terça-feira, 30 de abril de 2013

Miguel Sousa Tavares - Cristalino como água!

«Caro Eduardo Barroso: Carta recebida, carta respondida. Aqui vai, pois. Primeiro de tudo,retribuo o que é sincero: a estima e admiração, a tal «amizade à distância» e as cordiais discordâncias desportivas ou desencontros de paixões antagónicas. E, a seguir, declaro que sei que partilharmos algumas outras paixões, essas não antagónicas: o amor pela Baía de Lagos e Ria de Alvor, na parte ainda a salvo dos piratas, pelo peixe grelhado, pelos livros e pela música, pelo futebol como arte irracional, por um puro fumado ao final da tarde, com os olhos magoados de sal e de azul, nesses dias de tréguas de Verão, sem vencedores nem vencidos, a que chamam «defeso», e onde nada é mais importante do que ver a felicidade a desaparecer devagar no horizonte em todos os finais de dia, sabendo que estará de volta na manha seguinte. Pensando nisso, nesse teu gosto pela beleza das coisas, tenho pena de ti, cujo clube joga no horrendo Estádio de Alvalade, enquanto que o meu joga no mais bonito estádio que conheço. (Toma isto como um indicador, mais um, da desgraça que se abateu sobre o teu clube nas últimas décadas, comparada com a glória que levou o nome do meu aos quatro cantos do mundo). Sobre a minha última crónica aqui, tu dizes, e com razão, que o que mais me indignou no que fizeram ao teu Sporting na Luz foi o que disso sobrou para o meu FC Porto. Pois claro que sim! É que, desculpar-me-ás que te diga, quem se quis atingir não foi o Sporting (vegetando num 7ºlugar a 37 pontos do Benfica!), mas, obviamente o FC Porto, disputando com o Benfica um campeonato ponto a ponto. E, se dúvidas restassem, bastaria atentar nos comentários dos benfiquistas à capelada da Luz: o alvo deles não eram vocês, mas nós. Assim, enquanto que uns, assobiando para o ar, diziam coisas piedosas tais como «não há derby sem casos» ou «tirando as polémicas, o Sporting não leve nenhuma oportunidade de golo» (pudera, se o árbitro negou todas!), os outros, os institucionais, lá vieram com o Apito Dourado e o «Papa» e o passado - na versão deles e com o condão de desculpar todo o presente e qualquer futuro. Vocês, desculpa que te diga, foram apenas um peão na engrenagem, como a Académica e outros neste campeonato, colocados no caminho do «legado de transparência e verdade». E agora que o novo presidente do teu clube me parece tão ansioso por encontrar uma fórmula de amizade e vassalagem com o campeão da verdade e transparência, deixa apenas que te recorde coisas de um passado recente de tal campeão: - todos os clubes tem claques pouco recomendáveis, mas o único clube que tem claques condenadas em tribunal criminal, enquanto organização, é o SLB. O único cuja claque matou um adepto adversário em pleno estádio foi o SLB (numa final da Taça contra o Sporting). O único cuja claque atacou um autocarro de um clube adversário no seu estádio, deixando um jogador em coma, e nem um pedido de desculpas apresentou, foi o SLB (num Benfica-Porto em hóquei em patins, na Luz); - o único clube cujo treinador insultou, com gestos de uma ordinarice inimaginável, os adeptos adversários em pleno pavilhão destes e nada lhe sucedeu, foi o SLB (no último jogo do campeonato de basquete do ano passado). - o único clube que disputou a primeira Liga com um director de futebol que era simultaneamente presidente de outro clube da primeira Liga, foi o SLB, com José Veiga. - o único clube que, em consequência do facto anterior, convenceu o adversário a transferir um jogo em sua casa para campo neutro e onde o jogo lhe era mais favorável, foi o SLB, num decisivo jogo contra o Estoril, transferido para o Algarve; - o único clube que compra, ou anuncia o seu interesse em comprar, jogadores de um clube adversário nas vésperas de o ir defrontar, é o SLB (o último consumado foi o Jardel, do Olhanense, comprado na manhã do próprio jogo e logo impedido de o disputar); - o único clube que tem um presidente na cadeia (e só depois de ter perdido a reeleição e se ter apurado que roubara o proprio clube) é o SLB; - o único clube que montou toda uma operação engendrada ao pormenor e com cumplicidades no topo para retirar da competição o melhor jogador do adversário principal, foi o SLB (com o vergonhoso episódio do túnel da Luz, através do qual o Hulk foi afastado do campeonato num momento decisivo); — o único clube cujo presidente foi apanhado nas célebres escutas do Apito Dourado a escolher literalmente um árbitro para um jogo junto do presidente da Liga, foi o SLB; — o único clube cujo presidente ousou afirmar que era mais importante ter os homens certos nos lugares certos da estrutura da Liga do que ter uma boa equipe, foi o SLB; - o único clube que, tendo ficado em terceiro lugar no campeonato, montou uma estrangeirinha para afastar o campeão (que lhe ganhara com mais de 20 pontos de avanço) e assim tentar conquistar um lugar de acesso à Champions, foi o SLB; — o único clube que vos conquistou uma Taça da Liga através de uma arbitragem tão transparente e verdadeira que a Taça ficou para sempre conhecida pelo nome do árbitro, foi o SLB; — o único clube que o Fisco e a Comissão de Acompanhamento das Dividas dos Clubes se esqueceram de controlar,permitindo que durante anos estivesse na ilegalidade e em condições de concorrência desleal, foi o SLB; - o único clube cuja direcção, precisando de favores do governo, compareceu a um acto público de campanha eleitoral de um partido politico que as sondagens davam como vencedor (e veio a sé-lo), foi o SLB, na campanha de Durão Barroso. Porque, meu caro Eduardo Barroso, há uma diferença abissal entre nós e eles, entre os portistas e os benfiquistas. Eles são incapazes de jamais reconhecerem mérito aos adversários, e nós sim (ainda há três semanas aqui o fiz). Eles não se importam de ganhar nem que seja por decreto-lei e nós importamo-nos. Eles têm a imprensa desportiva a cortejá-los, temê-los, branqueá-los, reverenciá-los, e nós não. Não encontrarás um portista que não reconheça que, de facto, o golo do Maicon na Luz, na época passada. foi em obtido em off-side, mas não encontraste um só benfiquista capaz de reconhecer, ao menos, um dos penalties que o Sr. Capela não viu. Assim como não viste um único a reconhecer que também o segundo golo do Benfica, no jogo da época passada contra o Porto, nasceu de um livre que não existiu, que talvez tenha havido um penalty por marcar contra o Benfica ou que, sobretudo, foi o Porto que fez por merecer ganhar o jogo. Eles são arrogantes e acham-se donos do futebol indígena, por direito divino, e nós não. Nós respeitámos e respeitamos o Benfica do Eusébio e as suas conquistas europeias da década de sessenta, mas eles vivem a repetir que tudo o que nos ganhámos, na Europa e no mundo, foi com batota - como ainda agora o voltou a dizer o seu presidente. Mas é por isso mesmo que o SLB é hoje dono de um estatuto, um triste estatuto, que eu devo confessar que também já foi nosso; o de ser o clube que, fora do universo dos seus adeptos, é o mais desprezado de todos. Quanto a vocês, Eduardo, o que eu digo e repito há anos é isto: que, quando, acumulando uma dívida de 500 milhões de euros, se consegue ficar habitualmente a 20,30 ou mais pontos de distância do campeão, tentar explicar isso com as arbitragens é tapar o sol com uma peneira. Mais, até: em minha opinião, o constante choradinho do Sporting com os árbitros tem tido o efeito de auto-desresponsabilização, com os resultados à vista. Até porque certamente não irás ver nenhum correligionário a reconhecer, por exemplo, que acabam de ganhar dois pontos ao Nacional com um golo exactamente igual ao tal do Maicon na Luz ou que ganharam um ao Guimarães graças a um penalty evidente perdoado no último minuto, em Alvalade. Mas é evidente que vocês não beneficiam de arbitragens à Capela. Nem vocês nem nós. Porque o sistema tem um nome e é SLB.»

Miguel Sousa Tavares in A BOLA

P.S. - Como é meu hábito, gostaria de salientar a negrito as partes principais deste brilhante texto de Miguel Sousa Tavares, mas não consegui pois dei comigo a salientar o texto todo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O verdadeiro legado de Vieira

Depois de ter andado uma semana inteira caladinho como um rato, eis que o presidente do Benfica veio finalmente a público. Para dizer o quê? Para lamentar o atentado à verdade desportiva a que todos assistimos no passado domingo à noite e prometer que não se voltará a repetir tamanha vergonha? Para pedir desculpa ao Sporting pelo assalto à mão armada de que foi vítima no Estádio da Luz? Claro que não! O dirigente que tanto se gaba de ser paradigma de transparência e verdade, veio para atacar o Porto com a cassete do costume: "Ah e tal, só nós é que somos honestos, só nós é que ganhamos tudo limpinho, os outros não podem dizer o mesmo...". Pois... é um discurso muito bonito para enganar os papalvos do costume, mas sobre a obscena arbitragem do Capela no clássico da Luz nem uma palavra, como convém. Uma coisa temos de reconhecer: quer se queira quer não, Vieira deixará uma marca profunda no futebol português, pois, sempre que conquista um título, a competição ganha um novo nome: Liga Estorilgate, Lucílio Cup, Campeonato dos Túneis, Liga da Capela...

domingo, 28 de abril de 2013

A corrupção intelectual e suas (queridas) manhas

Depois de uma semana recheada de polémica em torno da arbitragem obscena de João Capela no clássico do passado domingo, era evidente que o lobby lisboeta estava desejoso que chegasse esta jornada para sacudir a pressão colocada sobre o clube da Luz, de preferência desviando as atenções para o FC Porto, nem que para tal fosse necessário inventar casos. Assim, logo após o término do jogo FC Porto-Vitória de Setúbal, os fóruns de discussão e os blogues afectos à cor encarnada encheram-se de inúmeros comentários de adeptos benfiquistas que, espumando pelos cantos da boca, acusavam Carlos Xistra de ter influenciado o resultado a favor dos portistas, designadamente pela não marcação de dois penalties, ambos por mão de Danilo.
Mandava o bom senso que, pelo menos, se esperasse pela devida análise das imagens televisivas, evitando-se assim cair no ridículo de tirar conclusões precipitadas sobre alegados erros de arbitragem, mas, para esta gente acéfala que facilmente emprenha pelos ouvidos, bastaram as queixas do treinador do V. Setúbal (é raro o jogo em que José Mota não se vitimize) e os comentários da BenficaTV (esse belo exemplo de isenção e idoneidade) para que logo viessem instalar a confusão.
Obviamente, a realidade não se compadece com estas tentativas desonestas de viciação da verdade e os factos acabam por falar por si. As imagens televisivas comprovam que, em ambos os casos, Danilo tem os braços bem encostados ao corpo e não efectua qualquer movimento que indicie a intenção de cortar a bola. Além disso, o próprio contacto é legal, pois se no primeiro caso a bola embate apenas no tronco do jogador, no segundo caso a bola toca no ombro. Esta análise é corroborada pelos três elementos do Tribunal de O JOGO, como facilmente se observa:


Lamentavelmente, há uma classe de pseudo-jornalistas que, passando por cima das mais básicas regras deontológicas que devem reger a sua profissão, perderam completamente a vergonha de assumir uma postura totalmente facciosa em prol do Benfica e que, fazendo uso de um discurso viciado, impingem ao público a sua versão distorcida dos factos, manipulando a opinião pública em função dos interesses dos seus apaniaguados. É claramente o caso de João Querido Manha que, na edição de hoje do Record, assina um artigo de opinião intitulado "Fruta da época" que não passa de uma vergonhosa demonstração de corrupção intelectual. Este indivíduo, que passou a semana anterior sem proferir o mais pequeno comentário sobre a polémica arbitragem de Capela na Luz (um jogo em que os leões têm motivos concretos de queixa em cinco erros graves de arbitragem com influência directa no desenrolar do jogo e no resultado do mesmo), tem a distinta lata de vir agora reclamar por um penalty não assinalado por Carlos Xistra contra os dragões. Um dos tais penalties que as imagens comprovam não existir, tal como os analistas do Tribunal de O JOGO unanimemente consideraram.
Qual é o alvo este pseudo-jornalismo? Trata-se obviamente de um discurso demagógico dirigido para aqueles que, incapazes de fazer uso do cérebro que Deus lhes deu, se deixam manipular há décadas por uma máquina propagandista bem oleada cujo objectivo é, única e exclusivamente, encher os bolsos de caciques da capital à custa da ingenuidade do Zé Povinho.

sábado, 27 de abril de 2013

Onde se terá enfiado o papagaio Gabriel?

Onde se terá enfiado este papagaio? Estará escondido nalgum buraco? Ninguém o ouve a piar, porque será?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Silêncio ensurdecedor perante um caso de polícia

Segundo noticia hoje a Rádio Renascença, o observador nomeado para o Benfica-Sporting do passado domingo, Luís Ferreira, deu nota muito positiva à actuação do árbitro João Capela, por considerar correctas as suas decisões em todos os lances em que os leões ficaram a queixar-se de grande penalidade. Os 3.7 pontos atribuídos ao trabalho do juiz de Lisboa correspondem a um "Bom Mais", uma nota considerada muito acima da média.
Este caso já seria, por si só, suficientemente grave para justificar uma investigação séria por parte das autoridades e entidades que gerem o futebol nacional, mas a nota atribuída a Capela e o silêncio que se verifica por parte da Comissão de Arbitragem, aliadas à tentativa despudorada de branqueamento do escândalo verificada por parte de alguma comunicação social da capital do império ultramarino, vêm reforçar a ideia de que algo de muito podre se passa nos meandros da Liga. Até quando continuaremos a assistir a este silêncio ensurdecedor perante esta pouca-vergonha que é claramente um caso de polícia?

Entretanto, Jorge Coroado escreveu esta semana na sua coluna de opinião do jornal O JOGO o seguinte:

«No fim da tarde de domingo, dando cumprimento à autêntica aberração da nomeação, João Capela subiu ao relvado do Estádio da Luz para dirigir o seu segundo dérbi da capital. Optando por deixar andar, sem preocupação na aplicação das regras, protagonizou actuação nada simpática...
Mais gritante que as possíveis grandes penalidades não assinaladas foi a mudança de critério do primeiro para o segundo período. Ganhou uma medalha: a de jogo com menor número de faltas neste campeonato; ao mesmo tempo obteve a confirmação de, ao contrário da "douta"  opinião do treinador do Benfica, só estar fadado para grandes feitos se continuar com a protecção divina

Como facilmente se constata, Jorge Coroado também considera uma autêntica aberração a escolha de Capela para arbitrar este jogo e vai mais longe dizendo que não augura grande futuro para este árbitro, excepto se continuar a beneficiar de protecção divina. Ora, acreditando que estas palavras se inserem num contexto futebolístico e não religioso, até porque a Páscoa já passou, de quem será a "protecção divina" a que se refere?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Limpinha, limpinha, como a cara do Capelinha...

Decididamente, receber lições de moral de um benfiquista é como ouvir o Bin Laden a dar catequese. O discurso até pode ser muito rebuscado, mas só um burro é que acredita nessa treta.
Esta excelente compilação de imagens mostra-nos que Jorge Jesus tem toda a razão quando diz que a vitória do Benfica no passado domingo foi... "limpinha"...



São arbitragens como esta que justificariam uma investigação por parte do Ministério Público, pois ninguém minimamente sério poderá deixar de reconhecer que isto tresanda a podre. No entanto, é completamente improvável que as autoridades de Lisboa, tão zelosas com tudo o que acontece a Norte do Mondego, se venham a mostrar muito preocupadas em chafurdar nesta pocilga, não vá descobrirem aquilo que não querem e depois era uma chatice.
Também o Benfica, se fosse realmente um clube de gente séria como tanto apregoa que é, seria o primeiro a exigir junto da Liga que este jogo fosse repetido, tão evidente foi a viciação da verdade desportiva a que se assistiu por parte de João Capela. Mas todos sabemos que os "reis da moralidade", aqueles que não perdem uma oportunidade para apontar o dedo acusador aos outros por tudo e por nada, têm um conceito muito flexível de verdade desportiva que muda conforme lhes dá mais jeito. É limpinho...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Terrorismo encapotado

Não costumo ver nenhum daqueles programas de discussão futebolística onde geralmente marcam presença três representantes dos clubes grandes, pois há muito que perdi a paciência para assistir a discussões fúteis e estéreis entre personagens que, de um modo geral, nada percebem de futebol. No entanto, ontem tive muita curiosidade em assistir ao Dia Seguinte com o objectivo de ver qual seria a reacção do Rui Gomes da Silva perante os vários casos polémicos de que o seu clube beneficiou no passado domingo e devo reconhecer que o espectáculo oferecido por este "paineleiro" excedeu as minhas melhores expectativas.
Depois dos primeiros dez minutos em que, numa autêntica sessão de malabarismos verbais, procurou desviar as atenções para tudo menos os casos do jogo, o representante do Benfica lá começou a desfiar uma série de argumentos demagógicos na tentativa de negar aquilo que as imagens mostravam aos olhos de todos. Na sua opinião, não terá existido nenhum dos penalties de que o Sporting se queixa pelo simples facto de (pasme-se!) não conseguir sequer descortinar nenhum contacto, e as entradas violentas de Maxi Pereira não passaram afinal de faltas normais no futebol inglês! Nem mesmo a repetição das imagens de diversos ângulos, em câmara lenta e aumentadas conseguiram desviar esta personagem do discurso falacioso que levava ensaiado: o Benfica não foi beneficiado em nenhum lance e o Capela fez uma excelente arbitragem! Ponto final! Escusado será dizer que, a certa altura, a minha mulher deu comigo a rebolar a rir em cima do sofá...
Eu não consigo acreditar que a cegueira clubística desta gente seja de tal ordem que não consigam ver aquilo que as imagens evidenciam de forma clara. É óbvio que vêem. Nem consigo acreditar que não se apercebam do triste papelinho que fazem aos olhos dos milhões de portugueses que não partilham da sua visão distorcida dos factos. É claro que se apercebem. Esta postura fanática, obcecada, doentia, tem como objectivo óbvio passar uma mensagem essencialmente dirigida para a massa adepta encarnada: a de que, seja em que circunstâncias for, não poderão admitir que nenhum penalty seja assinalado contra a sua equipa.
Talvez esteja aqui a explicação de os árbitros demonstrarem tanto medo na hora de apontar para a marca de grande-penalidade sempre que as faltas ocorrem na área do Benfica. Se eu próprio, pelo simples facto de manter este blogue onde escrevo livremente as minhas opiniões, já senti na pele as reacções fanáticas de gente que pretendia fazer-me calar à custa de insultos e ameaças físicas dirigidas a mim e à minha família, não imagino sequer o clima de medo em que deve viver um árbitro que cometa a  desfaçatez de assinalar um penalty contra o clube da Luz, por mais evidente que este possa ser. Não podendo proteger-se no anonimato, um simples passeio com os filhos no parque deverá constituir uma terrível experiência de permanente sobressalto. E quem diz no parque, diz no Colombo, obviamente. De quem é a culpa? De dirigentes demagogos como Rui Gomes da Silva, peritos na manipulação de massas; de órgãos de comunicação intelectualmente corruptos como a SIC, preocupados apenas com as audiências; e das autoridades, incapazes de controlar esta forma encapotada de terrorismo.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Arbitragem criminosa

Quando se diz que o árbitro teve influência directa no desfecho de uma partida que acabou com o resultado de 2-0 a favor de uma das equipas, isto diz tudo sobre a isenção da arbitragem a que se assistiu.
Uma semana após ter condicionado a final da Taça da Liga com um penalty polémico, João Capela foi à Luz entregar o campeonato de bandeja ao Benfica com uma arbitragem verdadeiramente criminosa. Num jogo em que os encarnados não podiam perder pontos sob pena de ficarem à mercê do FC Porto a poucas semanas da deslocação ao Dragão, João Capela inclinou completamente o campo em favor da equipa da casa, fazendo vista grossa a três penalties e perdoando a expulsão a Maxi Pereira, não obstante o jogador do Benfica, como é seu timbre, ter cometido várias entradas duras e cometido dois dos penalties que ficaram por assinalar.
 O mesmo arbitro que, há uma semana atrás, assinalou um penalty contra o FC Porto que as imagens televisivas demonstraram não existir, conseguiu agora a proeza de nada assinalar em quatro lances duvidosos, todos eles ocorridos na área do Benfica. O que terá mudado no espaço de uma semana? Terão sido os regulamentos do futebol? Terão os árbitros recebido novas orientações da UEFA? Claro que não. O que mudou foi a cor das camisolas dos jogadores envolvidos e, obviamente, a predisposição de um árbitro que começa a dar mostras de um facciosismo preocupante.
Tal como Jesualdo Ferreira afirmou no final da partida, o Benfica não precisava do Capela para ser campeão. A equipa da Luz podia ter vindo ao Dragão arrancar um empate ou mesmo uma vitória, sagrando-se assim campeão com mérito, mas está visto que o lobby lisboeta não queria correr riscos desnecessários e pretendia decidir o campeonato a favor do Benfica bem antes do final da época, antevendo as dificuldades da meia-final da Liga Europa e a final da Taça de Portugal.
Quando eu afirmei anteriormente que ainda  acreditava na revalidação do título por parte do FC Porto, é óbvio que a minha fé se baseava na premissa de que as coisas pudessem acontecer com transparência e isenção. No entanto, o que ontem se passou na Luz deixou bem claro que, independentemente do que os portistas ainda pudessem fazer, a decisão do campeonato já não estava nas suas mãos. João Capela bem podia ter entregue, em mão, as faixas de campeão ao Benfica na noite de ontem. Despachava-se o inevitável e poupava-se o público ao arrastar dessa farsa que serão as quatro últimas jornadas.

sábado, 20 de abril de 2013

É assim mesmo, Jackson!

Após seis jogos sem marcar, Jackson Martínez regressou aos golos, assinando dois dos três tentos com que o FC Porto "aviou" o Moreirense esta noite. No final da partida, o avançado colombiano afirmou que ainda acredita que podemos ser campeões, desde que a equipa portista continue a fazer o que lhe compete, ou seja, vencer os jogos que lhe restam até final da prova. É este o espirito que o FC Porto deve incutir nos seus jogadores, pois neste clube nunca se atira a toalha ao chão!

Vamos lá, rapaziada!

Quero uma exibição de gala e um resultado a condizer, hoje, frente ao Moreirense, para que amanhã possamos assistir de poltrona ao clássico lisboeta, esperando para ver o que os Deuses da bola destinaram para este final de campeonato. Força, Porto!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Taça da Capela

Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Não há volta a dar. Ano após ano, a Taça da Liga tem vindo a ser palco de estranhas e inusitadas situações que lhe foram valendo os mais variados epítetos. Já foi Taça da Cerveja, já foi Taça Lucílio e agora só não será a Taça da Capela porque o lobby lisboeta já tocou a reunir no sentido de branquear um facto incómodo que as imagens televisivas documentam mas que não convém que seja dito: João Capela teve influência directa no resultado da final e, consequentemente, no desfecho da competição
O árbitro lisboeta já havia protagonizado recentemente uma arbitragem habilidosa na Madeira onde prejudicou ostensivamente o FC Porto em vários lances, alguns com influência directa no resultado. No passado Domingo, o mesmo juiz condicionou completamente o desenrolar do jogo ao assinalar um penalty em cima do intervalo que, por aquilo que é dado a ver nas imagens televisivas, é forçado por Mossoró, e expulsou injustamente Abdoulaye deixando os portistas em inferioridade numérica durante 45 minutos.

Poder-se-á dizer em defesa de Capela que a rapidez do lance e a matreirice de Mossoró, sobejamente conhecida por todos os que acompanham o futebol português, iludiriam qualquer árbitro, mas só por manifesta desonestidade ou má-fé se pode alegar que o penalty foi bem assinalado quando, em câmara lenta e numa determinada perspectiva oferecida pelas câmaras, se percebe facilmente que Abdulaye tenta cortar apenas a bola e coloca o pé no chão, sem tocar no adversário. É Mossoró quem promove o contacto com o defesa, arrastando o pé ainda antes de chegar junto deste:


Há alguns anos atrás, Lisandro Lopez foi suspenso pela Liga por, alegadamente, ter simulado um penalty que influenciou directamente o resultado de um jogo. Em nome de uma pretensa verdade desportiva, as forças da capital reuniram-se no intúito de punir exemplarmente o prevaricador, numa situação inusitada que, como já se previa, não voltou a repetir-se até hoje, apesar de muitos outros casos semelhantes terem sucedido desde então. É caso para perguntar agora: que tipo de punição deveria sofrer o jogador bracarense por influenciar o desfecho, não apenas de um simples jogo, mas de uma competição inteira? Aparentemente nenhuma, tendo em conta a atitude da imprensa e dos analistas de arbitragem que, perante estas imagens, procuram passar a ideia de que nada de errado se passou. Que se dane a tal verdade desportiva que, ora dá jeito, ora não dá, defender.

P.S.- A título de curiosidade: já repararam onde se encontra um jogador do Braga (Hugo Viana?) no momento da marcação do penalty? O árbitro, de costas para o dito jogador, não poderia vê-lo mas.. então e o juiz-de-linha que se encontra do lado de cá do campo? Enfim, vale tudo...


"A cagar d'alto"

Tal como não festejaria se o FC Porto tivesse conquistado a Taça da Liga, também não me sinto particularmente melindrado com a derrota na final (ainda para mais tendo sido frente ao SC Braga, clube por quem, como já devem ter reparado, nutro uma grande simpatia). Esta competição não me aquece nem arrefece e, sinceramente, até fico feliz que seja um clube de menor dimensão a conquistá-la, pois foi para esses que, na minha opinião, ela foi criada. Aquilo que me irritou solenemente neste serão de Domingo foi ver uma equipa, que já demonstrou ter valor mais do que suficiente para derrotar qualquer adversário nacional sem grandes dificuldades, passar a maior parte da partida com uma postura de quem se está, desculpem-me o calão, "a cagar d'alto".
Como uma vez disse José Mourinho, as finais são para se ganhar! Principalmente, acrescentaria eu, quando se corre o risco de chegar ao final da época sem um único título conquistado, algo que seria, até há bem pouco tempo atrás, impensável no Dragão. Ora, haverá alguém que, assistindo à final da Taça da Liga, terá ficado com a sensação de que a equipa se esforçou verdadeiramente para ganhar? Não me parece.
É óbvio que a sorte do jogo pendeu claramente para os arsenalistas que chegaram ao golo mesmo em cima do intervalo, numa altura em que nada haviam feito para o merecer, beneficiando de uma grande-penalidade (quanto a mim inexistente) e da consequente expulsão de Abdoulaye (que, sendo fruto de um lance indevidamente assinalado, foi injusta) que deixou os azuis-e-brancos a jogar em inferioridade numérica durante 45 minutos. Mas quantas e quantas vezes vimos o FC Porto superar todas as vicissitudes, ir para cima do adversário e dar a volta a resultados desfavoráveis, mesmo contra todas as probabilidades? Onde está esse Porto mandão, audaz, guerreiro, que me habituei a ver desde sempre? Mesmo a perder, mesmo em inferioridade numérica, o FC Porto tinha obrigação de dar tudo por tudo, suar a camisola, comer a relva, na tentativa de trazer a taça da cerveja para casa, mas não foi isso que se viu.
Não me deixarei arrastar pela vaga de críticas ao treinador que sempre se faz sentir quando as coisas correm mal, até porque, reconheço, possuo poucos créditos como técnico de futebol que me permitam vestir o papel de crítico. Acredito, por exemplo, que a aposta falhada em Abdoulaye (que já no jogo frente ao SC Braga a contar para a 1ª Liga cometeu erros de palmatória em demasia) encontra explicação à luz das limitações que as muitas lesões têm imposto ao técnico portista na gestão do plantel. Mas por que raio se substitui James Rodriguez por Atsu, abdicando assim de um dos poucos jogadores que ainda correm e tentam levar a equipa para o ataque? Porquê manter a defesa com os quatro elementos iniciais, em vez de fazer recuar uma peça do meio-campo e refrescar o ataque com um elemento capaz de criar desequilíbrios na bem estruturada defesa bracarense? E finalmente, o que está Liedson a fazer sentado no banco se nem nestas circunstâncias é chamado a entrar?
A vitória contundente frente a este mesmo SC Braga a contar para a 1ª Liga fez-me reforçar a ideia de que, se o FC Porto vencer os cinco jogos que faltam para o final do campeonato (incluindo, obviamente, o clássico no Dragão frente ao Benfica), tem ainda hipóteses de se sagrar campeão. O problema é que este "se" tem muito que se lhe diga. Eliminado da Liga dos Campeões, da Taça de Portugal e da Taça da Liga, já não há mais desculpas nem margem de manobra para fracas exibições como a deste Domingo em Coimbra. Agora é mesmo o tudo ou nada!
A próxima jornada oferece-nos um derby lisboeta e existem legítimas esperanças de que o Sporting possa ir à Luz fazer uma gracinha. Os leões roubaram dois pontos preciosos ao Porto e demonstram capacidade para, no mínimo, arrancar um empate frente aos vizinhos da 2ª Circular, deixando assim a decisão do campeonato para o clássico no Dragão. Mas nada disto terá interesse se o FC Porto não fizer aquilo que lhe compete, ou seja, ganhar. Há que dar tudo por tudo nos nossos jogos e esperar para ver o que vai acontecer nos outros campos.