrário. portanto, se os tribunais não encontraram provas que fundamentassem as acusções contra Pinto da Costa, então ele é inocente.
    De resto, deixe-me colocar-lhe uma questão: não acha estranho que, com tantas escutas telefónicas e tantas suspeições que são diariamente levantadas contra o presidente do FC Porto, nenhum dos tribunais tenha encontrado provas concretas contra ele? Não lhe suscita sequer uma pequena dúvida de que aqueles que o atacam podem não estar a agir de boa-fé?

    "Claro que vermelho também era (é) apenas a cor comunista, que à época representava tudo aquilo que o regime desprezava, mas isso não interessa..."

    Estou a ver que você desconhece muita coisa sobre o clube de que se diz adepto. Porque acha que os benfiquistas insistiam em ser conhecidos como os "encarnados" e não como os "vermelhos"??? Não percebe que era precisamente para se distanciarem do comunismo, já que os comunistas foram sempre conhecidos como "vermelhos"??? E porque acha que, sendo o Benfica um clube desportivo, tinha tanta preocupação nessa questão???

    Há muita coisa sobre o passado do Benfica que você parece desconhecer. Muita coisa que, provavelmente, o seu pai não lhe ensinou quando lhe induziu o benfiquismo. Talvez quando você abrir os olhos perceba por que motivo traz a pele de lobo vestida e compreenda que aquilo que eu disse nada tem de desonesto.

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  7. - A minha primeira frase não teve qualquer intencão de ser uma "alfinetada". Foi a constatacão de um facto, que você de resto comprovou com a sua resposta. E desculpe, mas de futebol pelo futebol fala-se muito pouco neste blog. Maioritariamente fala-se da "corrupta imprensa lisboeta" e outros fenómenos de cariz politico-social. De resto na linha que Pinto da Costa implementou no FCP, habilmente misturando alhos com cebolas e tornando o fervor clubistico algo mais do que apenas futebol. Que não consiga ver isso, é natural, mas não deixa de ser a minha opinião.

    - Num dos meus comentários anteriores escrevi que nao há inocentes. Nem no Benfica, nem no Porto, nem em qualquer outro clube. Não me restam duvidas que o processo das escutas foi mais uma arma de arremesso, como outras, mas também não sou anjinho para achar que o que Pinto da Costa disse naquelas escutas é natural ou inocente

    - A esse propósito, a ardilosa linguagem utilizada como o "engenheiro" ou "o gerente da caixa", ou o já celebre "café com leite" não é de quem acha que está a fazer algo normal, e acontece precisamente no sentido de ajudar na defesa em tribunal caso algum dia as conversas fossem escutadas. Näo vejo nenhuma outra explicacão...Já agora, aquilo que diz é verdade: em Portugal todos são considerados inocentes até prova em contrário. O que na pratica significa que o ónus da prova está na acusacão, e como tal habilidades deste género (e outras processuais) ajudam e muito a dificultar a culpa, mas não tanto a provar a inocência. Mas esquecendo o imbróglio legal, acha normal o que se houve naquelas escutas? Acha normal um arbitro visitar um presidente de um clube em vésperas de jogo? Ou que se providenciem "gentilezas" brasileiras a arbitros? Ou mais atras no tempo, que se pagem (por engano, pois claro) viagens ao Brasil a árbitros? Antes que "devolva à procedência" estas críticas, digo desde já que também não acho normal haver prostitutas a árbitros em jogos europeus em Lisboa ou que se tente "fazer as coisas por outro lado". Por favor, se quiser, responda-me em concreto a estas perguntas...é que normalmente a sua resposta é um novo ataque.

    - Essa história dos "encarnados" e dos "vermelhos" tem que se lhe diga. Eu próprio já ouvi outra versão, em que Salazar obrigou os jornalistas a referirem-se ao Benfica como os "encarnados", precisamente para nao serem associados ao comunismo, dada a popularidade do clube. Não saberei tudo sobre a história do meu clube, mas se nao me engano a águia já está presente desde o início do século XX, ainda no Grupo Sport Lisboa. Ao que julgo saber, o fascismo enquanto o conhecemos hoje surgiu depois disso...provas circunstanciais tenho lido dos dois lados, de quem diz que o Benfica ganhou por causa do regime, e de quem diz que o regime se associou ao Benfica dada a popularidade que o clube já tinha. Provavelmente terá sido uma mistura dos dois, mas provas cabais nunca as vi. Se está tão bem informado faca o favor de me iluminar, com as devidas referências históricas.

    - O seu ultimo paragrafo é mais uma vez o elogio à arrogancia. Do seu patamar elevado de sabedoria, sugere que eu (como todos os Benfiquistas) somos carneiros, simplórios cujos cérebros foram formatados de geracão em geracão, e que o senhor sim é intelectualmente honesto e tem os olhos bem abertos. Lamento, mas a sua postura não confirma as suas ambicões. Não há nada de intelectualmente honesto em quem tem um discurso radical como o seu, e principalmente em quem vê tudo como um ataque cerrado. Você sim parece estar formatado a uma cartilha, a uma mensagem. Neste seu forum ja por diversas vezes reconheci que parte das criticas feitas ao meu clube (e principalmente à sua direccao) têm razão de ser. Neste mesmo post voltei a fazê-lo. Mas nunca me leu generalizar a toda a massa adepta do seu clube de forma tão simplista e grosseira como acabou de fazer neste seu comentário.

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  8. “Que não consiga ver isso, é natural, mas não deixa de ser a minha opinião.

    Eu consigo ver isso na perfeição. O que me admira é que você não consiga ver que essa mistura de alhos com cebolas começou muitas décadas antes do início da carreira de Pinto da Costa como dirigente desportivo. Pois se o Benfica foi usado como ferramenta política pelo Estado Novo, onde acha que essa mistura começou???

    ”Mas esquecendo o imbróglio legal, acha normal o que se houve naquelas escutas?

    É evidente que não é normal. Mas não é menos anormal do que um presidente de um clube que se diz sério telefonar ao presidente da Liga a encomendar árbitros, contratar jogadores das equipas adversárias no dia dos jogos ou receber árbitros estrangeiros no Elefante Branco, tudo isto com a complacência das autoridades portuguesas que, estranhamente, só se preocupam em investigar o Pinto da Costa. Você também se recusa a responder a estas questões porque sabe que o verdadeiro problema aqui é a dualidade de critérios com que o Ministério Público aplica a lei!

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  9. Com certeza também concordará comigo que não é normal as autoridades fazerem vista grossa quando toda a gente sabia que José Veiga era, simultaneamente, dirigente do Estoril e do Benfica, uma ilegalidade punível com a descida de divisão. Não é normal que esse mesmo dirigente faça jantaradas no restaurante O Sapo com jogadores e árbitros, na véspera dos jogos em que eles serão intervenientes. Não é normal que as autoridades branqueiem o facto do presidente encarnado ter conhecimento das actividades ilícitas que a claque benfiquista levava a cabo dentro das instalações do clube, entre as quais o tráfico de droga e de armas. Não é normal que as autoridades não manifestem sequer interesse em investigar o dossier pejado de denúncias graves envolvendo elementos do Ministério Público, relacionado com o processo Apito Dourado. Não é normal que as autoridades permitam que algum desconhecido tenha acesso e publique no Youtube material que constitui segredo de justiça e que se encontrava à guarda do MP. Não é normal que todos os processos movidos contra Pinto da Costa terminem com a absolvição do arguido.
    Nada disto é normal, alguma coisa de muito errada se passa neste comportamento das autoridades. E se há coisa que esta crise financeira que afecta Portugal permitiu, foi perceber que o grave problema da corrupção não passa ao nível de um Pino da Costa mas muito acima, ao nível de um… Pinto Monteiro.

    ”Eu próprio já ouvi outra versão, em que Salazar obrigou os jornalistas a referirem-se ao Benfica como os "encarnados", precisamente para nao serem associados ao comunismo, dada a popularidade do clube.

    Eu acho que você acaba de dar um tiro no próprio pé. Independentemente do papel em que procura embrulhar a sua versão, está no fundo está a reconhecer que Salazar tinha influência directa nos destinos do clube e que este beneficiava directamente da sua protecção, fosse por simpatia clubística ou por interesse político.
    Há benfiquistas que pretendem branquear as ligações políticas do seu clube ao Estado Novo procurando generalizar o domínio do governo sobre os clubes. Para tal, referem, por exemplo, o facto da inauguração dos estádios das Antas e de Alvalade terem contado com a presença de figuras do Estado, mas tal não passa de uma desculpa hipócrita. Tratando-se de actos públicos, é natural que estivessem presentes nas inaugurações figuras do governo, tal como acontece hoje. Além disso, vivendo as pessoas sob o jugo do medo, é óbvio que ninguém se atrevia a deixar de convidar o governo, sob pena de sofrer as repercussões de tal “esquecimento”. O que se passava no Benfica era bem diferente, pois, no clube lisboeta, o Estado Novo tinha lugar na Direcção, influenciando directamente as decisões do clube, quer pela voz do próprio Salazar, quer pelos seus mandatários.

    “Ao que julgo saber, o fascismo enquanto o conhecemos hoje surgiu depois disso...provas circunstanciais tenho lido dos dois lados, de quem diz que o Benfica ganhou por causa do regime, e de quem diz que o regime se associou ao Benfica dada a popularidade que o clube já tinha.

    Não distorça as minhas palavras. Eu não disse que o clube assumiu símbolos nazis. Eu disse que os símbolos do clube se propiciavam a uma ligação com o fascismo, pela semelhança que apresentavam. Também disse que aceito que a ligação com a política tivesse surgido por aproveitamento do Estado Novo e não por iniciativa do clube, mas é inegável que o clube tirou partido directo dessa protecção política de que beneficiou e que nunca devolveu os troféus que conquistou nessas circunstâncias. Bem pelo contrário, os benfiquistas mostram-se muito orgulhosos do passado do clube, o que só por si diz tudo sobre a sua hipocrisia.

    ”O seu ultimo paragrafo é mais uma vez o elogio à arrogância.”

    Já lhe disse antes que não pretendo permitir que esta discussão se converta numa troca de acusações de índole pessoal. Eu não tenho nada contra si pessoalmente e, como tal, vou simplesmente ignorar este seu parágrafo.

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