sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A táctica dos medíocres

Depois do presidente do Vitória de Setúbal se ter pronunciado sobre a continuidade do FC Porto na Taça da Liga e do clube ter emitido um comunicado oficial em que anuncia a intenção de recorrer da decisão do Conselho de Disciplina, foi agora a vez do treinador da equipa sadina vir demonstrar o seu desagrado. Em entrevista à TSF, José Mota disse que:

 «O futebol português tinha aqui uma oportunidade forte para demonstrar que há justiça. Mas infelizmente continuamos a verificar os mesmos momentos, as mesmas situações e as mesmas desilusões

Depois do Benfica ter ganho o tristemente célebre "Campeonato dos túneis", beneficiando de um conjunto de decisões perfeitamente inacreditáveis da Comissão Disciplinar da Liga que interferiram directamente com o livre desenrolar da competição e, consequentemente, mancharam indelevelmente a verdade desportiva da mesma, parece ter-se incutido na cabeça de alguns energúmenos a crença doentia de que é possível ganhar títulos à custa de expedientes de secretaria. Só nesta perspectiva se pode compreender que os dirigentes e técnicos de um clube que, dentro das quatro linhas, perdeu o direito de prosseguir na Taça da Liga pela via desportiva, pretenda agora reconquistar esse direito por meio de subterfúgios legais que mais não são do que a táctica dos medíocres. E ainda têm a lata de falar em... justiça???
As regras desportivas devem ser criadas tendo em mente a salvaguarda dos valores desportivos. Ponto final. Quando uma regra é mal redigida e abre espaço a dúbias interpretações, pode tornar-se, ela própria, numa ferramenta de manipulação da verdade desportiva que, supostamente, deveria proteger. A utilização pelo FC Porto de 3 jogadores jovens em dois jogos consecutivos num espaço inferior a 72 horas pode ser visto como um desrespeito pelos regulamentos (e, como tal, punível à luz dos mesmos), mas não representa um atentado à verdade desportiva da competição, nem constitui uma infracção tão grave que justifique uma punição severa de âmbito desportivo como é a subtracção de pontos (e muito menos quando essa subtracção de pontos resulta na eliminação da prova). Não estamos aqui perante um caso de utilização de substâncias dopantes que confiram vantagem física aos atletas sobre os adversários, nem a corrupção de árbitros ou jogadores adversários, nem qualquer outro acto ilícito que represente o falseamento do resultado do jogo. Como tal, a aplicação desta lei, na forma absurda como se encontra definida, acabará por constituir a inversão dos valores desportivos pois, para todos os efeitos, determinará a eliminação da equipa que, dentro das quatro linhas, conquistou desportivamente o direito de seguir na prova, em beneficio de outra que, nas mesmas condições, foi derrotada. Obviamente, só por desonestidade ou puro fanatismo clubístico se poderá pactuar com esta farsa.

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