sábado, 8 de setembro de 2012

Há vida para além de Hulk?

Tal como aconteceu no passado com inúmeros outros jogadores tidos como fundamentais na estrutura da equipa, a saída de Hulk veio encher o espírito dos adeptos portistas de dúvidas e receios. O que irá acontecer à equipa com a saída do Incrível? Quem irá ocupar o seu lugar? Que alterações tácticas irá esta situação provocar? Até que ponto estará o plantel mais fraco?
Pela experiência adquirida ao longo dos anos, é legítimo afirmar que, a exemplo do que sempre aconteceu, o clube estará preparado para substituir o brasileiro por outro avançado de elevada qualidade, capaz de fazer esquecer rapidamente aquelas arrancadas explosivas, aqueles remates fulminantes, aqueles golos de bandeira capazes de levar multidões aos estádios e arrancar aplausos mesmo entre as ostes adversárias. Há, no entanto, neste caso, um factor de desconfiança acrescido e que se prende com a incapacidade geralmente demonstrada pelo técnico actual de fazer frente às adversidades, principalmente quando defronta equipas cuja estratégia se baseia fundamentalmente no estacionar do autocarro em frente da baliza. Quantas e quantas vezes não foi Hulk a ferramenta utilizada para arrombar os ferrolhos e desequilibrar os jogos a nosso favor perante equipas fechadas a sete chaves na defesa? Quantas e quantas vezes, no meio da letargia que, inexplicavelmente, se apoderava da equipa, lá surgia um lance de génio vindo do pé esquerdo do Incrível, a salvar a honra do convento? Tudo isto, aliado ao facto de os adeptos ainda terem bem fresca na memória toda a dificuldade sentida pelo clube em encontrar um substituto à altura de Falcao (com todo o prejuízo que daí adveio, principalmente nas competições europeias), torna este caso ligeiramente mais preocupante do que as experiências do passado. Pelo menos, na minha perspectiva.
É um dado adquirido que não será além muros que o clube encontrará o substituto de Hulk. O fecho do mercado e a actual conjuntura económica, pouco propícia a aventuras, indiciam que será entre os actuais elementos do plantel que Vítor Pereira terá de encontrar solução para o problema. A julgar pelas notícias vindas recentemente a público, tudo indica que a aposta será na juventude. Os nomes de James, Atsu e Kelvin, têm sido trazidos para cima da mesa como sucessores naturais do brasileiro, mas terão verdadeiramente estes jovens, de comprovado e indiscutível valor, poderes suficientes para vestirem o fato do novo super-herói? E Iturbe, promessa argentina, tido por muitos como o novo Messi, que papel poderá ter neste novo capítulo da história? A resposta começará a ser dada já na próxima jornada, na recepção ao Beira-Mar.

Mais do que ocupar a posição de Hulk, James Rodriguez, com 21 anos de idade, é o principal candidato a assumir-se como o novo patrão do ataque azul e branco. Parte em vantagem nesta disputa interna, não só pela experiência adquirida ao longo da última época, na qual jogou como titular em muitos jogos, mas também pela crescente importância que tem adquirido na selecção da Colômbia, o que lhe valeu uma elevada projecção internacional. Despertou já a cobiça de vários clubes estrangeiros e, por esse motivo, há quem diga que não ficará muito mais tempo no Dragão, podendo mesmo vir a ser uma das maiores transferências da história do clube. Técnica e fisicamente dotado, demonstra, no entanto, alguma indisciplina táctica e a tendência para alternar grandes exibições com períodos de menor entrega. É, ainda assim, a aposta mais segura.

A desenvoltura física de Christian Atsu não espelha a tenra idade que possui. Com apenas 20 anos, este jovem ganês evoluiu imenso no decorrer da época passada em que esteve emprestado ao Rio Ave e deu nas vistas durante a pré-época graças às excelentes exibições que protagonizou. Nas primeiras jornadas foi chamado por Vítor Pereira e não desiludiu, demonstrando uma entrega ao jogo de fazer inveja a jogadores muito mais experientes e maduros. Apesar de não possuir a arte dos seus companheiros, exibe, ainda assim, uma capacidade técnica muito acima da média, bom domínio de bola, velocidade, força e poder de explosão.Se conseguir dominar os nervos e afinar a pontaria na hora de rematar à baliza, acreditem que teremos aqui um caso muito sério.

O penteado estilo moicano denuncia imediatamente o carácter irreverente de Kelvin. Tal como Atsu, este jovem brasileiro, de apenas 19 anos, foi emprestado ao Rio Ave na época passada, onde se foi adaptando ao estilo de futebol europeu e adquirindo uma maturidade futebolística que, claramente, não possuía. Em termos de domínio da bola, é, na minha opinião, o jogador mais talentoso dos quatro, protagonizando lances de verdadeira magia com o esférico nos pés. No entanto, continua a revelar muita imaturidade táctica, demasiada irreverência e o egoísmo típico dos meninos de rua, pelo que foi com alguma surpresa que o vi integrar o plantel portista já esta época. Sinceramente, acho que um ano de rodagem noutro clube de menor dimensão só lhe faria bem, pois ainda é cedo para assumir maiores responsabilidades numa equipa tão exigente como a dos Dragões.

Não foi por acaso que deixei Iturbe para o fim. Quem acompanha o meu blogue conhece já a admiração que tenho por este miúdo argentino de apenas 19 anos, sobre quem deposito enormes esperanças. As poucas oportunidades que teve na época passada não lhe permitiram entrosar-se completamente com os companheiros da equipa principal, o que lhe valeu muitas críticas injustas e, na minha perspectiva, ignorantes. A verdade é que, de cada vez que Iturbe toca na bola, esta parece esboçar um sorriso de tão bem tratada que é. O golo marcado ao Celta de Vigo na pré-época foi o momento mais alto da sua presença em Portugal, revelando talento, técnica,  velocidade, raça, enfim, tudo o que faz um grande jogador. Se isso não chegou para desvanecer as dúvidas sobre o seu valor, então não sei o que mais será preciso para convencer os cépticos. Se eu tivesse de apostar em alguém para substituir Hulk, não pensaria duas vezes. Iturbe seria a minha primeira aposta.

1 comentário:

  1. Claro que vai haver vida para além de Hulk, assim como houve depois da saida de Jardel ou do Deco ou de qualquer outro jogador que tenha marcado uma era no FC Porto.
    O clube é, e sempre será, maior que qualquer pessoa que por lá passe, até mesmo o Pinto da Costa. E este último sim, merecerá uma homenagem e irá ser sentida a sua falta.

    E agora sem Hulk na equipa pode ser que se dê o caso de quem fica se sentir mais solto e sem ter que deixar brilhar aquele que mais atenções costuma concentrar. Como acontece às vezes em certos grupos em que pessoas cheias de potencial se resguardam para não ofuscarem a "estrela da companhia" e por terem receio das comparações.
    Quanto a "adivinhar" qual deles será o verdadeiro substituto, bem... por mim eram todos mas se tivesse mesmo que escolher um (como o treinador terá que fazer, pelo menos até perceber se essa opção dá ou não) seria o Iturbe.

    ResponderEliminar