segunda-feira, 15 de abril de 2013

"A cagar d'alto"

Tal como não festejaria se o FC Porto tivesse conquistado a Taça da Liga, também não me sinto particularmente melindrado com a derrota na final (ainda para mais tendo sido frente ao SC Braga, clube por quem, como já devem ter reparado, nutro uma grande simpatia). Esta competição não me aquece nem arrefece e, sinceramente, até fico feliz que seja um clube de menor dimensão a conquistá-la, pois foi para esses que, na minha opinião, ela foi criada. Aquilo que me irritou solenemente neste serão de Domingo foi ver uma equipa, que já demonstrou ter valor mais do que suficiente para derrotar qualquer adversário nacional sem grandes dificuldades, passar a maior parte da partida com uma postura de quem se está, desculpem-me o calão, "a cagar d'alto".
Como uma vez disse José Mourinho, as finais são para se ganhar! Principalmente, acrescentaria eu, quando se corre o risco de chegar ao final da época sem um único título conquistado, algo que seria, até há bem pouco tempo atrás, impensável no Dragão. Ora, haverá alguém que, assistindo à final da Taça da Liga, terá ficado com a sensação de que a equipa se esforçou verdadeiramente para ganhar? Não me parece.
É óbvio que a sorte do jogo pendeu claramente para os arsenalistas que chegaram ao golo mesmo em cima do intervalo, numa altura em que nada haviam feito para o merecer, beneficiando de uma grande-penalidade (quanto a mim inexistente) e da consequente expulsão de Abdoulaye (que, sendo fruto de um lance indevidamente assinalado, foi injusta) que deixou os azuis-e-brancos a jogar em inferioridade numérica durante 45 minutos. Mas quantas e quantas vezes vimos o FC Porto superar todas as vicissitudes, ir para cima do adversário e dar a volta a resultados desfavoráveis, mesmo contra todas as probabilidades? Onde está esse Porto mandão, audaz, guerreiro, que me habituei a ver desde sempre? Mesmo a perder, mesmo em inferioridade numérica, o FC Porto tinha obrigação de dar tudo por tudo, suar a camisola, comer a relva, na tentativa de trazer a taça da cerveja para casa, mas não foi isso que se viu.
Não me deixarei arrastar pela vaga de críticas ao treinador que sempre se faz sentir quando as coisas correm mal, até porque, reconheço, possuo poucos créditos como técnico de futebol que me permitam vestir o papel de crítico. Acredito, por exemplo, que a aposta falhada em Abdoulaye (que já no jogo frente ao SC Braga a contar para a 1ª Liga cometeu erros de palmatória em demasia) encontra explicação à luz das limitações que as muitas lesões têm imposto ao técnico portista na gestão do plantel. Mas por que raio se substitui James Rodriguez por Atsu, abdicando assim de um dos poucos jogadores que ainda correm e tentam levar a equipa para o ataque? Porquê manter a defesa com os quatro elementos iniciais, em vez de fazer recuar uma peça do meio-campo e refrescar o ataque com um elemento capaz de criar desequilíbrios na bem estruturada defesa bracarense? E finalmente, o que está Liedson a fazer sentado no banco se nem nestas circunstâncias é chamado a entrar?
A vitória contundente frente a este mesmo SC Braga a contar para a 1ª Liga fez-me reforçar a ideia de que, se o FC Porto vencer os cinco jogos que faltam para o final do campeonato (incluindo, obviamente, o clássico no Dragão frente ao Benfica), tem ainda hipóteses de se sagrar campeão. O problema é que este "se" tem muito que se lhe diga. Eliminado da Liga dos Campeões, da Taça de Portugal e da Taça da Liga, já não há mais desculpas nem margem de manobra para fracas exibições como a deste Domingo em Coimbra. Agora é mesmo o tudo ou nada!
A próxima jornada oferece-nos um derby lisboeta e existem legítimas esperanças de que o Sporting possa ir à Luz fazer uma gracinha. Os leões roubaram dois pontos preciosos ao Porto e demonstram capacidade para, no mínimo, arrancar um empate frente aos vizinhos da 2ª Circular, deixando assim a decisão do campeonato para o clássico no Dragão. Mas nada disto terá interesse se o FC Porto não fizer aquilo que lhe compete, ou seja, ganhar. Há que dar tudo por tudo nos nossos jogos e esperar para ver o que vai acontecer nos outros campos.

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