domingo, 28 de abril de 2013

A corrupção intelectual e suas (queridas) manhas

Depois de uma semana recheada de polémica em torno da arbitragem obscena de João Capela no clássico do passado domingo, era evidente que o lobby lisboeta estava desejoso que chegasse esta jornada para sacudir a pressão colocada sobre o clube da Luz, de preferência desviando as atenções para o FC Porto, nem que para tal fosse necessário inventar casos. Assim, logo após o término do jogo FC Porto-Vitória de Setúbal, os fóruns de discussão e os blogues afectos à cor encarnada encheram-se de inúmeros comentários de adeptos benfiquistas que, espumando pelos cantos da boca, acusavam Carlos Xistra de ter influenciado o resultado a favor dos portistas, designadamente pela não marcação de dois penalties, ambos por mão de Danilo.
Mandava o bom senso que, pelo menos, se esperasse pela devida análise das imagens televisivas, evitando-se assim cair no ridículo de tirar conclusões precipitadas sobre alegados erros de arbitragem, mas, para esta gente acéfala que facilmente emprenha pelos ouvidos, bastaram as queixas do treinador do V. Setúbal (é raro o jogo em que José Mota não se vitimize) e os comentários da BenficaTV (esse belo exemplo de isenção e idoneidade) para que logo viessem instalar a confusão.
Obviamente, a realidade não se compadece com estas tentativas desonestas de viciação da verdade e os factos acabam por falar por si. As imagens televisivas comprovam que, em ambos os casos, Danilo tem os braços bem encostados ao corpo e não efectua qualquer movimento que indicie a intenção de cortar a bola. Além disso, o próprio contacto é legal, pois se no primeiro caso a bola embate apenas no tronco do jogador, no segundo caso a bola toca no ombro. Esta análise é corroborada pelos três elementos do Tribunal de O JOGO, como facilmente se observa:


Lamentavelmente, há uma classe de pseudo-jornalistas que, passando por cima das mais básicas regras deontológicas que devem reger a sua profissão, perderam completamente a vergonha de assumir uma postura totalmente facciosa em prol do Benfica e que, fazendo uso de um discurso viciado, impingem ao público a sua versão distorcida dos factos, manipulando a opinião pública em função dos interesses dos seus apaniaguados. É claramente o caso de João Querido Manha que, na edição de hoje do Record, assina um artigo de opinião intitulado "Fruta da época" que não passa de uma vergonhosa demonstração de corrupção intelectual. Este indivíduo, que passou a semana anterior sem proferir o mais pequeno comentário sobre a polémica arbitragem de Capela na Luz (um jogo em que os leões têm motivos concretos de queixa em cinco erros graves de arbitragem com influência directa no desenrolar do jogo e no resultado do mesmo), tem a distinta lata de vir agora reclamar por um penalty não assinalado por Carlos Xistra contra os dragões. Um dos tais penalties que as imagens comprovam não existir, tal como os analistas do Tribunal de O JOGO unanimemente consideraram.
Qual é o alvo este pseudo-jornalismo? Trata-se obviamente de um discurso demagógico dirigido para aqueles que, incapazes de fazer uso do cérebro que Deus lhes deu, se deixam manipular há décadas por uma máquina propagandista bem oleada cujo objectivo é, única e exclusivamente, encher os bolsos de caciques da capital à custa da ingenuidade do Zé Povinho.

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