domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Divina Comédia de Dante

A pouca vergonha a que se assistiu ontem em Moreira de Cónegos foi mais um episódio dantesco nesta Divina Comédia em que se transformou, desde há muitas jornadas, o futebol português. Num jogo em que tudo corria de feição ao Moreirense (os da casa chegaram ao intervalo a vencer por 1-0), bastou apenas um par de minutos para que o árbitro Jorge Ferreira invertesse completamente a verdade desportiva, estendendo a passadeira vermelha ao Benfica para a cambalhota no marcador. 
É obvio - como logo se apressaram a afirmar os analistas da corrupta imprensa lisboeta, ávidos por branquear mais um escândalo - que assinalar erradamente um canto em vez de um pontapé de baliza é um erro banal, mas poupar a amostragem de um cartão amarelo (e respectivo livre) a um avançado que simula um penalty não é. E muito menos banal é mostrar um cartão vermelho directo a um jogador por protestos, uma decisão que até pode ter sustentação legal se quisermos interpretar cegamente os regulamentos, mas que assume contornos absurdos quando comparada com a postura pedagógica normalmente assumida pelos árbitros nas dezenas e dezenas de casos semelhantes que todas as semanas ocorrem por esses campos fora. E muito menos banal ainda é fazer vista grossa a um penalty num lance em que avançado é carregado e atingido com uma joelhada na cabeça. É óbvio - e só não percebe isto quem não tem acompanhado, jornada após jornada, as incidências das arbitragens em jogos do Benfica -  que a actuação de Jorge Ferreira nada teve de banal e vem na linha de uma sequência de decisões inusitadas, forçadas, exageradas, tomadas em momentos-chave das partidas, que visam amaciar o percurso dos encarnados rumo ao título
Face ao elevadíssimo número de erros grosseiros de arbitragem que sistematicamente o tem beneficiado, não há ninguém que, em consciência, possa afirmar que o Benfica é merecedor do 1º lugar que ocupa e muito menos da vantagem de 7 pontos que leva neste preciso momento. Parece evidente que, excluídos os muitos pontos conquistados por acção directa ou indirecta dos árbitros, a medíocre equipa encarnada ocuparia, na melhor das hipóteses, o 2º lugar da classificação, o que levanta sérias e preocupantes dúvidas quanto à  transparência de uma competição que, cada vez mais, se mostra vulnerável a manipulações externas de gente corrupta que se move nos meandros do futebol em nome de lobbies e interesses mesquinhos.
A pergunta que há muito se põe é esta: onde anda, nesta altura, a super-equipa liderada por Maria José Morgado e todos os demais que, em nome de uma pretensa luta contra a corrupção, ganharam protagonismo com o processo Apito Dourado? Não se tornou já por demais evidente que algo de muito podre se passa e que se justificaria plenamente uma intervenção das autoridades de Lisboa? Estará essa gente a aguardar que alguma acompanhante de luxo escreva uma nova obra literária sobre o assunto para, finalmente, actuar? Ou, a exemplo do que aconteceu com Vale e Azevedo, estarão à espera que Vieira perca as próximas eleições do Benfica para poderem avançar sobre o dirigente sem que daí resulte prejuízo para o clube protegido?

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