terça-feira, 27 de novembro de 2012

Jesus, o 18º mais bem pago do mundo

Um estudo publicado hoje revela o ranking dos 30 treinadores de futebol mais bem pagos de todo o Mundo. Ora, se o facto do nome de José Mourinho surgir na segunda posição não surpreende ninguém dada a brilhante carreira do técnico português, já o facto de Jorge Jesus integrar a lista na 18ª posição constitui uma revelação no mínimo surpreendente.
A ser verdade a informação agora divulgada, o treinador do Benfica aufere, nada mais, nada menos, que 4 milhões de euros brutos por ano, o que corresponde a 2,1 milhões líquidos anuais. Logo à partida, estes valores parecem completamente absurdos quando confrontados com o pobre currículo profissional de um técnico que não consegue passar da mediania, não obstante a oportunidade extraordinária de que usufrui ao treinar um dos grandes do futebol português desde há vários anos. Mas, se isso não fosse por si só suficiente para causar estranheza, mais estupefactos ficamos quando pensamos no contexto económico actual do nosso país e, principalmente, na situação financeira de um clube cujo passivo ultrapassa já os 400 milhões de euros. É caso para perguntar se terão descoberto petróleo lá para as bandas da Luz ou se estaremos apenas perante mais uma evidência da gestão megalómana de Vieira ao leme do clube lisboeta.
Para terminar, uma nota curiosa: Jorge Jesus aufere muito mais do que Joachim Low, que é "só" o seleccionador da... Alemanha. Não admira pois que os alemães considerem Portugal um país de chicos-espertos que vivem acima das suas possibilidades. Com exemplos destes, estamos à espera de quê?


Aqui fica a lista dos 30 treinadores mais bem pagos do Mundo:

1 Carlo Ancelotti (Paris Saint-Germain) 13,5 milhões de euros (brutos)/7,4 milhões de euros (líquidos)
2 José Mourinho (Real Madrid) 15,3 milhões de euros (brutos)/7,3 milhões de euros (líquidos)
3 Fabio Capello (Rússia) 7,8/6,8
4 Marcelo Lippi (Guangzhou) 10/5,5
5 Frank Rijkaard (Arábia Saudita) 5,3/5,3
6 Alex Ferguson (Manchester United) 9,4/5,2
7 Arsène Wenger (Arsenal) 9,3/5,1
8 Guus Hiddink (Anzhi) 8,3/4,5
9 Paulo Autuori (Catar) 3,6/3,6
10 Tito Vilanova (Barcelona) 7/3,3
11 José Antonio Camacho (China) 5,9/3,2
12 Roberto Mancini (Manchester City) 5,9/3,2
13 Jupp Heynckes (Bayern Munique) 5,2/2,9
14 Luciano Spaletti (Zenit) 3,3/2,8
15 André Villas Boas (Tottenham) 4,5 brutos /2,5 líquidos
16 Abel Braga (Fluminense) 3,5/2,5
17 Harry Redknapp (Queens Park Rangers) 4/2,2
18 Jorge Jesus (Benfica) 4 brutos/2,1 líquidos
19 Vanderlei Luxemburgo (Grémio) 3/2,1
20 Muricy Ramalho (Santos) 3/2,1
21 Tite (Corinthians) 3/2,1
22 David Moyes (Everton) 3,6/2
23 Manuel Pellegrini (Málaga) 3,6/1,7
24 Antonio Conte (Juventus) 3/1,7
25 Cesare Prandelli (Itália) 3/1,7
26 Ottmar Hitzfeld (Suíça) 2,6/1,5
27 Joachim Low (Alemanha) 2,5/1,3
28 Martin O`Neil (Sunderland) 2,5/1,3
29 Roy Hodgson (Inglaterra) 2,5/1,3
30 Marcelo Bielsa (Atlético de Bilbau) 2,5/1,2

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Graças a Momo!

Poucos dias antes da difícil deslocação do FC Porto a Braga, Jorge Jesus não resistiu a lançar mais uma das pérolas a que já nos habituou, afirmando que os azuis-e-brancos costumavam ter sorte na "pedreira". O técnico portista não quis deixar a alfinetada sem resposta e, de forma acutilante e certeira, relembrou o seu congénere encarnado de que a sorte é fruto de muito trabalho. O certo é que Momo (deusa dos escritores e dos poetas que, na mitologia grega, personificava o sarcasmo e a ironia) parece ter acompanhado a troca de palavras entre os técnicos rivais e decidiu apimentar a discussão, dando o seu toque pessoal a um jogo que teve o seu quê de teatral. Se por um lado é verdade que o FC Porto não teve a sorte do seu lado quando, logo nos primeiros minutos da partida, viu a bola embater no poste da baliza bracarense, não será menos verdade que o golo de James Rodriguez ao minuto 90 parece ter caído do céu, dada a incapacidade demonstrada pelos azuis-e-brancos para desmontar a bem estruturada defesa adversária, pese embora o domínio exercido durante praticamente toda a partida. A bola, fortemente rematada pelo jovem prodígio colombiano, embate no pé de um defesa, descreve um arco perfeito sobre o guarda-redes e acaba dentro da baliza após uma carambola repartida entre a trave e o chão. E ainda Jorge Jesus ia amaldiçoando a sorte dos rivais quando Jackson Martinez, aproveitando uma asneira da defesa bracarense (provavelmente a única em todo o jogo), disparou para a baliza adversária, marcando o segundo golo com que se arrumou definitivamente a questão dos pontos em disputa: três para o Porto, zero para o Braga. Graças a Deus, terão pensado muitos portistas. Graças a Momo, pensei eu. 

P.S. - Tal como sempre acontece com qualquer lance ocorrido na área portista, muito se falará amanhã do pretenso penalty que Xistra não marcou. No entanto, demonstram as imagens que o centro mal executado por Alan embate no chão antes de ressaltar directamente para o braço do defesa que, com a cara voltada para trás, dificilmente adivinharia a trajectória da bola. Caso evidente de bola na mão, não obstante o que disserem.