sábado, 20 de dezembro de 2014

Baixar a crista

Jorge Jesus afirmou hoje que a derrota caseira frente ao SC Braga, que ditou o afastamento do Benfica da Taça de Portugal, foi "um tiro no porta-aviões". Só o tempo dirá se este tiro não terá passado de um mero acidente de percurso ou se terá causado danos substanciais no casco capazes de afectar a flutuabilidade do navio, mas pelo menos para uma coisa já serviu: baixar a crista a muitas galinhas que desde o passado Domingo andavam inchadas que nem pavões, julgando que o campeonato estava já decidido a seu favor. Pode parecer uma contradição face aos 6 pontos de avanço que o Benfica leva nesta altura e à vitória histórica arrancada no Dragão (afinal de contas, há vários anos que os encarnados almejavam este resultado e não o conseguiam, mesmo em épocas em que possuiam melhores plantéis do que o actual), mas aquilo que se passou no clássico deixa-me perfeitamente convicto de que o campeonato está muito, mas muito longe de estar decidido. A única dúvida que persiste é se será o Porto a ganhá-lo ou o Benfica a perdê-lo, mas uma das duas irá, com toda a certeza, acontecer.
Concordo que os golos são a essência do futebol e, nessa perspectiva (e apenas nessa), o Benfica foi melhor do que o Porto no clássico do Dragão. No entanto, uma análise completa de um jogo não se pode resumir ao resultado, e, se por momentos conseguirmos abstrair-nos deste e observarmos tudo o que se passou ao longo dos 90 minutos, constataremos que o FC Porto foi superior ao adversário em todos os capítulos, aliás como tem acontecido ao longo de toda a época.
Fazer um jogo de olhos nos olhos com o Porto era o mínimo que se poderia esperar de uma equipa que é "só" a actual campeã e candidata à revalidação do título, mas não foi nada disso a que se assistiu. O que se viu não foi uma equipa dominadora, autoritária, enfim, com estofo de campeã. Antes pelo contrário, foi uma equipa banal, ao nível de um clube de pequena dimensão, que, consciente do maior poderio do rival, se fez apresentar temerosa, defensiva, excessivamente faltosa e a jogar na base do pontapé para a frente, na tentativa de surpreender o adversário nos seus próprios erros. A táctica adoptada pelo Benfica passou essencialmente por destruir o jogo do adversário recorrendo a um número anormalmente elevado de faltas e não será por mero acaso (como muito bem salientou Sérgio Conceição) que o Benfica é, na presente época, o detentor do nada invejável recorde do maior número de faltas cometidas num só jogo, recorde esse batido precisamente no confronto do Dragão. Nesse sentido, não há dúvidas de que o Benfica levava a estratégia bem montada e foi muito bem sucedido (em muito graças à passividade do árbitro no capítulo disciplinar), mas este tipo de futebolzinho não convence, não entusiasma, não cativa. Em suma: ninguém paga um cêntimo para ir a um estádio ver tão fraco espectáculo e é apenas uma questão de tempo até que a má qualidade do plantel benfiquista se faça reflectir nos resultados, causando rombos no casco do porta-aviões que nem a sorte, nem os erros de arbitragem conseguirão disfarçar.

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