sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Vem aí borrasca!

A exemplo do que aconteceu aquando do falecimento de figuras relevantes do nosso futebol, também hoje me preparava para endereçar à família de Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem, as minhas sentidas condolências pela morte do seu ente querido. Felizmente, fui informado atempadamente de que o seu estranho desaparecimento não se deve a algo tão trágico, mas antes ao facto de se encontrar escondido num buraco profundo, longe do contacto humano. Assim se explica que, desde há muitos meses, o presidente da CA se mantenha no mais imaculado silêncio, não obstante as múltiplas polémicas e consequentes críticas que a arbitragem tem originado ao longo da corrente época.

Ironias à parte, é practicamente impossível provar que a escolha de um juiz da Associação de Braga para arbitrar uma partida onde o SC Braga jogava a sua cartada decisiva na Taça da Liga está directamente relacionada com a gritante dualidade de critérios com que o referido árbitro procurou decidir o jogo em favor dos bracarenses. Aliás, custa-me acreditar que o facciosismo patente no comportamento de certos árbitros seja motivado por questões de naturalidade, tanto mais que em Portugal o futebol não se rege por questões regionalistas (ao contrário do que acontece, por exemplo, em Espanha, onde cada clube se assume como uma bandeira da sua região). Prova disso é o facto de Braga, não obstante possuir um dos maiores e melhores clubes nacionais, ser uma das cidades mais benfiquistas do país. No entanto, parece óbvio que, até para evitar a suspeição que agora se instalou sobre essa escolha, devia ter imperado o bom senso de se optar por outro juiz, tantas eram as alternativas disponíveis. Esta situação vem lançar, uma vez mais, a discussão sobre os critérios da escolha dos árbitros que tanta celeuma causou já ao longo da época, mas que o presidente da CA parece pouco interessado em esclarecer. E para piorar a situação, antevê-se desde já mais polémica para breve, já que ficamos esta semana a saber que, para a próxima jornada da Liga, foram escolhidos os árbitros João Capela e Bruno Paixão para as difíceis deslocações do Porto aos Barreiros e do Benfica a Paços de Ferreira, respectivamente. Conhecidos como são os referidos juizes pelos mais negros motivos, graças a um passado recheado de favorecimentos aos encarnados, não é preciso ser marinheiro para adivinhar a borrasca que aí vem.

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