quinta-feira, 15 de maio de 2014

Maldição ou justiça divina, como queiram!

Se estivesse no meu direito fazê-lo, dedicaria esta derrota do Benfica na final da Liga Europa ao João Bonzinho e a todos os "bonzinhos" de Portugal que, como ele, fazem uso desonesto da carteira profissional de jornalista para difundir a cartilha do regime aos olhos e ouvidos dos portugueses.
No dia 2 deste mês, ainda inebriado pela passagem do seu querido Benfica à final, o jornalista do jornal A BOLA escreveu um artigo onde, a dada altura, se pode ler:

«Nos últimos dez anos, muitos poucas equipas conseguiram nas competições europeias finais consecutivas. Como o Benfica, agora, apenas Sevilha, em 2006 e 2007 na Liga Europa, e Manchester United, em 2008 e 2009, e Bayern, em 2012 e 2013, na Liga dos Campeões, estiveram em finais consecutivas, o que ilustra bem a dimensão do que acaba de fazer a equipa portuguesa.»

Desenganem-se aqueles que, ingenuamente, possam pensar que estamos perante uma distração, um lapso de memória ou, na pior das hipóteses, uma demonstração de ignorância. João Bonzinho sabe - como até um garoto que faz uma colecção de cromos do futebol português saberia - que, no período de 10 anos a que se refere, o FC Porto conseguiu disputar duas finais europeias consecutivas: uma da Taça UEFA, em 2003, e outra da Liga dos Campeões, em 2004. E para azia dos "bonzinhos" deste país, os dragões até ganharam as duas finais, ao contrário do chamado "glorioso" que perdeu ambas (isso sim, um feito digno de registo, mas pela incompetência e mediocridade que representa)!
Omitir ostensivamente uma referência às conquistas internacionais do FC Porto que tanto orgulharam e prestigiaram o país, é mais do que um insulto e uma falta de respeito para milhões de portistas: é uma traição à pátria e aos interesses nacionais! Infelizmente, este tipo de omissões, incorrecções, ou como quiserem chamar, tão comuns entre a classe jornalística, são na realidade mais uma degradante manifestação da política demagógica com que os lacaios do regime manipulam o povinho em favor dos interesses mesquinhos da capital e que passa pelo sistemático enaltecimento dos feitos do clube lisboeta (por mais banais que até possam ser), em detrimento de todos os outros (por mais nobres que possam ser).
Talvez não haja justiça entre os homens que puna esta gentinha execrável e a faça pagar pela desonestidade com que põe a sua carteira jornalística ao serviço de lobbies, ao atropelo das mais basicas regras da isenção e da idoneidade que o código deontológico lhes impõe, mas, ao fim de oito finais europeias perdidas, está visto que existe uma bela e requintada justiça divina que os faz penar a cada dia da sua abjecta existência. Chamem-lhe eles maldição ou outra coisa qualquer.

P.S.- O Miguel Lima, autor do grande blogue portista Tomo II, escreveu um email a João Bonzinho  no qual, com uma correcção e elegância muito superiores às que o destinatário merecia, alertou o jornalista para a incorrecção do seu artigo. Como se esperava (que mais se poderia esperar de um sabujo?) não obteve resposta.

1 comentário:


  1. @ Rodrigo

    excelente prosa (como sempre).
    confesso que estou a gostar do teu regresso :D

    ps:
    agradeço-te a referência no teu post scriptum.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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