quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cuidado com as ancas!

Há por aí muita gentinha que parece esquecer-se de que uma eliminatória da Taça de Portugal não se decide apenas num jogo, mas a duas mãos. Se por um lado é verdade que ontem o Benfica ganhou com justiça face à diferença de ambição demonstrada pelas duas equipas, não será menos verdade que, no Dragão, os portistas foram claramente superiores e só não ganharam por uma diferença superior de golos porque a sorte não quis. Ora, ninguém pode afirmar com seriedade que o Benfica demonstrou ontem a mesma superioridade que o Porto impôs no jogo da 1ª mão. Antes pelo contrário, aquilo que se viu foi uma equipa extremamente faltosa desde o primeiro ao último minuto (e que, graças a isso, se viu reduzida a 10 desde muito cedo, na sequência da expulsão justíssima de Siqueira), que só a espaços se conseguiu impor sobre os azuis-e-brancos. O golo do empate obtido por Varela fez tremer os encarnados que, em inferioridade numérica e  em desvantagem na eliminatória, pouco ou nada fizeram para reagir, não se desse o verdadeiro golpe de teatro a que se assistiu com Pedro Proença no principal papel. O mesmo árbitro que, há poucas semanas atrás, em Alvalade, foi incapaz de assinalar uma carga flagrante sobre Jackson à boca da baliza, conseguiu agora descortinar uma falta num lance em que, como muito bem refere José Leirós no Tribunal d'O JOGO, não existe nenhum empurrão, nem rasteira, nem pontapé na perna, nem nada que justifique a marcação de uma grande penalidade.
Apesar disso, e como já se esperava, os habituais lambe-botas do regime logo trataram de inventar um argumento para justificar aquilo que não tem justificação, nem que para tal, se tenham visto obrigados a entrar no campo do abstracto. Jorge Coroado, por exemplo, alega que o penalty foi bem assinalado porque (pasme-se!) "Reyes tocou no adversário com a anca"! Ficam portanto avisados os adversários do Benfica que não podem tocar nos jogadores encarnados com a anca, sob pena de cometerem penalty! E se isto não fosse por si só suficientemente hilariante, mais cómico ainda de torna quando Pedro Henriques, que não viu o tal toque com a anca mas sim "com a perna", vai ainda mais longe ao descortinar "uma rasteira" que as imagens comprovam claramente não ter existido, já que nem sequer se verificou qualquer contacto entre os pés dos jogadores.

Espantoso também é o silêncio absoluto sobre a pouca-vergonha a que se assistiu na Luz logo após o terceiro golo dos encarnados, onde valeu tudo para acabar com o jogo de forma ilícita, desde uma invasão de campo com a polícia e os stewards a perseguir adeptos (isto perante a UEFA que lá estava para avaliar as condições de segurança do estádio tendo em conta a final da Liga dos Campeões...), segundas bolas arremessadas para dentro das quatro linhas, a intrusão de Jorge Jesus no terreno de jogo, as picardias originadas pelo Maxi Pereira e os jogadores do banco encarnado, enfim, um cenário vergonhoso, digno de um clubezeco qualquer da 3ª Divisão.

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