quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Serpa da Bola

Aquando da deslocação do FC Porto ao Estádio do Algarve para defrontar o Olhanense em jogo a contar para a Liga, Vítor Serpa, director do jornal A BOLA, não resistiu a escrever mais um dos seus já habituais artigos de opinião, tendo como alvo preferencial o clube azul e branco. A determinada altura do artigo (que mais parecia um discurso encomendado pelo clube da Luz, tal o chorrilho de alarvidades claramente proferidas com o objectivo de agradar ao ego das hostes encarnadas), o articulista escreve a seguinte pérola sobre o referido jogo:

«...pena foi que tivesse sido visto, ao vivo, por menos de dez mil espectadores. Continua, aliás, a não se compreender muito bem como é possível que tão poucos portistas acompanhem o bicampeão nacional. Parece que apenas os incondicionais marcam presença e puxam com entusiasmo pelo dragão».

Tal como Miguel Lima, do Tomo II, fez questão de referir no excelente email que lhe enviou, lamenta-se que Vítor Serpa, na ânsia de lançar mais algumas das suas farpas envenenadas, tenha perdido a sensibilidade e sensatez de perceber que, nos tempos difíceis que atravessamos, não é propriamente acessível à carteira de qualquer pessoa deslocar-se do Norte do país ao Algarve para assistir a uma partida de futebol. Por muito grande que seja o amor que nos une a uma equipa, ainda há maiores prioridades que o "pontapé na bola", tais como, por exemplo, o simples acto de pôr comida na mesa. Mas mais lamentável ainda, é a incapacidade manifestada pelo director de um dos maiores jornais desportivos do país de assumir os mais básicos princípios de isenção e equidistância que devem reger o jornalismo, esquecendo-se agora de comentar, fazendo uso dos mesmos critérios, o facto de o Benfica não ter conseguido fazer deslocar mais de dez mil adeptos a Coimbra, no jogo frente à Académica. Parece que, na perspectiva do sr. Serpa, é incompreensível que o bicampeão leve apenas 10000 adeptos do Porto ao Algarve, mas não causa qualquer estranheza que o "colosso", "mais grande do mundo", " clube dos 6 milhões", leve o mesmo número de apoiantes de Lisboa a Coimbra.  Está certo...
Tal como diz o povo, as atitudes ficam com quem as toma, mas não venham depois tentar convencer-nos de que são gente séria.

P.S. - A BOLA prepara-se para lançar um canal televisivo no MEO. Se os critérios editoriais do canal forem idênticos aos do jornal (e nada faz supor que não serão), é fácil de prever que estaremos na presença de mais um veículo de propaganda ao bom estilo fascista, vendido aos interesses encarnados. Preparem-se portanto, que vamos ter guerra.

1 comentário:

  1. bravo!

    é de se enviar esta prosa a quem de direito, digo eu! aliás, é de elementar justiça!
    (distraído com os assuntos da «vergonha» esqueci-me de tão oportuno pormaior)

    muito bem!

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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