terça-feira, 28 de agosto de 2012

OMO lava mais branco

Sem papas na língua, o presidente do Vitória de Setúbal pôs o dedo na ferida: se a vergonhosa arbitragem de Jorge Sousa tivesse sido ao contrário, haveria hoje uma revolução em Portugal.
Não me parece que esteja em causa a validade do cartão vermelho mostrado a Amoreirinha logo aos oito minutos de jogo. As leis são para cumprir e se um jogador comete uma infracção merecedora de expulsão, o árbitro deve fazer cumprir o que está estipulado, independentemente de ser no primeiro ou no último minuto de jogo. O que está em causa é a dualidade de critérios cobarde demonstrada por este árbitro que, escassos minutos depois, perdoou a expulsão a Luisão numa entrada por trás. Isto e, obviamente, um conjunto de decisões erradas que permitiu à equipa lisboeta transformar uma deslocação a um campo difícil num agradável passeio de Domingo.
No Tribunal do jornal O Jogo, quer Jorge Coroado, quer Pedro Henriques, reconheceram que o capitão benfiquista entrou por trás sobre o adversário, cometendo falta grosseira passível de causar lesão grave e, como tal, punível disciplinarmente. No entanto, estranhamente, consideraram que o árbitro agiu bem ao mostrar apenas o cartão amarelo, o que contraria frontalmente as leis do jogo que definem as entradas por trás como motivo de expulsão.
Não creio que algum destes ex-árbitros tenha dificuldades na interpretação dos regulamentos, pelo que não me restam dúvidas de que as opiniões agora  manifestadas surgem no seguimento da deplorável campanha de branqueamento alimentada pela imprensa lisboeta em favor do capitão benfiquista, visando influenciar a decisão do processo disciplinar aberto pela FPF na sequência da agressão ao árbitro alemão. Na véspera de Luisão se deslocar à sede da Federação para prestar depoimento sobre o caso, não interessava absolutamente nada ao lobby lisboeta que o jogador fosse expulso, pondo assim em causa a falsa imagem de correcção e lealdade que tanto de esforçaram em divulgar. Obviamente, quem não pactua com esta defesa dos interesses mesquinhos da capital facilmente compreende que estamos perante mais um inqualificável atentado à verdade desportiva. Resta agora saber até que ponto estará a FPF disposta a pactuar com esta farsa, pondo a sua credibilidade em causa, não só aos olhos dos portugueses, mas também perante a FIFA que, com certeza, está atenta ao desenrolar deste processo.

P.S. - Ainda no seguimento do que atrás foi dito, tive hoje a oportunidade de ler, no jornal O Jogo, mais uma brilhante análise de Jorge Coroado às arbitragens do passado fim-de-semana que me deixou, no mínimo, surpreendido. O antigo árbitro, não só reitera a opinião de que a entrada por trás do Luisão é apenas punível com cartão amarelo, como sugere (pasme-se!) que o capitão do Vitória de Setúbal deveria ter sido expulso por reclamar junto do árbitro a amostragem do cartão vermelho ao jogador encarnado.
Conclusão: contrariando o que dizem os regulamentos, o sr. Coroado considera que as entradas por trás dos jogadores encarnados são faltas menores, puníveis com um simples amarelo, enquanto que aos jogadores sadinos nada é permitido, nem mesmo a manifestação verbal da revolta pela clara dualidade de critérios de um árbitro que, como facilmente se vê, se acobardou quando se lhe exigia isenção e coerência nos critérios disciplinares. Pelo andar da carruagem, fico à espera para ver se, amanhã, o sr. Coroado não encontrará, à luz da sua interpretação pessoal das leis do jogo, novos argumentos para sustentar a expulsão de meia equipa sadina.

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