terça-feira, 23 de abril de 2013

Terrorismo encapotado

Não costumo ver nenhum daqueles programas de discussão futebolística onde geralmente marcam presença três representantes dos clubes grandes, pois há muito que perdi a paciência para assistir a discussões fúteis e estéreis entre personagens que, de um modo geral, nada percebem de futebol. No entanto, ontem tive muita curiosidade em assistir ao Dia Seguinte com o objectivo de ver qual seria a reacção do Rui Gomes da Silva perante os vários casos polémicos de que o seu clube beneficiou no passado domingo e devo reconhecer que o espectáculo oferecido por este "paineleiro" excedeu as minhas melhores expectativas.
Depois dos primeiros dez minutos em que, numa autêntica sessão de malabarismos verbais, procurou desviar as atenções para tudo menos os casos do jogo, o representante do Benfica lá começou a desfiar uma série de argumentos demagógicos na tentativa de negar aquilo que as imagens mostravam aos olhos de todos. Na sua opinião, não terá existido nenhum dos penalties de que o Sporting se queixa pelo simples facto de (pasme-se!) não conseguir sequer descortinar nenhum contacto, e as entradas violentas de Maxi Pereira não passaram afinal de faltas normais no futebol inglês! Nem mesmo a repetição das imagens de diversos ângulos, em câmara lenta e aumentadas conseguiram desviar esta personagem do discurso falacioso que levava ensaiado: o Benfica não foi beneficiado em nenhum lance e o Capela fez uma excelente arbitragem! Ponto final! Escusado será dizer que, a certa altura, a minha mulher deu comigo a rebolar a rir em cima do sofá...
Eu não consigo acreditar que a cegueira clubística desta gente seja de tal ordem que não consigam ver aquilo que as imagens evidenciam de forma clara. É óbvio que vêem. Nem consigo acreditar que não se apercebam do triste papelinho que fazem aos olhos dos milhões de portugueses que não partilham da sua visão distorcida dos factos. É claro que se apercebem. Esta postura fanática, obcecada, doentia, tem como objectivo óbvio passar uma mensagem essencialmente dirigida para a massa adepta encarnada: a de que, seja em que circunstâncias for, não poderão admitir que nenhum penalty seja assinalado contra a sua equipa.
Talvez esteja aqui a explicação de os árbitros demonstrarem tanto medo na hora de apontar para a marca de grande-penalidade sempre que as faltas ocorrem na área do Benfica. Se eu próprio, pelo simples facto de manter este blogue onde escrevo livremente as minhas opiniões, já senti na pele as reacções fanáticas de gente que pretendia fazer-me calar à custa de insultos e ameaças físicas dirigidas a mim e à minha família, não imagino sequer o clima de medo em que deve viver um árbitro que cometa a  desfaçatez de assinalar um penalty contra o clube da Luz, por mais evidente que este possa ser. Não podendo proteger-se no anonimato, um simples passeio com os filhos no parque deverá constituir uma terrível experiência de permanente sobressalto. E quem diz no parque, diz no Colombo, obviamente. De quem é a culpa? De dirigentes demagogos como Rui Gomes da Silva, peritos na manipulação de massas; de órgãos de comunicação intelectualmente corruptos como a SIC, preocupados apenas com as audiências; e das autoridades, incapazes de controlar esta forma encapotada de terrorismo.

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