quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estão à espera que choremos?

Custa. Custa perder. Custa perder por seis. Mas custa ainda mais quando a magnífica exibição no jogo da 1ª mão provou que o Porto podia ter chegado um bocadinho mais longe. Um bocadinho só. Era difícil, muito difícil, mas podia. 

A vitória do Porto no Dragão parecia querer demonstrar que, no futebol galáctico da Liga dos Campeões, cada vez mais transformada num feudo de meia-dúzia de senhores ricos e poderosos, ainda há lugar para a ilusão. Um pouco por essa Europa fora, reviram-se na camisola azul e branca muitos milhões de almas, adeptos de clubes de menor dimensão, que nela depositaram a esperança de que os Davids ainda conseguissem derrubar os Golias. Mas, para que tal acontecesse, seria preciso que os astros se alinhassem numa raríssima disposição e muitos factores se congregassem numa muito improvável conjuntura. Assim aconteceu no jogo da 1ª mão, altura em que o Bayern de Munique se apresentou no Dragão com aquela tão típica sobranceria que já levou a Alemanha a perder duas guerras contra o mundo, e em que a equipa do Porto, na sua máxima força e embalada por uma multidão de crentes, ousou ir além do que permitia a força humana. Infelizmente, os eclipses e outros fenómenos cósmicos não se repetem todas as semanas. Depois da surpresa inicial, os alemães recuaram, reorganizaram as suas divisões panzer e contra-atacaram com mortífera precisão. Aturdido, inexperiente e claramente munido com menores recursos, o Porto foi incapaz de repetir a proeza da semana anterior, caindo aos pés de um adversário que é superior. Não tão superior como o resultado da 2ª mão sugere, mas superior. Vergonha? Depende! Vergonha, para mim, é ficar num desonroso último lugar do grupo de apuramento ou perder uma eliminatória por um resultado acumulado de 12-1, não por uma diferença de 3 golos, com uma vitória e uma derrota, contra aquela que é, muito provavelmente, a melhor equipa do mundo.

Alegam agora os detractores (aquele bando de parasitas sempre ávidos de menosprezar os actos alheios) que o Bayern de Munique jogou no Dragão com a equipa B. O problema (e isto não dizem eles) é que a equipa B do Bayern é composta por jogadores campeões do mundo e não há clube nenhum, incluindo os de topo, que não gostasse de ter nas suas fileiras aqueles que o gigante bávaro se dá ao luxo de ter habitualmente sentados no banco. Já o Porto, esse sim, teve de jogar em Munique com a equipa B (e isso também não dizem eles). Impedido de alinhar com os dois defesas laterais titulares, Danilo e Alex Sandro, Lopetegui improvisou como pôde, fazendo entrar Reyes para o lugar do primeiro e deslocando o central Martins Indi para o lugar do segundo. Além disso, faltou lá Tello, que, com a sua juventude e irreverência, é bem capaz de sacar um coelho da cartola quando menos se espera. Já se sabe que, quando faltam ovos de galinha, pode-se sempre improvisar com os de codorniz, mas a omelete vai sair curta. Nestas circunstâncias, conheço poucas equipas capazes de fazer melhor do que o Porto fez e muitas que fariam bem pior.

Apesar de tudo, esta equipa do Porto pode não estar talhada para tão altos voos como as meias-finais de uma Champions, mas continua a ser, sem dúvida, a melhor equipa portuguesa, a mais séria candidata ao título de campeã nacional e a única que se mostrou capaz de ir longe nas competições europeias. Desenganem-se, portanto, os tolos que pensam que o Dragão se vai recolher na sua toca, a chorar e a lamentar-se por este infortúnio. No próximo domingo, temos mais um jogo daqueles em que ganhar ou perder assume contornos de vida ou morte e eu estou plenamente convencido de que o FC Porto irá a Lisboa repor a justiça que tanto tem faltado a este campeonato, assumindo definitivamente um 1º lugar que, por tudo o que fez ao longo da época, é seu por direito próprio.

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