terça-feira, 4 de junho de 2013

Hino ao desporto

Quem acompanha este blogue sabe que não é habitual falar-se aqui das modalidades amadoras, mas esta é uma das raras vezes em que se justifica plenamente uma excepção.
Contrariando todas as expectativas negativas criadas em torno deste jogo pelos nossos rivais, a verdade é que a final da Liga Europeia de hóquei em patins acabou por ser um hino ao desporto e uma excelente propaganda para a modalidade. Num jogo impróprio para cardíacos, as equipas defrontaram-se com extremo empenho e profissionalismo, mas sempre nos limites da correcção, dando assim um grande espectáculo com muitos golos e emoção. Venceu o Benfica com justiça, graças ao golo de ouro, tal como também o FC Porto teria sido um justo vencedor se a sorte lhe tivesse sorrido no prolongamento. Está assim de parabéns  a equipa encarnada pelo título que conquistou, mas também o FC Porto que, mesmo na hora da derrota, soube honrar o nome do clube e do país, dando uma imagem de desportivismo e de civismo que começa a tornar-se rara no desporto nacional. Nesse capítulo, realce para Reinaldo Ventura que, no final do jogo, foi o primeiro a acercar-se dos adversários para os felicitar pela vitória, e para o público que, não obstante a desilusão, presenteou os vencedores com aplausos. Um exemplo a reter, portanto.
Há que dizer, no entanto, que esta vitória encarnada não é de todos os benfiquistas, mas apenas dos jogadores e dos poucos adeptos que, contrariando a vontade da direcção benfiquista, fizeram questão de marcar presença no Dragão Caixa. Ninguém tem dúvidas de que a direcção benfiquista foi a principal culpada pela época desastrosa que o clube da Luz acabou por ter no futebol após vários meses pautados por atitudes prepotentes e festejos antecipados. Ora, foi por um triz que o Benfica não saiu derrotado também desta final ainda antes dela começar, mais uma vez graças à prepotência de dirigentes que, como é fácil de constatar, não andam no desporto pelo desporto, nem tão pouco pela defesa do clube que dirigem, mas sim pelas suas próprias vaidades e interesses mesquinhos.
Com uma birrinha própria de uma criança da escola, a direcção encarnada decidiu vir dizer "assim não brinco!" num comunicado emitido durante a madrugada que faz corar de vergonha qualquer pessoa naquele clube que ainda possua a noção do ridículo. Mais do que um insulto para o FC Porto, para a PSP do Porto e para a CERH, esta posição verdadeiramente patética e irresponsável do clube lisboeta, manifestada num texto que mais parece ter saído da mente conturbada de um bêbado acabado de sair de um bar do Bairro Alto, constituiu uma gritante falta de respeito para com a sua própria equipa que, com suor, havia conquistado o pleno direito de jogar esta final.
Por aqui se vê que nem o Vieira nem os seus sequazes alguma vez praticaram desporto ao mais alto nível. Se o tivessem feito, nunca cometeriam a desfaçatez de privar os jogadores do seu momento de glória em nome de politiquices imbecis. Enfim, um comportamento execrável, a acrescentar a tantos outros protagonizados pela mesma gentalha que, por exemplo, ainda recentemente andou a apelar aos seus adeptos para que não fossem aos estádios de futebol.
Felizmente para todos os amantes da modalidade, prevaleceu a vontade dos jogadores que levantaram a sua voz e exigiram realizar o jogo. São eles, unicamente eles, os verdadeiros obreiros desta vitória, e é para eles que reitero os meus sinceros parabéns, pelo título e pela coragem demonstrada.

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