domingo, 28 de dezembro de 2014

O Natal em Alvalade tem outro sabor

O Natal é sempre uma época mágica para todos nós, mas desde há vários anos tem vindo a adquirir um significado ainda mais especial lá para as bandas de Alvalade. Dizia-se geralmente que o Sporting só se aguentava na corrida pelo título até à quadra natalícia, altura em que os maus resultados começavam a surgir e o clube leonino arriava das pernas, mas esta época o Pai Natal chegou ainda mais cedo do que o costume e as consequências estão à vista. Os maus resultados começaram várias jornadas antes e a época festiva, que se esperava de paz e de amor, fica agora marcada por um turbilhão de violentas acusações e insultos, com epicentro no presidente e no treinador, mas com outros intervenientes à mistura.
Parece-me evidente que o blackout imposto pela Direcção leonina, mais do que proteger o clube de pretensos ataques externos, teve como obectivo calar as reacções de Marco Silva (e seu empresário) às críticas e acusações que Bruno de Carvalho achou por bem tecer publicamente ao técnico e aos jogadores. No entanto, o silêncio em torno da questão deixou o caminho livre à especulação exterior e, na falta de declarações dos actores principais desta novela, ganham agora protagonismo figuras alheias a este enredo, como é o caso de José Eduardo e Manuel José, que mais do que acalmar os ânimos e contribuir para a resolução dos problemas, vieram apenas lançar mais achas para a fogueira com uma troca de galhardetes digna de uma rixa entre peixeiras.
Já há muito se esperava que isto viesse a acontecer em Alvalade. Na verdade, desde que o presidente do Sporting começou a demonstrar excessiva apetência pelo protagonismo, com os seus constantes ataques a tudo o que o rodeia, se percebeu que era apenas uma questão de tempo até que o próprio clube pagasse a factura pelos actos e palavras desmedidas do seu dirigente. Bruno de Carvalho quis armar-se em estrela, mas esqueceu-se (ou desconhece) que por vezes as estrelas implodem sobre si próprias, dando origem a buracos negros.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Cada jogo, cada roubo!

O Benfica derrotou o Gil Vicente, último classificado da Liga Portuguesa, por 1-0, beneficiando de mais um erro grave de arbitragem, já que, na jogada do golo encarnado, Maxi Pereira se encontra claramente adiantado em relação à linha da defesa no momento em que recebe a bola do seu companheiro. O árbitro João Capela acaba por ter influência directa no resultado da partida, permitindo assim que a equipa lisboeta mantenha os seis pontos de vantagem sobre o FC Porto. E assim se vai levando uma equipazeca medíocre ao colinho, sustentando-a artificialmente num 1º lugar que nada fez por merecer.

Repare-se na imagem que o fiscal de linha se encontra em excelente posição para apreciar o lance, perfeitamente alinhado com a jogada e sem nada que lhe estorve a visão. Perante isto, veremos agora se o Vítor Pereira, presidente dos árbitros, terá a distinta lata de vir dizer novamente que as arbitragens têm sido "agradáveis", como afirmou recentemente, não obstante a roubalheira a que se tem assistido sistematicamente em benefício dos encarnados.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Baixar a crista

Jorge Jesus afirmou hoje que a derrota caseira frente ao SC Braga, que ditou o afastamento do Benfica da Taça de Portugal, foi "um tiro no porta-aviões". Só o tempo dirá se este tiro não terá passado de um mero acidente de percurso ou se terá causado danos substanciais no casco capazes de afectar a flutuabilidade do navio, mas pelo menos para uma coisa já serviu: baixar a crista a muitas galinhas que desde o passado Domingo andavam inchadas que nem pavões, julgando que o campeonato estava já decidido a seu favor. Pode parecer uma contradição face aos 6 pontos de avanço que o Benfica leva nesta altura e à vitória histórica arrancada no Dragão (afinal de contas, há vários anos que os encarnados almejavam este resultado e não o conseguiam, mesmo em épocas em que possuiam melhores plantéis do que o actual), mas aquilo que se passou no clássico deixa-me perfeitamente convicto de que o campeonato está muito, mas muito longe de estar decidido. A única dúvida que persiste é se será o Porto a ganhá-lo ou o Benfica a perdê-lo, mas uma das duas irá, com toda a certeza, acontecer.
Concordo que os golos são a essência do futebol e, nessa perspectiva (e apenas nessa), o Benfica foi melhor do que o Porto no clássico do Dragão. No entanto, uma análise completa de um jogo não se pode resumir ao resultado, e, se por momentos conseguirmos abstrair-nos deste e observarmos tudo o que se passou ao longo dos 90 minutos, constataremos que o FC Porto foi superior ao adversário em todos os capítulos, aliás como tem acontecido ao longo de toda a época.
Fazer um jogo de olhos nos olhos com o Porto era o mínimo que se poderia esperar de uma equipa que é "só" a actual campeã e candidata à revalidação do título, mas não foi nada disso a que se assistiu. O que se viu não foi uma equipa dominadora, autoritária, enfim, com estofo de campeã. Antes pelo contrário, foi uma equipa banal, ao nível de um clube de pequena dimensão, que, consciente do maior poderio do rival, se fez apresentar temerosa, defensiva, excessivamente faltosa e a jogar na base do pontapé para a frente, na tentativa de surpreender o adversário nos seus próprios erros. A táctica adoptada pelo Benfica passou essencialmente por destruir o jogo do adversário recorrendo a um número anormalmente elevado de faltas e não será por mero acaso (como muito bem salientou Sérgio Conceição) que o Benfica é, na presente época, o detentor do nada invejável recorde do maior número de faltas cometidas num só jogo, recorde esse batido precisamente no confronto do Dragão. Nesse sentido, não há dúvidas de que o Benfica levava a estratégia bem montada e foi muito bem sucedido (em muito graças à passividade do árbitro no capítulo disciplinar), mas este tipo de futebolzinho não convence, não entusiasma, não cativa. Em suma: ninguém paga um cêntimo para ir a um estádio ver tão fraco espectáculo e é apenas uma questão de tempo até que a má qualidade do plantel benfiquista se faça reflectir nos resultados, causando rombos no casco do porta-aviões que nem a sorte, nem os erros de arbitragem conseguirão disfarçar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Quem é que é agressivo???...

Na antevisão ao jogo com o SC Braga que se realiza nesta quinta-feira a contar para a Taça de Portugal, o treinador do Benfica já veio tratar de fazer pressão sobre o árbitro afirmando:

"O Braga não vai ser tão agressivo como no jogo disputado no campeonato, porque, caso contrário, não acaba com 11. Fez constantemente faltas, o árbitro não vai consentir essa estratégia de jogo".

Estas afirmações, além de constiuirem uma óbvia tentativa de condicionamento da arbitragem, são também uma demonstração de completa falta de vergonha, já que, no Dragão, a estratégia montada por Jorge Jesus passou pelo recurso sistemático à falta para travar os atacantes do FC Porto, tendo os encarnados cometido um total de 28 infracções (mais DEZ dos que os azuis e brancos). Não consta que, nesse caso, o catedrático da chiclete tenha ficado muito desagradado com a passividade evidenciada pelo árbitro perante o jogo excessivamente faltoso da sua equipa, mas é fácil antever que, caso o Braga use na Luz as mesmas armas que o Benfica usou para arrancar a vitória no Dragão, a reacção encarnada será bem distinta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E viva o São Paio!

O site Maisfutebol publicou uma análise ao clássico do Dragão, realizada pela Universidade Lusófona. Entre os vários gráficos disponíveis com dados estatísticos, achei interessante partilhar aqui estes em particular, onde se pode ver os remates efectuados por ambas as equipas nas duas partes do jogo. Nota: qualquer semelhança entre o azul e o vermelho é pura coincidência.

Remates na 1ª parte:
 Estatísticas FC Porto-BenficaEstatísticas FC Porto-Benfica
Remates na 2ª parte:
Estatísticas FC Porto-BenficaEstatísticas FC Porto-Benfica
Saliente-se que os dois únicos remates efectuados pelo Benfica na 2ª parte ocorreram ambos na mesma jogada, da qual resultou o 2º golo. Na minha terra, quando uma equipa ganha nestas circunstâncias, chama-se PAIO! Em Lisboa, chama-se "preparar muito bem o jogo"...

O milagre de Natal

Eu costumo dizer que as estatísticas servem apenas para disfarçar frustrações, mas, perante a contestação que surgiu ao trabalho de Lopetegui logo após a derrota frente ao Benfica, em contraste com os rasgados elogios à tactica montada por Jorge Jesus para o clássico, creio que se justifica uma análise mais atenta da estatística do jogo para se perceber que aquilo que realmente aconteceu dentro das quatro linhas difere muito do que o resultado aparenta... e mais ainda da imagem que nos querem impingir.
 Ver imagem no Twitter
Como facilmente se constata, a diferença abissal de números reforça claramente a conclusão que a vizualização do jogo em tempo real permitiu, desde logo, retirar: o resultado favorável aos lisboetas falseia totalmente a verdade do jogo!

Os números são arrasadores e evidenciam bem o milagre que permitiu ao Benfica sair do Dragão com os três pontos, senão vejamos: o Porto teve 58% de posse de bola contra apenas 42% do Benfica, o que demonstra que os azuis e brancos controlaram o adversário, quase por completo, em diversas fases do jogo. Refira-se, aliás, que é difícil encontrar um clássico disputado entre estas duas equipas em que a diferença de posse de bola tenha sido tão desequilibrada. A diferença de ataques e de remates é também gritante: o Porto fez mais 20 ataques e 11 remates (dos quais 2 embateram com estrondo na barra da baliza encarnada) do que o seu rival, um dado que só por manifesta falta de sorte e algum desacerto dos avançados azuis e brancos não se traduziu numa vitória contundente dos portistas. Em resumo: o FC Porto foi esmagador em todos os capítulos (com a excepção, obviamente, da concretização), perante um Benfica que teve uma prestação medíocre ao nível de uma equipa pequena! E é esta equipa banal que lidera o campeonato português...

Para além de tudo isto, é no número de faltas cometidas que reside um dos aspectos que mais distinguiu o comportamento e a performance das duas equipas. Jorge Jesus é uma raposa velha, senhor de muita manha, e, consciente da diferença de valor das duas equipas, montou uma estratégia que passou por destruir o jogo do Porto recorrendo a sucessivas faltas, um facto comprovado pelas 28 infracções cometidas pelos encarnados (mais DEZ do que os portistas!), das quais uma elevada percentagem teve como alvo os avançados Jackson e Brahimi. Obviamente, esta "táctica", típica das equipas pequenas que visitam o Dragão, só teve efeitos práticos com a conivência do árbitro Jorge Sousa, que, de forma incompetente, permitiu o recurso sistemático à falta por parte do Benfica sem a devida acção disciplinar! Não admira, portanto, que o Benfica tenha sido eliminado precocemente das competições europeias sem honra nem glória, pois estas artimanhas seriam impensáveis num jogo da Liga dos Campeões. Nenhum árbitro estrangeiro, fora do círculo de influências dos encarnados, admitiria, por exemplo, que um jogador como Jardel cometesse, só à sua conta, 15 faltas (QUINZE!) e acabasse o jogo sem ver um único cartão amarelo! Só em Portugal é que estas "tácticas" de Jorge Jesus são admitidas e só mesmo em Portugal é que são motivo de elogios.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Pequenez

Há muitos anos que eu não via o Benfica no Dragão a queimar tempo como ontem se viu, com os jogadores a atirarem-se para o chão e a forçar a entrada da equipa médica. Só na pretensa lesão do Luisão perdeu-se uns 4 ou 5 minutos de jogo, com o capitão encarnado a ser assistido a poucos metros da linha de fundo, com a total anuência do árbitro. Depois, ao ser substituído, foi a mancar até ao centro do campo, em vez de sair pelo caminho mais curto. Mas pior do que isso foi o que aconteceu já em tempo de descontos, quando Jesus procedeu à terceira substituição com o claro intuito de queimar mais uns segundos. Agir desta forma a poucos minutos do final da partida e a ganhar por 2-0 não é digno de um campeão, é atitude típica de uma equipa pequena.

Lotaria de Natal

Ando há muitas semanas arredado da discussão futebolística e, sinceramente, não pretendia regressar hoje aos comentários independentemente do resultado do clássico, mas, decorridas poucas horas após o apito final no Dragão, já li tantas barbaridades proferidas contra Lopetegui que não pude deixar de vir escrever algumas linhas em sua defesa.
Comecemos por reconhecer o seguinte: já houve jogos em que o Benfica não merecia ter perdido no Dragão e perdeu. No jogo de há duas épocas, por exemplo, o empate teria sido perfeitamente ajustado ao que as equipas produziram durante o tempo regulamentar, mas quís o destino que Kelvin marcasse aquele golo épico aos 92 minutos e o resultado pendeu a nosso favor. Ontem, pelo contrário, o Benfica não merecia ter ganho e ganhou. O futebol é assim, imprevisível e nem sempre justo, e talvez por ser assim é que desperta tantas paixões.
O Benfica venceu mas não convenceu, pois nada fez para justificar a vitória e muito menos por uma margem de dois golos. Os encarnados jogaram no Dragão como as equipas pequenas costumam jogar: com 11 jogadores atrás da linha da bola, com pontapés para a frente a tentar apanhar o Porto em contra-pé em jogadas rápidas de contra-ataque e a destruir o mais que pôde com faltas recorrentes. Conseguiu o seu primeiro remate à baliza de Fabiano em cima dos 15 minutos, altura em que podia já ter sofrido por duas ou três vezes, e marcou o primeiro golo contra a corrente de jogo, num lance fortuito e que me parece ilegal, já que o Lima empurra a bola para a baliza com o braço. Perante isto, o treinador portista pouco mais podia fazer senão manter o seu esquema de jogo e acreditar. Em situações normais, seria apenas uma questão de tempo até o golo do empate surgir, já que os azuis e brancos praticavam um futebol muito mais vistoso, criativo e espectacular do que os adversários, mas a sorte assim não quis.
Já na 2ª parte, numa altura em que o Porto entrou disposto a tudo para chegar ao empate, o Benfica marcou num lance de contra-ataque em que o guarda-redes portista me parece mal batido. Lima, em noite sim, apareceu no sítio certo para facturar depois de Fabiano sacudir o primeiro remate exactamente para o único sítio que não podia fazer. Os lisboetas faziam o 2-0 sem saber ler nem escrever, mas, honra lhe seja feita, Lopetegui reagiu muito bem ao substituir Tello por Quaresma e ao fazer entrar Quintero para dar criatividade e frescura ao meio-campo. A partir daí, praticamente só deu Porto. Por duas vezes os portistas remataram à barra, em dois lances espectaculares em que a defesa encarnada andou completamente aos papéis e só por milagre a bola não entrou. Por mais duas vezes, os avançados portistas partiram completamente a defesa adversária, mas faltou pontaria e discernimento na hora do remate.
O jogo acabou com a derrota do Porto, como poderia perfeitamente ter acabado com a vitória portista. Assim não quis o destino desta vez. Ao Benfica saiu a Lotaria de Natal, a nós saíu-nos a fava do Bolo Rei. Paciência.
É verdade que este resultado nos deixa a seis pontos de distância do 1º lugar e é também verdade que ao Benfica já só lhe resta focar no campeonato nacional, pois foi eliminado precocemente das competições europeias, mas não podemos, de forma alguma, atirar a toalha ao chão. Por muito que nos custe perder com a equipa do regime, e ainda para mais no nosso reduto, desatar aos berros contra os jogadores ou o treinador é um acto de falta de inteligência. Além de ainda faltar muito campeonato para jogar, este Benfica é fraco e o Porto tem dado provas evidentes de qualidade. A excelente campanha europeia é um bom exemplo disso, pelo que é apenas uma questão de tempo até que o trabalho desenvolvido pela equipa e pelo técnico comece a traduzir-se em resultados práticos. Há que continuar a acreditar, porque até ao lavar das cestas é vindima.