terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Perdidos no nevoeiro

Sabendo agora o que sabemos sobre os 15 minutos disputados ontem no Estádio da Madeira, ainda respeitantes ao confronto entre o FC Porto e o Nacional, quase apetece dizer que mais valia que o jogo não tivesse sido interrompido no domingo. No meio do intenso nevoeiro que então se fazia sentir e que pouco ou nada permitia ver dentro das quatro linhas, sempre se pouparia o público do triste espectáculo a que se assistiu.
Não há presentemente neste Porto de Lopetegui um futebol profissional, de topo, de campeão. Pelo contrário, vê-se uma quantidade aberrante de passes transviados, de fintinhas desnecessárias, de centros atabalhoados, de perdas de bola infantis, de oportunidades de golo desperdiçadas, de faltas ingénuas, enfim, de tudo o que normalmente caracteriza uma equipazeca de segundo plano, sem nível, sem rumo, sem orientação. Neste Porto de Lopetegui não há jogadas ensaiadas, mecanizadas, treinadas até à exaustão, que saiam de olhos fechados. Tudo acontece - ou não - em função da inspiração individual de dois ou três malabaristas que vão jogando ao sabor do vento, muitas vezes de forma desconcertada e displicente. Neste Porto de Lopetegui não se aproveitam os cantos e os livres, porque a bola é sistematicamente mal centrada ou chega defeituosamente à baliza. Neste Porto de Lopetegui não há avançados, porque um, o Aboubakar, dá mostras de estar exausto, e o outro, o Osvaldo, foi enganado quando lhe disseram que era jogador de futebol. E por ultimo, neste Porto de Lopetegui não há táctica, porque o treinador percebe de futebol como eu percebo de crochet e acha que o conceito de rotatividade significa rodar literalmente a equipa, passando um central para defesa esquerdo, o defesa esquerdo para extremo, o extremo para avançado centro e por aí em diante.
Sei que, a exemplo do que aconteceu em situações anteriores, este meu desabafo irá desencadear a indignação de muitos adeptos portistas para quem o amor clubístico passa por omitir as verdades mais incómodas. Mas, porque a vida me ensinou que não é ignorando os problemas que eles se irão solucionar sozinhos, estarei sempre pronto para suportar o amargo dessas reacções, na esperança de que desta minha acção possa advir algum benefício para o meu amado clube. Uma ténue esperança, reconheço, já que dificilmente as minhas palavras farão eco nos ouvidos dos dirigentes da SAD portista, mas acredito que, se juntar a minha voz de revolta a todos aqueles que, como eu, se sentem defraudados e tristes com o rumo que a equipa leva, talvez possamos assistir a um milagre de Natal que evite aquilo que todos já preconizamos: a humilhação na Liga Europa frente ao Borússia de Dortmund e o culminar de mais uma época sem um único título conquistado.

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