domingo, 11 de maio de 2014

Francamente, Pinto da Costa!

Esta é, normalmente, a altura em que eu visto a camisola azul-e-branca e manifesto aqui toda a minha confiança nas decisões do presidente portista quanto à preparação da próxima época, mesmo não concordando com a totalidade delas . Esta é, normalmente, a altura em que eu, de dragão ao peito, presto aqui todo o apoio ao treinador recém-chegado, mesmo não acreditando totalmente nas suas capacidades. Mas isto é, normalmente, o que acontece após uma época em que terminamos como campeões (ou, pelo menos, conquistamos uns quantos títulos) e em que me encontro imbuído de uma grande dose de poder de encaixe para a eventualidade da época seguinte correr mal... O que não é o caso!
Por muito que eu assim o deseje e que Pinto da Costa a tente justificar, não consigo compreender nem aceitar a contratação de Polen Guiteleju... Pilo Enjultegue... Lopej Nuletegui... Julen Lopetegui, ou lá como raio se chama o homem! Já sabemos que este treinador vem na mesma linha dos técnicos em que a SAD tem apostado nos últimos anos, mas é precisamente aqui que reside o problema. O terrível fracasso desta época sob orientação de Paulo Fonseca (e posteriormente Luís Castro), a juntar à anterior com Vítor Pereira que, convenhamos, só por azelhice dos adversários e um alinhamento perfeitamente improvável dos astros não culminou a zeros como esta, devia ter sido mais do que suficiente para perceber este tão óbvio facto: um clube que alcançou um nível nacional e internacional de excelência não pode dar-se ao luxo de pôr à frente da equipa treinadores sem experiência, capazes de delapidar por completo o trabalho de muitas décadas de sucesso! Ponto final!
É  claro que Lopetegui tem alguns aspectos positivos que podem ser úteis ao FC Porto. Primeiro, porque vem de uma das melhores escolas de futebol do mundo, a espanhola. Segundo, porque conhece as jovens promessas espanholas e pode incutir-lhes algum interesse e simpatia pelo nosso clube. Terceiro... bom, terceiro... não sei, não me lembro de mais nada! É triste ver o Porto contratar um treinador e pouco poder dizer sobre os aspectos positivos que daí poderão advir. Em contra-partida, são muitos os aspectos negativos que podemos apontar: Lopetegui não tem nenhuma experiência ao nível de clubes de topo, não sabe lidar com jogadores que se armam em vedetas, não conhece o futebol português, não tem nome internacional para impôr respeito aos adversários, não tem peso para influenciar a decisão de jogadores que estejamos interessados em contratar, enfim, é mais uma aposta de alto risco! Numa altura em que o Porto precisava urgentemente de recuperar a liderança do futebol português para repor os índices de confiança e a dinâmica de vitória, Pinto da Costa decide, mais uma vez, pôr o (nosso) pescoço no cepo com uma contratação  que não suscita certezas a ninguém, bem pelo contrário.
Se eu estiver enganado (e Deus queira que esteja) e dentro de um ano aqui estiver a festejar mais um título de campeão, serei o primeiro a dar a mão à palmatória e a passar a mim mesmo o atestado de ignorância em matéria de treinadores, mas francamente, Pinto da Costa, acha mesmo que esta era a altura certa para correr tão elevados riscos???

4 comentários:

  1. Comentário de um Benfiquista:
    Acho que os vossos 30 anos de hegemonia estão a ser esbanjados a 200 à hora.
    Neste ponto deviam haver filas de treinadores conceituados e competentes a fazerem-se à cadeira de sonho. Não estou a ser irónico, juro.
    É claro que o FCP não tem capacidade financeira para contratar muito melhor do que Lopeteguis e o basco é claramente uma moeda de troca da Gestifute para os melhoramentos (urgentes) de plantel que aí vêm.
    O FCP como qualquer outro clube neste patamar tem de ter receitas regulares para além da intermediação de cromos da bola (numa empresa normal estas receitas chamam-se extraordinárias).
    Talvez seja este o calcanhar de Aquiles em muitos anos de gestão de PDC.
    Acho infeliz o termo "fim de ciclo", ainda para mais porque só pode provocar-vos (o que não é lá grande táctica). Contudo o FCP está perante uma encruzilhada e, sejamos lúcidos, PDC não tem o fulgor de antigamente que lhe permita corrigir todos os tiros (treinador, plantel, contas, sucessão), nos intervalos das idas ao cardiologista.

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  2. O Benfica é o único clube português que se pode dar ao luxo de andar vários anos consecutivos sem ganhar nada de jeito e, mesmo assim, ter muitos milhões de euros para desbaratar em jogadores no início de cada época. É também o único clube português que, em tempos de crise, se pode dar ao luxo de manter, durante várias épocas consecutivas, o 6º ou 7º treinador mais bem pago do mundo, com resultados muito discutíveis. Se o FC Porto beneficiasse desses luxos, não tenho dúvidas de que, com a competência e experiência demonstradas por Pinto da Costa ao longo das suas três décadas de presidência, seríamos campeões europeus de 2 em 2 anos. Infelizmente, não se cultiva em Portugal a meritocracia, em que se dá valor a quem efectivamente trabalha e luta para ser melhor, mas antes o carneirismo, em que se ilude e incute no povo o amor por falsos valores (nacionalistas ou como lhes queiram chamar) que outro objectivo não tem senão o enriquecimento de alguns lobbies.
    A fórmula encontrada por Pinto da Costa para fazer frente a esta concorrência desleal passou por criar uma rede eficaz de olheiros que permite identificar e contratar jogadores de grande potencial a baixo custo, para depois desenvolver, valorizar e vender por somas avultadas. É óbvio que, enquanto a fonte de rendimentos do Benfica é inesgotável e não exige sacrifícios ao clube (o Benfica não precisa de desmontar a equipa nem de ganhar títulos para obter um encaixe significativo), o financiamento do Porto estará sempre dependente de vários factores nem sempre controláveis, incluindo o factor sorte. Apesar do Porto ter mantido o sucesso desportivo nos últimos anos, a venda inevitável e necessária dos grandes pilares da equipa (como Hulk, João Moutinho e James Rodriguez) deixou o plantel órfão de figuras de referência que não foram devidamente substituídas em termos de quantidade e qualidade. Houve uma aposta, como sempre terá de haver quando se muda algo, mas a aposta implica um risco de perder, e este ano perdemos.

    O próximo ano será, obviamente, um grande desafio para as capacidades de renovação e superação do clube e, principalmente, de Pinto da Costa. Como portista, não me caiu bem a contratação de Julen Lopetegui porque esta representa a continuidade de uma filosofia que não nos garante bases sólidas para obter os resultados desejados, mas só o tempo dirá se esta aposta de risco foi efectivamente errada ou não. Caso as deficiências do plantel sejam colmatadas com jogadores de qualidade (e o Porto já demonstrou que tem capacidade para tirar coelhos da cartola quando e onde menos se espera), acredito que o FC Porto voltará ao lugar cimeiro da Liga portuguesa e que o Benfica, como sempre acontece quando tem concorrência à altura, cederá novamente à pressão.

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  3. @ Rodrigo

    estou convictamente confiante de que, daqui a um ano, estarás a fazer um 'mea culpa' como deve de ser :D

    e por muito que o sr. Romão não acredite, o nosso grande presidente, o nosso querido líder, ainda está aí para as curvas. mesmo «nos intervalos das idas ao cardiologista».

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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