domingo, 30 de setembro de 2012

Comunicação social portuguesa, reino da podridão e da anarquia

Por aqui se vê, uma vez mais, a podridão e a total anarquia que reina na comunicação social portuguesa. Sempre que o treinador do FC Porto se queixa sobre as arbitragens, logo aparecem os pasquineiros do regime a criticar, alegando que não compete aos técnicos analisar questões de arbitragem, que isso deve ficar para os entendidos, et cetera e tal. A verdade é que, depois de uma semana em que a intelectualmente corrupta imprensa lisboeta não parou de dar eco ao escândalo armado por Jorge Jesus contra Carlos Xistra (tendo, inclusivamente, o jornal A BOLA feito disso matéria de primeira página), eis que o árbitro Bruno Esteves deixa passar em claro mais um penalty descarado favorável aos azuis e brancos (o 5º, só na corrente época) em cima do minuto 90 e nem uma palavra se lê sobre o assunto nas crónicas dos jornais desportivos da capital. Apenas o Tribunal de O JOGO teve a decência de fazer referência directa ao lance, assumindo unanimemente a existência da falta sobre Kléber e a sua possível influência no resultado final, tal como se pode constatar:


Cada vez dou mais razão àqueles que defendem que, por altura da Revolução de Abril, muita gente devia ter sido "passada pelas armas". Afinal, cada vez mais se constata que a luta pela liberdade de imprensa e de expressão não serviu para libertar o jornalismo português do jugo da censura, mas antes para que esta escumalha ganhasse o poder de manipular os factos a seu bel-prazer e em nome dos seus interesses mesquinhos, comportando-se agora, eles próprios, como o regime fascista que os oprimia. Com uma agravante: em nome de uma falsa democracia, fazem-no com total impunidade, sem que haja uma autoridade capaz de fiscalizar e punir quem se outorga no direito de brincar com os mais básicos princípios deontológicos do jornalismo.

Esta semana não haverá choradeira

Como é costume, o Benfica andou a semana inteira a chorar e a protestar contra os árbitros, chegando ao cúmulo de exigir, através de um dos seus dirigentes, a demissão do presidente da Comissão de Arbitragem. O subserviente Vítor Pereira, como é seu timbre, tratou logo de amansar as feras escolhendo Bruno Esteves para o jogo do FC Porto e este não quis defraudar as expectativas do "patrão". Após o 2º golo do Rio Ave, o árbitro da Associação de Setúbal parece ter sido acometido de algum ataque visual: começou por fazer vista grossa a uma entrada por trás a James Rodriguez em posição frontal à baliza vila-condense, fez novamente vista grossa a uma cotovelada na cara de Varela que interrompeu uma jogada de contra-ataque e, já no minuto 89, também não conseguiu ver um penalty óbvio sobre Kléber, pontapeado no calcanhar por um defesa que não tinha hipótese absolutamente nenhuma de jogar a  bola naquelas condições. Obviamente, esta semana não haverá gritaria, nem parangonas de 1ª página, nem declarações do presidente dos árbitros, nem abertura de inquéritos por parte da Liga.

Mereciam mais, os adeptos, em época festiva

Depois do excelente jogo realizado frente ao Beira-Mar, esperava-se muito mais deste FC Porto, hoje, no confronto com o Rio Ave. Apesar de não ser uma equipa nada fácil, principalmente a jogar no seu reduto, os vila-condenses estavam perfeitamente ao alcance dos Dragões, tal como o domínio territorial verificado ao longo de toda a primeira parte fazia perceber. Lamentavelmente, o treinador portista pretendeu demonstrar algo que não cabe no meu entendimento e tratou de fazer retroceder a táctica ao ponto em que o papel de construtor de jogo cabia a Lucho Gonzalez, em detrimento de James Rodriguez que, ao contrário do que aconteceu na partida anterior com os bons resultados que se conhecem, regressou ao seu lugar na ala. O resultado deste passo atrás poderá ter sido uma maior posse de bola e maior consistência no meio-campo, mas também uma confrangedora perda de criatividade atacante que se traduziu na escassa vantagem de um golo ao intervalo, não obstante as oportunidades (algumas, poucas) criadas.
Já na segunda parte, os visitados entraram com vontade de dar a volta aos acontecimentos e foram ganhando confiança à medida que a equipa portista se ia afundando num mar de incompreensível inoperância. A cambalhota no marcador aconteceria mesmo graças a dois golos de Tarantini. No segundo, espectacular, dominou com um pé e rematou com o outro, sem hipóteses para Helton, já depois de um não menos brilhante remate de James ter embatido com estrondo na barra vila-condense. Se uns desperdiçavam, outros aproveitavam. É assim o futebol e nem a entrada simultânea de Varela e Fernando para os lugares de Atsu e Lucho conseguiu acalmar o jogo portista. Até final, foi ver os Dragões correrem com o credo na boca, despejando bolas para a área na esperança do milagre que, efectivamente, veio a acontecer: Jackson Martinez (outra vez ele) correspondeu de cabeça a um centro da direita e marcou o golo do empate já em cima do apito final. Salvou-se, ainda assim, um pontinho, o que podia ter sido bem pior graças à atitude passiva de uma equipa que parece sofrer de uma preocupante bipolaridade emocional. Mereciam mais, os adeptos, em época festiva.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Serpa da Bola

Aquando da deslocação do FC Porto ao Estádio do Algarve para defrontar o Olhanense em jogo a contar para a Liga, Vítor Serpa, director do jornal A BOLA, não resistiu a escrever mais um dos seus já habituais artigos de opinião, tendo como alvo preferencial o clube azul e branco. A determinada altura do artigo (que mais parecia um discurso encomendado pelo clube da Luz, tal o chorrilho de alarvidades claramente proferidas com o objectivo de agradar ao ego das hostes encarnadas), o articulista escreve a seguinte pérola sobre o referido jogo:

«...pena foi que tivesse sido visto, ao vivo, por menos de dez mil espectadores. Continua, aliás, a não se compreender muito bem como é possível que tão poucos portistas acompanhem o bicampeão nacional. Parece que apenas os incondicionais marcam presença e puxam com entusiasmo pelo dragão».

Tal como Miguel Lima, do Tomo II, fez questão de referir no excelente email que lhe enviou, lamenta-se que Vítor Serpa, na ânsia de lançar mais algumas das suas farpas envenenadas, tenha perdido a sensibilidade e sensatez de perceber que, nos tempos difíceis que atravessamos, não é propriamente acessível à carteira de qualquer pessoa deslocar-se do Norte do país ao Algarve para assistir a uma partida de futebol. Por muito grande que seja o amor que nos une a uma equipa, ainda há maiores prioridades que o "pontapé na bola", tais como, por exemplo, o simples acto de pôr comida na mesa. Mas mais lamentável ainda, é a incapacidade manifestada pelo director de um dos maiores jornais desportivos do país de assumir os mais básicos princípios de isenção e equidistância que devem reger o jornalismo, esquecendo-se agora de comentar, fazendo uso dos mesmos critérios, o facto de o Benfica não ter conseguido fazer deslocar mais de dez mil adeptos a Coimbra, no jogo frente à Académica. Parece que, na perspectiva do sr. Serpa, é incompreensível que o bicampeão leve apenas 10000 adeptos do Porto ao Algarve, mas não causa qualquer estranheza que o "colosso", "mais grande do mundo", " clube dos 6 milhões", leve o mesmo número de apoiantes de Lisboa a Coimbra.  Está certo...
Tal como diz o povo, as atitudes ficam com quem as toma, mas não venham depois tentar convencer-nos de que são gente séria.

P.S. - A BOLA prepara-se para lançar um canal televisivo no MEO. Se os critérios editoriais do canal forem idênticos aos do jornal (e nada faz supor que não serão), é fácil de prever que estaremos na presença de mais um veículo de propaganda ao bom estilo fascista, vendido aos interesses encarnados. Preparem-se portanto, que vamos ter guerra.

A revolta da macacada

Tal como vem sendo habitual desde há vários anos, o Benfica voltou a gozar, neste início de época, de critérios de arbitragem especiais e exclusivos que permitiram ao clube lisboeta chegar à 4ª jornada com a inusitada marca de 143 minutos a jogar em vantagem numérica sobre os adversários, o que representa quase 40% do tempo total de jogo. É obra! No entanto, bastou que a equipa escorregasse, pela 2ª vez esta época, em Coimbra, onde protagonizou uma das piores exibições que lhe vi fazer nos últimos tempos, para que estalasse, lá para as bandas da capital do império ultramarino, mais uma das já habituais revoluções tendo a arbitragem como epicentro. Se a hipocrisia matasse...
Não pretendo sequer discutir a justeza dos cartões vermelhos mostrados pelos árbitros aos jogadores adversários do Benfica (ainda que o simples facto de Douglão ter sido despenalizado pela Liga ser suficiente para demonstrar que nem tudo tem decorrido de forma limpa), mas parece-me evidente que, se a arbitragem tivesse algum motivo para prejudicar o clube da Luz como os seus dirigentes tanto gostam de propagandear, nunca permitiriam que o mesmo beneficiasse de um tal registo, digno de menção no Guinness Book of Records. Bastaria que aplicassem aos jogadores adversários o mesmo critério largo (que é como quem diz, a mesma protecção) que é aplicada aos jogadores encarnados (como, por exemplo, Maxi Pereira, que não obstante ser useiro e vezeiro em matéria de indisciplina consegue passear airosamente em qualquer campo do país sem ser admoestado com um único cartão vermelho) ou, pelo menos, o mesmo critério que é aplicado nos restantes jogos, para que fosse evitada esta clara desproporcionalidade. Isto é tão óbvio, mas tão óbvio, que até uma criança de dez anos compreenderia, mas, infelizmente, continuam a existir milhões de portugueses que, quais chimpanzés inebriados pelos gritos do Tarzan da Selva, permitem que lhes substituam a razão humana pela irracionalidade primata.
Ora, no mesmo período em que o Benfica beneficiou de tais critérios disciplinares que, como facilmente se constata, não são transversais a todos os clubes, eis que o FC Porto teve motivos para reclamar, nada mais nada menos, de quatro penalties não assinalados a seu favor, dois dos quais ocorridos logo na primeira jornada, em Barcelos, quando Duarte Gomes, um dos meninos bonitos da Luz, decidiu fazer vista grossa a dois lances faltosos em plena área do Gil Vicente (um deles que mais parecia uma placagem de rugby, tal a eficácia com que o defesa gilista se agarrou à cintura de Kléber e não mais largou até imobilizar completamente o avançado portista). A cegueira do árbitro de Lisboa traduziu-se num empate e na cedência de dois pontos logo na primeira jornada, o que muito agradou aos clubes e à imprensa da capital que sobre o assunto não fizeram qualquer alarido. Como sempre acontece quando o FC Porto é prejudicado e, consequentemente, o Benfica disso retira proveito, não houve gritaria, não houve parangonas de 1ª página, não houve discursos revoltados, não houve declarações do presidente da Comissão de Arbitragem, não houve abertura de processos de investigação. E é assim, graças a esta despudorada viciação dos factos e esta descarada diferença de critério, que se vai manipulando as mentes simplórias deste país, incutindo-lhes a ideia de que o Benfica, coitadinho, é uma vítima inocente de uma atroz perseguição de forças ocultas. Sinceramente, já não há pachorra.

Cães raivosos

Se a transferência de Hulk deixou legítimos receios no espírito dos adeptos portistas, já a inesperada saída em simultâneo de Javi Garcia e Witsel parecem ter semeado o pânico entre as hostes benfiquistas, tal o nervosismo patente nas atitudes dos dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos encarnados.
Bem pode Luís Filipe Vieira vir pregar aos peixes com os seus discursos encomendados, dizendo que a actual crise obriga os clubes a vender os principais jogadores e et cetera e tal, numa tentativa de justificar, perante os sócios, o desmoronar do meio-campo encarnado. O que no plano financeiro poderá ser visto como um negócio mirabolante, na perspectiva desportiva terá sido um dos erros de gestão mais crassos da história do clube, principalmente pelo facto da Direcção não ter sequer sabido precaver atempadamente a substituição de dois dos seus melhores jogadores, que há muito eram alvo da cobiça de emblemas estrangeiros, preferindo desbaratar milhões de euros em reforços para sectores bem servidos da equipa e de onde não havia perspectivas de sair ninguém. Resultado: o Benfica está claramente mais fraco do que na época anterior,  apresentando agora um plantel que mais parece uma manta de retalhos e o mesmo treinador medíocre que nunca passará da mediania, não obstante a arrogância com que se auto-promove.
Num clube bem conhecido pela bipolaridade emocional dos seus adeptos, capazes de alternar fases de uma desmedida euforia com outras de profunda depressão, a incógnita sobre o futuro desta equipa deixou os nervos à flor da pele, de tal forma que bastou um pequeno rastilho para despoletar a ira, ainda mais precocemente do que nas épocas anteriores. Como cães raivosos, lançaram-se de dentes arreganhados, primeiro aos seus próprios jogadores e equipa técnica, depois à sede da claque Mancha Negra (que, por acaso, até é das mais pacíficas de Portugal). E como já era de esperar, não tardaram a vir os dirigentes encarnados desviar as atenções para a arbitragem, tentando fazer de Carlos Xistra o bode expiatório de mais uma burricada que, afinal, seria da única e exclusiva responsabilidade da Direcção. Tudo isto, obviamente, com a preciosa colaboração dos pasquineiros do costume, que logo se prontificaram a fazer eco do discurso da maralha. Tudo normal, portanto, na capital do império ultramarino.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Armada colombiana

Os adeptos portistas necessitavam urgentemente de uma reacção positiva por parte da equipa à saída de Hulk e esta não se fez esperar. A goleada imposta ao Beira-Mar acabou por ser apenas o corolário lógico da melhor exibição a que assistimos nesta época.
A nível individual, destacou-se, obviamente, o espectacular golo de Jackson Martinez, surgido na sequência de uma excelente combinação do ataque portista e culminado com um pontapé de bicicleta perfeito, que veio, com certeza, encher de confiança o nosso novo ponta-de-lança. Eleito no final do jogo como MVP, o colombiano tem vindo a crescer a olhos vistos e começa a mostrar que tem tudo para conquistar o coração dos adeptos, fazendo (finalmente!) esquecer Falcao. Apesar disso, foi a prestação de James Rodriguez que mais encheu os olhos aos adeptos presentes no Dragão neste serão de Sábado. Assumindo o papel de 10 da equipa, El Bandido deu água pela barba à equipa contrária, protagonizando duas assistências para golo e assinando, ele próprio, um belo tento que bem vinha fazendo por merecer. O jovem compatriota de Jackson Martinez carimbou, em definitivo, a sua candidatura a patrão com plenos poderes do ataque portista e a flexibilidade táctica que demonstrou nesta posição deixou ainda em aberto um leque de possibilidades atacantes muito interessantes. Uma referência especial ainda para Atsu que, jogando a titular, correspondeu totalmente à confiança depositada pelo treinador e para a entrada de Iturbe que, não obstante ter jogado pouco tempo, imprimiu velocidade e imaginação ao sector atacante numa altura em que a equipa começava a denotar alguma apatia.
Apesar do adversário ter demonstrado muitas fragilidades, em parte provocadas pela pressão asfixiante da equipa azul e branca, mas também por deficiências óbvias na estrutura da equipa aveirense, este bom jogo do FC Porto permitiu suavizar um pouco as dúvidas que persistiam no espírito dos Dragões sobre as verdadeiras capacidades da equipa e abrir boas perspectivas para o decorrer da Liga. Há, no entanto, que perceber ainda se este optimismo poderá ser estendido à Liga dos Campeões, onde a qualidade das equipas adversárias irá, com toda a certeza, exigir performances de nível muito superior.

sábado, 8 de setembro de 2012

Há vida para além de Hulk?

Tal como aconteceu no passado com inúmeros outros jogadores tidos como fundamentais na estrutura da equipa, a saída de Hulk veio encher o espírito dos adeptos portistas de dúvidas e receios. O que irá acontecer à equipa com a saída do Incrível? Quem irá ocupar o seu lugar? Que alterações tácticas irá esta situação provocar? Até que ponto estará o plantel mais fraco?
Pela experiência adquirida ao longo dos anos, é legítimo afirmar que, a exemplo do que sempre aconteceu, o clube estará preparado para substituir o brasileiro por outro avançado de elevada qualidade, capaz de fazer esquecer rapidamente aquelas arrancadas explosivas, aqueles remates fulminantes, aqueles golos de bandeira capazes de levar multidões aos estádios e arrancar aplausos mesmo entre as ostes adversárias. Há, no entanto, neste caso, um factor de desconfiança acrescido e que se prende com a incapacidade geralmente demonstrada pelo técnico actual de fazer frente às adversidades, principalmente quando defronta equipas cuja estratégia se baseia fundamentalmente no estacionar do autocarro em frente da baliza. Quantas e quantas vezes não foi Hulk a ferramenta utilizada para arrombar os ferrolhos e desequilibrar os jogos a nosso favor perante equipas fechadas a sete chaves na defesa? Quantas e quantas vezes, no meio da letargia que, inexplicavelmente, se apoderava da equipa, lá surgia um lance de génio vindo do pé esquerdo do Incrível, a salvar a honra do convento? Tudo isto, aliado ao facto de os adeptos ainda terem bem fresca na memória toda a dificuldade sentida pelo clube em encontrar um substituto à altura de Falcao (com todo o prejuízo que daí adveio, principalmente nas competições europeias), torna este caso ligeiramente mais preocupante do que as experiências do passado. Pelo menos, na minha perspectiva.
É um dado adquirido que não será além muros que o clube encontrará o substituto de Hulk. O fecho do mercado e a actual conjuntura económica, pouco propícia a aventuras, indiciam que será entre os actuais elementos do plantel que Vítor Pereira terá de encontrar solução para o problema. A julgar pelas notícias vindas recentemente a público, tudo indica que a aposta será na juventude. Os nomes de James, Atsu e Kelvin, têm sido trazidos para cima da mesa como sucessores naturais do brasileiro, mas terão verdadeiramente estes jovens, de comprovado e indiscutível valor, poderes suficientes para vestirem o fato do novo super-herói? E Iturbe, promessa argentina, tido por muitos como o novo Messi, que papel poderá ter neste novo capítulo da história? A resposta começará a ser dada já na próxima jornada, na recepção ao Beira-Mar.

Mais do que ocupar a posição de Hulk, James Rodriguez, com 21 anos de idade, é o principal candidato a assumir-se como o novo patrão do ataque azul e branco. Parte em vantagem nesta disputa interna, não só pela experiência adquirida ao longo da última época, na qual jogou como titular em muitos jogos, mas também pela crescente importância que tem adquirido na selecção da Colômbia, o que lhe valeu uma elevada projecção internacional. Despertou já a cobiça de vários clubes estrangeiros e, por esse motivo, há quem diga que não ficará muito mais tempo no Dragão, podendo mesmo vir a ser uma das maiores transferências da história do clube. Técnica e fisicamente dotado, demonstra, no entanto, alguma indisciplina táctica e a tendência para alternar grandes exibições com períodos de menor entrega. É, ainda assim, a aposta mais segura.

A desenvoltura física de Christian Atsu não espelha a tenra idade que possui. Com apenas 20 anos, este jovem ganês evoluiu imenso no decorrer da época passada em que esteve emprestado ao Rio Ave e deu nas vistas durante a pré-época graças às excelentes exibições que protagonizou. Nas primeiras jornadas foi chamado por Vítor Pereira e não desiludiu, demonstrando uma entrega ao jogo de fazer inveja a jogadores muito mais experientes e maduros. Apesar de não possuir a arte dos seus companheiros, exibe, ainda assim, uma capacidade técnica muito acima da média, bom domínio de bola, velocidade, força e poder de explosão.Se conseguir dominar os nervos e afinar a pontaria na hora de rematar à baliza, acreditem que teremos aqui um caso muito sério.

O penteado estilo moicano denuncia imediatamente o carácter irreverente de Kelvin. Tal como Atsu, este jovem brasileiro, de apenas 19 anos, foi emprestado ao Rio Ave na época passada, onde se foi adaptando ao estilo de futebol europeu e adquirindo uma maturidade futebolística que, claramente, não possuía. Em termos de domínio da bola, é, na minha opinião, o jogador mais talentoso dos quatro, protagonizando lances de verdadeira magia com o esférico nos pés. No entanto, continua a revelar muita imaturidade táctica, demasiada irreverência e o egoísmo típico dos meninos de rua, pelo que foi com alguma surpresa que o vi integrar o plantel portista já esta época. Sinceramente, acho que um ano de rodagem noutro clube de menor dimensão só lhe faria bem, pois ainda é cedo para assumir maiores responsabilidades numa equipa tão exigente como a dos Dragões.

Não foi por acaso que deixei Iturbe para o fim. Quem acompanha o meu blogue conhece já a admiração que tenho por este miúdo argentino de apenas 19 anos, sobre quem deposito enormes esperanças. As poucas oportunidades que teve na época passada não lhe permitiram entrosar-se completamente com os companheiros da equipa principal, o que lhe valeu muitas críticas injustas e, na minha perspectiva, ignorantes. A verdade é que, de cada vez que Iturbe toca na bola, esta parece esboçar um sorriso de tão bem tratada que é. O golo marcado ao Celta de Vigo na pré-época foi o momento mais alto da sua presença em Portugal, revelando talento, técnica,  velocidade, raça, enfim, tudo o que faz um grande jogador. Se isso não chegou para desvanecer as dúvidas sobre o seu valor, então não sei o que mais será preciso para convencer os cépticos. Se eu tivesse de apostar em alguém para substituir Hulk, não pensaria duas vezes. Iturbe seria a minha primeira aposta.

Duas broncas na mesma semana seria dose...

Segundo a edição online do Diário de Notícias, o Conselho de Disciplina da FPF reuniu-se hoje mas não se debruçou sobre o caso da agressão do Luisão ao árbitro alemão. Recorde-se que este órgão instaurou um processo disciplinar ao capitão benfiquista classificado de urgente a 17 de Agosto (o que implicaria que o desfecho do processo se deveria dar, no máximo, a 1 de Setembro) mas até ao momento ainda não foi tornada pública qualquer decisão.
Estou cá com um palpite que a decisão já estará tomada, mas depois da farsa que foi o pseudo-castigo imposto a "Jor'Jasus", estrategicamente aplicado ao fim de seis meses de forma a coincidir com uma paragem da Liga, os elementos do Conselho de Disciplina lá devem ter achado que seria abusivo causar duas broncas na mesma semana...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Os grandes clubes são assim

José Mourinho deu ontem uma entrevista ao jornal espanhol AS na qual, a determina altura, afirma o seguinte:

«Continuo a sentir a mesma emoção e alegria do primeiro dia em que ganhei, e a mesma raiva e decepção do primeiro dia em que perdi. Só quando vejo as fotos do meu começo no FC Porto é que dou conta de que desse rapaz nasceu o homem que é o treinador do Real Madrid. Mas apenas nas fotos. Por dentro sinto-me exactamente igual ao que era há 20 anos»

José Mourinho não começou no FC Porto. Antes disso foi treinador do Benfica e da União de Leiria, mas é óbvio que a sua experiência mais marcante, aquela que o projectou para a ribalta do futebol europeu e o catapultou para uma carreira de sucesso sem par, foi a passagem pelo FC Porto. Os grandes clubes são assim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Post-it do dia


A gloriosa verdade desportiva

Eu dava o cu e dez tostões para poder ouvir as escutas telefónicas dos cinco elementos que constituem o Conselho de Disciplina da FPF nos últimos sete meses. Nem imagino o tráfico de influências, o jogo de interesses e as pressões exercidas sobre este órgão durante este período e que estarão na origem desta farsa a que alguns, hipocritamente, ainda têm a lata de chamar de "castigo" imposto a Jorge Jesus.
O mais chocante nesta decisão é o facto dela denunciar uma táctica fraudulenta recorrente, uma manipulação óbvia da verdade desportiva feita às claras mas que já não constitui novidade. Também no caso da agressão a Luís Alberto, "Jor'Jasus" foi punido com uma suspensão de apenas 11 dias, convenientemente aplicada de forma a garantir a disponibilidade do técnico encarnado no jogo com o FC Porto (uma situação ainda mais grave se atendermos ao facto do relatório da juíza de instrução, que havia dado como provada a agressão ao jogador do Nacional, ter sido ignorado, no sentido de reduzir drasticamente a pena aplicada).
Não se espere, ainda assim, que este novo escândalo motive qualquer reacção por parte das autoridades de Lisboa. Há muito tempo que, em Portugal, a Justiça só actua a Norte do Mondego e a imprensa da capital não tardará a abafar o caso. Felizmente, um dos homens que mais prejuízo causou ao país pela sua deplorável actuação enquanto Procurador Geral da República está prestes a deixar o cargo, o que constitui uma boa notícia para todos os portugueses. Todos, excepto os benfiquistas, obviamente. Rezemos para que, depois dele, não venha outro ainda pior, a exemplo do que acontece com este Conselho de Disciplina que quase (quase!) nos faz sentir saudades desse ignóbil figurão chamado Ricardo Costa.

P.S. - Tal como o FC Porto salientou no seu comunicado, espero que esta farsa não seja o prelúdio de mais um escândalo, desta vez com o caso Luisão. No entanto, como eu já disse aqui antes, estamos perante o "campeonato das proezas", pelo que não nos admiremos com o que daqui poderá advir.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A inveja dos medíocres

Hoje, ao abrir o site de A MARCA como normalmente faço pela manhã, senti-me orgulhoso ao deparar-me com um artigo intitulado "Ningún club vende mejor que el Oporto - 400 millones en 30 años". Nesse artigo, o jornal da capital espanhola faz uma resenha das principais transferências de jogadores protagonizadas pelo FC Porto ao longo das últimas três décadas e enaltece a competência e sagacidade negocial da sua Direcção que permitiu ao clube um encaixe financeiro apenas ao alcance dos colossos mundiais.
Com a transferência de Hulk para o Zenit, os Dragões voltaram a chamar as atenções do mundo futebolístico que, boquiaberto, assistiu a mais um negócio milionário com a chancela de Pinto da Costa. Infelizmente, já se previa que o internacionalmente reconhecido sucesso portista suscitasse, aquém fronteiras, a inveja dos medíocres. Assim, não se fizeram esperar os ataques de gentalha afecta ao clube da Luz que, beneficiando do já habitual compadrio da corrupta imprensa da capital, logo se desdobraram em tentativas de descredibilização do negócio. Resultado: numa altura em que todos nós, portugueses, nos deveríamos sentir orgulhosos por ver as nossas capacidades enaltecidas pelos estrangeiros (e que falta isso nos faz nesta altura, meu Deus...), continuamos a ver-nos prejudicados pela mentalidade tacanha de gente invejosa e rasca que, sem qualquer pudor, coloca os seus interesses mesquinhos acima dos do próprio país
Já sabíamos que Lisboa se comporta como um menino mimado que, habituado a ser alvo de todas as atenções, não descansa enquanto não estraga os brinquedos novos dos outros meninos. Da mesma forma, também o Benfica se recusa a aceitar que o negócio de Witsel (também ele notável, refira-se) seja ensombrado pelo de Hulk - ainda para mais em plena campanha eleitoral, em que se torna imprescindível para as pretensões de Vieira convencer os adeptos encarnados sobre as suas capacidades de gestão - mas os argumentos utilizados nessa cruzada são tão absurdamente ridículos que eu fico na dúvida se hei-de rir ou de chorar. Rir, pelo nível de inteligência demonstrado por tamanhas bestas, a roçar a superfície do solo; chorar, pela percepção que tenho da quantidade de portugueses que, por ingenuidade ou má-fé, se deixam manipular por tão descarada lavagem cerebral.
Até um aluno do liceu possui conhecimentos de matemática e economia suficientes para compreender que os negócios de Hulk e Witsel nunca poderiam ser directamente comparados colocando-se, lado a lado, o valor líquido do encaixe financeiro obtido pelo FC Porto com a venda do brasileiro, com o valor bruto envolvido na transferência do Belga, tal como A BOLA pretendeu fazer na sua edição de ontem. A ideia é de tal forma viciada na sua fundamentação que só por má-fé ou completa ingenuidade se poderá atribuir-lhe qualquer valor, mas, mais do que os inúmeros acéfalos que por toda a blogosfera encarnada se aprestaram a dar-lhe eco, lamenta-se a quantidade de adeptos portistas que se deixaram abalar na sua confiança. Estarão a enfraquecer?
Ao contrário do Benfica, o Porto não tem antecedentes de prestar falsas declarações à CMVM. Ora, se o clube, através do seu comunicado, informou a entidade reguladora de que a verba líquida a receber seria de 40 milhões de euros, eu não consigo encontrar qualquer motivo para desconfiar da veracidade de tal afirmação. Nem mesmo o facto do presidente do Zenit vir afirmar que não será o clube russo a pagar a restante quantia que perfaz os 60 milhões envolvidos na transferência põe em causa a transparência do negócio. Ou será que só agora perceberam que, quando os clubes contratam jogadores por verbas avultadas, grande parte do dinheiro provém, não dos cofres dos clubes, mas de investidores privados??? Será difícil de prever que os tais 20 milhões para pagar a intermediação, o fundo de solidariedade e a dívida ao jogador, virão dos bolsos da Gazprom ou de outro investidor privado???

P.S.- Li hoje também um artigo do Jornal de Notícias que refere que o encaixe líquido do Benfica na transferência de Witsel não ultrapassará os 26 milhões de euros. Não sei se tal será verdade - até porque não atribuo grande credibilidade a este jornal no âmbito desportivo - mas parece-me óbvio (e natural) que, contas feitas, os valores finais sejam dessa ordem (o que não deixa, ainda assim, de constituir um grande negócio). Apesar de A BOLA pretender convencer os mais ingénuos de que os 40 milhões de euros envolvidos na transferência irão na totalidade para os cofres do clube, não me parece plausível que Jorge Mendes, empresário do jogador, prescinda da sua parte do bolo, nem que a FIFA esteja disponível para abrir excepções ao clube da Luz no que ao fundo de solidariedade se refere.