sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Levar a guerra ao terreno do inimigo

No passado dia 7 de Fevereiro, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) decidiu arquivar o processo levantado contra o Benfica, Sporting e Marítimo devido à utilização irregular de jogadores em dois jogos consecutivos, sem respeitar o intervalo de 72 horas previsto nos regulamentos. No caso concreto dos encarnados, estava em causa a utilização dos jogadores Salvio, Ola John, Lima, Pablo Aimar e Jardel no jogo frente ao Estoril-Praia (vitória por 3-1), da 13. jornada da I Liga em 06 de Janeiro de 2013, às 20:15, e na recepção à Académica (triunfo por 3-2), para a Taça da Liga, em 9 de Janeiro de 2013, às 19h45.
Na sua fundamentação, a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga afirma que não existiu ilícito disciplinar pelo facto dos dois jogos em causa terem sido disputados pela equipa principal. No entanto, não é preciso ser muito inteligente para perceber que estamos perante um argumento falacioso, já que o Artigo 13.º do regulamento das competições organizadas pela LPFP diz o seguinte:

«1. Qualquer jogador apenas poderá ser utilizado pela equipa principal ou equipa B decorridas que sejam 72 horas após o final do jogo em que tenha representado qualquer uma das equipas, contadas entre o final do primeiro jogo e o início do segundo.
2. O disposto no número anterior, abrange igualmente os jogadores que tenham participado nas competições oficiais de Juniores.
3. Para efeitos do presente artigo, considera-se representação a utilização efectiva de um jogador em jogo de qualquer uma das equipas, quer enquanto titular, quer enquanto suplente.
4. A mera inscrição na ficha de jogo de um jogador que não tenha nele efectivamente participado, não impede a sua utilização em jogo da outra equipa, independentemente de não estar decorrido o intervalo de 72 horas referido no anterior número 1.»

Como facilmente se constata, não existe neste regulamento qualquer referência que fundamente a argumentação usada pela Liga para o arquivamento do processo do Benfica. Pelo contrário, é dito claramente que, se o jogador representar qualquer uma das equipas, seja ela a A ou a B, não poderá ser utilizado novamente antes de estarem decorridas 72 horas após o final desse jogo. Como tal, a alegação de que não existe qualquer ilícito na utilização de Salvio, Ola John, Lima, Pablo Aimar e Jardel em dois jogos da equipa A, é, obviamente, uma interpretação viciada da lei.

Já afirmei aqui que considero ridículo e injusto punir qualquer clube com um castigo que implique um prejuízo desportivo por motivos tão fúteis como os que se encontram aqui em causa, mas se a lei é absurda para uns, então é absurda para todos. Como tal, só por manifesta desonestidade ou má-fé pode vir alguém ligado ao Benfica manifestar-se contra a decisão do Conselho de Disciplina da FPF de arquivar o processo envolvendo o FC Porto, esquecendo-se de que o clube da Luz, em idênticas circunstâncias, beneficiou de critério semelhante por parte da Liga. Lamentavelmente, a falta de vergonha dessa gentalha parece não ter limites e, desde os fóruns de discussão futebolística à própria BenficaTV, são inúmeras as manifestações hipócritas de indignação contra a actuação do CD, reveladoras de um doentio conceito de justiça.

É precisamente pelo xico-espertismo desta gentalha que o FC Porto tem de deixar de ser tão passivo na sua forma de encarar estes casos. Ao contrário dos nossos rivais, não pretendemos que o nosso clube vença títulos com estratagemas de secretaria, mas também não podemos admitir que o clube azul-e-branco seja transformado em "bombo da festa" de cada vez que o lobby lisboeta se lembra de se armar em paladino da Justiça. A imagem que passa para o público é de um clube medroso que, sentindo-se acossado, se esconde no silêncio. Como tal, se ninguém se coíbe de atacar o FC Porto com denúncias e processos mesquinhos com o objectivo claro de o prejudicar, por que raio de motivo terão os dragões de refrear a sua revolta? Não estará na hora de levarmos a guerra ao terreno do inimigo?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Importa-se de repetir???

«A grande penalidade existe porque João Dias agarrou Gaitan, mas este, com o braço esquerdo, empurrou primeiramente o seu adversário. Logo, a primeira infracção devia ser assinalada, mas, não o tendo sido, a grande penalidade é justamente assinalada

Eu nem vou discutir aqui se o penalty favorável ao Benfica é bem ou mal assinalado. O facto é que já vi penalties bem mais descarados do que este serem assinalados e não merecerem a bênção da imprensa desportiva como este mereceu, mas enfim, dou de bandeja. Não admito é que queiram fazer das pessoas parvas com análises hipócritas como esta de Jorge Coroado, publicada hoje no jornal O JOGO, claramente elaborada para agradar aos interesses encarnados.
O ex-árbitro sabe perfeitamente que, se o avançado benfiquista cometeu falta antes do defesa, essa deveria ser assinalada primeiro, o que invalidaria a marcação de uma grande penalidade que só por manifesta desonestidade se pode considerar "justamente assinalada".
Eu até posso compreender que Jorge Coroado já tenha suportado, ao longo da sua carreira, situações que só com muita paixão pelo futebol e pela actividade da arbitragem se consegue superar. O mesmo já relatou, por exemplo, o susto que apanhou quando adeptos benfiquistas lhe fizeram uma espera à porta do emprego e o ameaçaram com uma pistola apontada à cabeça, algo que, para a maioria das pessoas, seria suficiente para mandar tudo às malvas se estivessem no seu lugar. Mas, se Coroado está cansado ou se perdeu a capacidade de encaixe perante as reacções, muitas vezes pautadas por laivos de puro fanatismo, dos adeptos encarnados face à sua interpretação dos lances, faria um favor ao futebol se se afastasse definitivamente, em vez de nos presentear com este tipo de análises hipócritas em que finge concordar com aquilo que afinal não concorda. Assim não, sr. Coroado!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Não é só na Rússia que caem coisas do céu

Na semana passada, fomos surpreendidos com a notícia da queda de um meteorito na Rússia que causou, pelo menos, 1200 feridos. Ontem, foi a vez de Portugal assistir à queda de mais um objecto dos céus, desta vez um penalty assinalado na Luz aos 94 minutos de jogo, graças ao qual o Benfica evitou somar o segundo empate em duas jornadas consecutivas. Veremos se nas próximas jornadas continuarão a chover objectos destes lá para as bandas da Luz, já que a equipa lisboeta começa a dar mostras de quebra física e moral.

P.S. - Parece que o final do jogo foi bastante quente, com Jorge Jesus, já no túnel de acesso aos balneários, a interpelar jogadores e técnicos adversários com insultos e palavrões. «A Académica não joga um C******!», terá sido uma das frases com que o treinador encarnado se despediu da equipa adversária, demonstrando o "alto" nível que, infelizmente, já é bem do conhecimento de todos nós.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A táctica dos medíocres

Depois do presidente do Vitória de Setúbal se ter pronunciado sobre a continuidade do FC Porto na Taça da Liga e do clube ter emitido um comunicado oficial em que anuncia a intenção de recorrer da decisão do Conselho de Disciplina, foi agora a vez do treinador da equipa sadina vir demonstrar o seu desagrado. Em entrevista à TSF, José Mota disse que:

 «O futebol português tinha aqui uma oportunidade forte para demonstrar que há justiça. Mas infelizmente continuamos a verificar os mesmos momentos, as mesmas situações e as mesmas desilusões

Depois do Benfica ter ganho o tristemente célebre "Campeonato dos túneis", beneficiando de um conjunto de decisões perfeitamente inacreditáveis da Comissão Disciplinar da Liga que interferiram directamente com o livre desenrolar da competição e, consequentemente, mancharam indelevelmente a verdade desportiva da mesma, parece ter-se incutido na cabeça de alguns energúmenos a crença doentia de que é possível ganhar títulos à custa de expedientes de secretaria. Só nesta perspectiva se pode compreender que os dirigentes e técnicos de um clube que, dentro das quatro linhas, perdeu o direito de prosseguir na Taça da Liga pela via desportiva, pretenda agora reconquistar esse direito por meio de subterfúgios legais que mais não são do que a táctica dos medíocres. E ainda têm a lata de falar em... justiça???
As regras desportivas devem ser criadas tendo em mente a salvaguarda dos valores desportivos. Ponto final. Quando uma regra é mal redigida e abre espaço a dúbias interpretações, pode tornar-se, ela própria, numa ferramenta de manipulação da verdade desportiva que, supostamente, deveria proteger. A utilização pelo FC Porto de 3 jogadores jovens em dois jogos consecutivos num espaço inferior a 72 horas pode ser visto como um desrespeito pelos regulamentos (e, como tal, punível à luz dos mesmos), mas não representa um atentado à verdade desportiva da competição, nem constitui uma infracção tão grave que justifique uma punição severa de âmbito desportivo como é a subtracção de pontos (e muito menos quando essa subtracção de pontos resulta na eliminação da prova). Não estamos aqui perante um caso de utilização de substâncias dopantes que confiram vantagem física aos atletas sobre os adversários, nem a corrupção de árbitros ou jogadores adversários, nem qualquer outro acto ilícito que represente o falseamento do resultado do jogo. Como tal, a aplicação desta lei, na forma absurda como se encontra definida, acabará por constituir a inversão dos valores desportivos pois, para todos os efeitos, determinará a eliminação da equipa que, dentro das quatro linhas, conquistou desportivamente o direito de seguir na prova, em beneficio de outra que, nas mesmas condições, foi derrotada. Obviamente, só por desonestidade ou puro fanatismo clubístico se poderá pactuar com esta farsa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Isto vai sair-te barato!


Alguns jornais de terça-feira garantiram que Pedro Proença utilizou uma expressão ameaçadora no curto diálogo que manteve com Oscar Cardozo, logo após ter mostrado o cartão vermelho ao avançado do Benfica. O jornal A BOLA fez mesmo disso alarido, tendo publicado na sua 1ª página que o árbitro teria dito algo como «Isto vai sair-te caro!». Entretanto, Pedro Proença já veio negar publicamente que tenha proferido tais palavras e os factos parecem comprovar a veracidade desta sua alegação. Afinal, tendo em conta que o paraguaio será suspenso por apenas um jogo, o mais provável é que o árbitro tenha dito «Isto vai sair-te barato!» E não é que acertou?!!

QUE LA CHUPEN Y QUE LA SIGAN CHUPANDO!

O FC Porto vai continuar na Taça da Liga. A decisão do Conselho de Disciplina da FPF, divulgada hoje, acaba definitivamente com mais uma lamentável novela fabricada pelo lobby lisboeta que pretendia assim eliminar precocemente o clube azul-e-branco desta competição através de expedientes de secretaria. Nada a que, infelizmente, não estejamos já habituados, vindo de quem vem.
Álvaro Baptista, membro da Secção Profissional do Conselho de Disciplina e Relator do Processo, explicou publicamente a decisão do Conselho de Disciplina:

«O CD entendeu que o artigo 13º do anexo V do Regulamento das Competições não se aplica à Taça da Liga. Esse artigo era a base da acusação, quer relativamente ao F.C. Porto, quer aos atletas. O regulamento diz de forma expressa "regulamento de inscrição e participação de equipas B na II Liga por clubes da I Liga". Não tinha sentido estar a fazer-se uma interpretação por remissão de um artigo genérico que consta no regulamento da Taça da Liga».

Esta explicação não deixa margem para dúvidas de que este processo não passou de um folhetim mal-amanhado, sem qualquer fundamento à luz dos regulamentos, criado e alimentado pela máquina propagandista afecta aos interesses encarnados, com especial destaque para o jornal A BOLA que, na sexta-feira passada (ou seja, com quase uma semana de antecedência) já se regozijava com a exclusão do FC Porto da Taça da Liga. Não se espere agora qualquer pedido de desculpa por parte deste jornal. O assumir dos erros é um acto demasiado nobre para gentalha desta estirpe. Satisfaçamo-nos apenas com o prazer de imaginar a azia que a maldita escumalha da Travessa da Queimada deve estar a sentir neste momento, perante este desfecho do processo que constitui mais uma violenta estocada nas suas insidiosas pretensões. Parafraseando uma certa estrela do futebol mundial que já demonstrou não ter papas na língua na hora de dizer o que pensa àqueles que o querem prejudicar, «QUE LA CHUPEN Y QUE LA SIGAN CHUPANDO»!

Apologia da violência

Não é todos os dias que uma equipa marca dois golos ao Benfica num só jogo. O FC Porto fê-lo em pleno Estádio da Luz e o Nacional fê-lo também no passado Domingo, ambos com inteiro mérito. Num país habituado ao futebolzinho patético praticado pela esmagadora maioria das equipas ditas "pequenas" que, nos confrontos com os "grandes", se limitam a estacionar o autocarrro em frente da sua baliza esperando um milagre surgido em forma de contra-ataque ou outro lance fortuito, este feito dos insulares deveria merecer rasgados elogios por parte dos analistas e entendidos da bola, mas, dois dias decorridos após o apito final de Pedro Proença na Madeira, não é nada disso que se vê. Em vez do merecido reconhecimento do belo jogo realizado pelo Nacional, assiste-se agora a mais um deplorável espectáculo de mau-perder e de antidesportivismo, protagonizado pelos suspeitos do costume e com o mesmo objectivo de sempre: retirar mérito aos adversários e passar para a opinião pública a falsa ideia de que, independentemente do que aconteça, o Benfica nunca perde pontos por culpa própria. Tudo, obviamente, com a preciosa colaboração de uma imprensa lisboeta intelectualmente corrupta que, na defesa intransigente dos interesses encarnados, se dá ao luxo de branquear actos condenáveis dos seus jogadores, numa atitude que se pode muito bem confundir com uma execrável apologia da violência contra jogadores adversários e árbitros.
Não é por mero acaso que ontem, no programa "Dia seguinte", a SIC se "esqueceu" convenientemente de passar em análise as imagens do lance do penalty cometido por Luisão sobre Keita numa altura em que o jogo se encontrava empatado a dois golos. Na realidade, o visionamento televisivo dos lances polémicos que, supostamente, deveriam fundamentar a indignação benfiquista sobre a arbitragem de Pedro Proença, acabaram por demonstrar que o juiz decidiu correctamente na generalidade dos casos. Por exemplo, no primeiro golo dos nacionalistas não existe qualquer irregularidade, já que, no momento do passe, Luisão encontra-se recuado em relação à linha do avançado, colocando-o em jogo, e  na expulsão de Cardozo, só um mentecapto poderá alegar que não existiu matéria de facto para a amostragem de cartão vermelho directo. Pois se até uma simples tentativa de agressão sem contacto físico é motivo de expulsão à luz dos regulamentos, o que dizer de um pontapé intencional na perna de um adversário com o jogo interrompido?
Em suma, de todos os lances de que se queixa, apenas na expulsão de Matic o Benfica poderá ter razão pois, apesar das imagens televisivas provarem o contacto do cotovelo do jogador encarnado com o queixo de Candeias, não são esclarecedoras quando à intencionalidade do lance. Perante estes factos, é óbvio que não interessa absolutamente nada ao lobby lisboeta que sejam mostradas imagens de lances em que o Benfica tenha sido beneficiado, já que estas viriam deitar por terra a estratégia de vitimização que desde há muito implementaram. Só assim se compreende que, num jogo com arbitragem polémica, tenha sido escamoteado aos olhos do público o tal penalty de Luisão, como se se tratasse de um lance sem importância. É óbvio que a intenção desta gentalha nunca foi analisar a arbitragem, mas sim manipular a opinião pública através da escolha selectiva dos casos.
Não é pelo facto de Pedro Proença ter sido considerado o melhor árbitro do mundo que o mesmo estará isento de erros, mas, ao contrário do que o lobby lisboeta insiste em apregoar, Pedro Proença não erra só em prejuízo do Benfica, nem erra tanto em prejuízo do Benfica como pretendem alegar. É óbvio que, se a imprensa filtrar todos os lances em que o juiz beneficiou a equipa da Luz e mostrar apenas os lances em que os lisboetas foram prejudicados, a ideia que passará para o público será a de que o Benfica é vítima de uma perseguição atroz, movida por gente maléfica que se move nas sombras. Mais uma vez, só os mentecaptos poderão acreditar em tal ideia, mas infelizmente há muita gente em Portugal que parece padecer dessa condição, pelo menos a julgar pela quantidade de imbecis que, um pouco por toda a blogosfera, continuam  a defender a ideia de que o pobre Benfica empatou na Madeira por culpa do árbitro.