domingo, 8 de abril de 2012

Guerreiros fomos nós!

É completamente improvável que Vítor Pereira e os jogadores azuis-e-brancos tenham lido o meu artigo anterior, mas enquanto assistia ao jogo fui acreditando que tal poderia mesmo ter acontecido. Frente a um adversário valoroso que, como se previa, complicou a tarefa do FC Porto até mais não poder, os portistas fizeram exactamente aquilo que eu lhes pedi para fazer: vestiram o fato-macaco e suaram a camisola do primeiro ao último minuto para arrancar uma vitória a ferros. Tivemos sorte? Tivemos! Cometemos erros? Cometemos! Merecemos a vitória? Sem dúvida! Chumbamos na nota artística? Que se lixe!
Há quem diga que não é nos grandes jogos que se decide o campeão, mas ninguém tem dúvidas de que é precisamente nestes confrontos directos entre os candidatos ao título que se percebe quem tem estofo e quem não tem. Ora, independentemente dos altos e baixos que a equipa demonstrou ao longo da época, há um facto inegável: nos confrontos directos com o Benfica e o Braga, o Porto levou a melhor nos seus redutos, um feito que estará apenas ao alcance dos verdadeiros campeões. Mérito seja dado a Vítor Pereira que, não obstante as suas limitações e parca experiência, foi capaz de tal proeza. Infelizmente, não consigo descortinar outros motivos de júbilo na actuação do treinador portista.
Mais uma vez, a absurda insistência em Kléber para o eixo do ataque constituiu um erro crasso, desta vez com a agravante de lhe ter dado a titularidade em detrimento de Janko. Corrigiu o erro já na segunda metade do encontro, fazendo entrar Varela e puxando Hulk para o centro, o que acabou por constituir um castigo para os dois pontas-de-lança. Quer o brasileiro, quer o austríaco, devem ter saído de Braga a questionar qual será o seu futuro nesta equipa quando o técnico prefere recorrer a Hulk para ocupar um lugar que devia ser seu. Pode ser que lhes sirva de chamada de atenção, ou talvez não, já que o seu problema não parece ser a falta de vontade, mas antes a falta de talento... e contra isso não existe remédio. A verdade é que o Incrível lá resolveu mais um jogo a nosso favor, coisa que o dois azelhas não conseguem fazer.
Álvaro Pereira esteve completamente desastrado e questiono-me se a sua reacção no banco após ter sido substituído por Alex Sandro foi uma manifestação de revolta pela decisão do técnico ou pela consciência do seu fraco desempenho. Se for a primeira, é grave, não apenas pela demonstração ostensiva de indisciplina, mas também pela incapacidade de reconhecer os seus próprios erros. Se foi a segunda, está perdoado, mas espera-se que seja capaz de identificar a origem da sua notória desconcentração.
Para terminar, uma palavra pela excelente exibição de Moutinho, Defour e Otamendi. O português encheu o meio-campo, distribuiu jogo, foi o motor que a equipa precisava há muito tempo. O belga jogou lindamente, lutou, recuperou muitas bolas. O argentino foi uma âncora na defesa, uma espécie de pronto-socorro, esteve sempre lá quando foi preciso. Graças a eles, esta Páscoa terá um sabor ainda melhor. Obrigado.

2 comentários:

  1. caríssimo,

    este post aqui elucidou-me bastante sobre o porquê da utilização do Kléber.
    recomendo a sua (atenta) leitura

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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