segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Futebol paupérrimo e arbitragem facciosa

Primeiro ponto: o FC Porto protagonizou na Luz uma das piores actuações que tenho memória de o ver fazer naquele teatro e a vitória assenta que nem uma luva à equipa da casa. Segundo ponto: o árbitro cometeu erros graves para ambas as equipas e não será a arbitragem a servir de desculpa para a derrota, mas quando o Porto tentou dar a volta ao rumo dos acontecimentos (principalmente com a entrada de Quaresma), foi Artur Soares Dias que o impediu de o fazer. Mas vamos por partes:

Já tinha dito aqui que não considero Quaresma um grande jogador, nem lhe reconheço as capacidades ideais para inverter o péssimo momento que o Porto atravessa. O Cigano (ou o Mustang, como preferirem) comporta-se como uma vedeta, gosta de se sentir apaparicado, venerado, mas quando as coisas lhe correm mal, encolhe os ombros, resigna-se, e isso é o que o Porto menos precisa neste momento. No entanto, são injustas as críticas que lhe dirigiram esta noite alguns "comentadeiros" (principalmente os da SIC), pois a sua entrada nesta partida contribuiu objectivamente para sacudir o jogo e impelir a equipa portista para um sector atacante que, até ali, estava praticamente entregue ao adversário. Se as suas acções não deram frutos, tal não se deve à sua ineficácia, mas antes às decisões cobardes de um árbitro que foram destruindo, uma após outra, as tentativas portistas de, pelo menos, chegar ao golo de honra.
É verdade que, a perder por 2-0, os portistas jogavam já mais com o coração do que com a razão, até porque a confrangedora falta de entrosamento e de fio de jogo desta equipa de Paulo Fonseca não deixa espaço para mais, mas ficou a ideia de que, independentemente do que pudesse fazer, nada iria impedir a homenagem a Eusébio que o Benfica tanto desejava. Por três vezes o Porto podia ter chegado ao golo de honra e por três vezes foi claramente impedido de o fazer por Artur Soares Dias. Primeiro, com aquela vergonhosa interrupção do lance em que o Jackson Martinez surgiu isolado frente à baliza do Benfica, apenas com o guarda redes adversário pela frente, após um passe magistral de Quaresma , uma abertura tele-guiada efectuada a várias dezenas de metros de distância que merecia melhor desfecho. Depois, com o ignorar do penalty cometido sobre Quaresma que, em termos de evidência, nada fica a dever à mão do Mangala na 1ª parte. Por fim, com a expulsão ridícula de Danilo, num lance em que devia ter sido marcado penalty e nunca, mas nunca, uma simulação.

Como se explica que um árbitro, que passou os primeiros 45 minutos sem mostrar um único cartão amarelo (mesmo quando existiram motivos para tal), interrompa um lance de golo iminente para ir mostrar um cartão amarelo ao Matic por uma falta banal cometida a meio-campo??? E como se explica que expulse um jogador por acumulação de amarelos, considerando simulação num lance em que existe efectivamente um contacto, depois de ter deixado passar sem punição disciplinar vários lances bem mais evidentes do que este??? E como se explica a dualidade de critérios demonstrada quando, minutos depois da expulsão de Danilo, deixou passar sem punição uma simulação de Siqueira na área do Porto??? Se é verdade que o Benfica foi quem teve mais razões de queixa dos erros do árbitro durante a 1ª parte, fruto do penalty do Mangala não assinalado, não será menos verdade que Artur Soares Dias protegeu os encarnados durante a 2ª parte, impedindo o Porto de lutar por outro resultado com uma sucessão de erros graves com influência directa no marcador. E o Benfica nem precisava disso...

Apesar de tudo, não podemos concordar com Paulo Fonseca quando afirmou, no final do jogo, que o Porto será campeão na última jornada. Compreendo que o treinador portista faça o seu papel, mas esta equipa está muito, mas muito longe de poder dar-se ao luxo de fazer tal premonição. A quantidade de passes falhados, o reduzido número de oportunidades de golo criadas, as falhas clamorosas da defesa, a confrangedora falta de fio de jogo e de mecanismos, apontam para tudo menos um carácter de campeão. A contratação de Quaresma é um pequeno passo no sentido de inverter a situação e um claro indício de que a SAD está consciente dos problemas, mas insuficiente para colmatar tão grandes desequilíbrios do plantel e tão evidente falta de qualidade nalguns sectores. Veremos o que acontecerá até final desta janela de transferências, mas receio que nos estejamos a aproximar de um dos mais lamentáveis desfechos de época de que há memória entre as hostes azuis e brancas.

Por fim, uma palavra de reconhecimento pelo comportamento da claque portista que, num ambiente sempre hostil como é o da Luz, soube respeitar a memória de Eusébio com o respeito e a dignidade merecidas, tal como foi reconhecido pelo presidente encarnado. Tenho muitas dúvidas de que o comportamento dos nossos rivais fosse o mesmo se a situação fosse a inversa.

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