terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O milagre de Natal

Eu costumo dizer que as estatísticas servem apenas para disfarçar frustrações, mas, perante a contestação que surgiu ao trabalho de Lopetegui logo após a derrota frente ao Benfica, em contraste com os rasgados elogios à tactica montada por Jorge Jesus para o clássico, creio que se justifica uma análise mais atenta da estatística do jogo para se perceber que aquilo que realmente aconteceu dentro das quatro linhas difere muito do que o resultado aparenta... e mais ainda da imagem que nos querem impingir.
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Como facilmente se constata, a diferença abissal de números reforça claramente a conclusão que a vizualização do jogo em tempo real permitiu, desde logo, retirar: o resultado favorável aos lisboetas falseia totalmente a verdade do jogo!

Os números são arrasadores e evidenciam bem o milagre que permitiu ao Benfica sair do Dragão com os três pontos, senão vejamos: o Porto teve 58% de posse de bola contra apenas 42% do Benfica, o que demonstra que os azuis e brancos controlaram o adversário, quase por completo, em diversas fases do jogo. Refira-se, aliás, que é difícil encontrar um clássico disputado entre estas duas equipas em que a diferença de posse de bola tenha sido tão desequilibrada. A diferença de ataques e de remates é também gritante: o Porto fez mais 20 ataques e 11 remates (dos quais 2 embateram com estrondo na barra da baliza encarnada) do que o seu rival, um dado que só por manifesta falta de sorte e algum desacerto dos avançados azuis e brancos não se traduziu numa vitória contundente dos portistas. Em resumo: o FC Porto foi esmagador em todos os capítulos (com a excepção, obviamente, da concretização), perante um Benfica que teve uma prestação medíocre ao nível de uma equipa pequena! E é esta equipa banal que lidera o campeonato português...

Para além de tudo isto, é no número de faltas cometidas que reside um dos aspectos que mais distinguiu o comportamento e a performance das duas equipas. Jorge Jesus é uma raposa velha, senhor de muita manha, e, consciente da diferença de valor das duas equipas, montou uma estratégia que passou por destruir o jogo do Porto recorrendo a sucessivas faltas, um facto comprovado pelas 28 infracções cometidas pelos encarnados (mais DEZ do que os portistas!), das quais uma elevada percentagem teve como alvo os avançados Jackson e Brahimi. Obviamente, esta "táctica", típica das equipas pequenas que visitam o Dragão, só teve efeitos práticos com a conivência do árbitro Jorge Sousa, que, de forma incompetente, permitiu o recurso sistemático à falta por parte do Benfica sem a devida acção disciplinar! Não admira, portanto, que o Benfica tenha sido eliminado precocemente das competições europeias sem honra nem glória, pois estas artimanhas seriam impensáveis num jogo da Liga dos Campeões. Nenhum árbitro estrangeiro, fora do círculo de influências dos encarnados, admitiria, por exemplo, que um jogador como Jardel cometesse, só à sua conta, 15 faltas (QUINZE!) e acabasse o jogo sem ver um único cartão amarelo! Só em Portugal é que estas "tácticas" de Jorge Jesus são admitidas e só mesmo em Portugal é que são motivo de elogios.

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