quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cães raivosos

Se a transferência de Hulk deixou legítimos receios no espírito dos adeptos portistas, já a inesperada saída em simultâneo de Javi Garcia e Witsel parecem ter semeado o pânico entre as hostes benfiquistas, tal o nervosismo patente nas atitudes dos dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos encarnados.
Bem pode Luís Filipe Vieira vir pregar aos peixes com os seus discursos encomendados, dizendo que a actual crise obriga os clubes a vender os principais jogadores e et cetera e tal, numa tentativa de justificar, perante os sócios, o desmoronar do meio-campo encarnado. O que no plano financeiro poderá ser visto como um negócio mirabolante, na perspectiva desportiva terá sido um dos erros de gestão mais crassos da história do clube, principalmente pelo facto da Direcção não ter sequer sabido precaver atempadamente a substituição de dois dos seus melhores jogadores, que há muito eram alvo da cobiça de emblemas estrangeiros, preferindo desbaratar milhões de euros em reforços para sectores bem servidos da equipa e de onde não havia perspectivas de sair ninguém. Resultado: o Benfica está claramente mais fraco do que na época anterior,  apresentando agora um plantel que mais parece uma manta de retalhos e o mesmo treinador medíocre que nunca passará da mediania, não obstante a arrogância com que se auto-promove.
Num clube bem conhecido pela bipolaridade emocional dos seus adeptos, capazes de alternar fases de uma desmedida euforia com outras de profunda depressão, a incógnita sobre o futuro desta equipa deixou os nervos à flor da pele, de tal forma que bastou um pequeno rastilho para despoletar a ira, ainda mais precocemente do que nas épocas anteriores. Como cães raivosos, lançaram-se de dentes arreganhados, primeiro aos seus próprios jogadores e equipa técnica, depois à sede da claque Mancha Negra (que, por acaso, até é das mais pacíficas de Portugal). E como já era de esperar, não tardaram a vir os dirigentes encarnados desviar as atenções para a arbitragem, tentando fazer de Carlos Xistra o bode expiatório de mais uma burricada que, afinal, seria da única e exclusiva responsabilidade da Direcção. Tudo isto, obviamente, com a preciosa colaboração dos pasquineiros do costume, que logo se prontificaram a fazer eco do discurso da maralha. Tudo normal, portanto, na capital do império ultramarino.

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