quinta-feira, 14 de abril de 2016

Reflexão (de um sempre fiel) portista

A realidade actual do FC Porto tem causado em todos os adeptos portistas uma revolta capaz de fazer perder a calma ao mais sereno dos seres humanos, mas isso não justifica tudo e mais alguma coisa. Em nome da estabilidade que, mais do que nunca, se mostra necessária, há que saber manter o discernimento e a racionalidade, o bom senso e a decência, o respeito e a dignidade. Sem isso, só estaremos a precipitar a queda do clube no abismo.
 
Ao contrário daquilo que muitos jovens hoje parecem pensar, a hegemonia do FC Porto no futebol português, a que nos fomos habituando durante muitos anos a fio, não existe desde sempre, nem caiu do céu aos trambolhões por obra e graça do espírito santo. Nos meus tempos de juventude, o FC Porto não passava de um simpático clube de província com pouca expressão nacional e um completo desconhecido a nível internacional. Se essa realidade se alterou até chegarmos ao patamar de excelência em que hoje nos encontramos, tal se deve, em enormíssima medida, ao trabalho e empenho de um homem que dedicou grande parte da sua vida a esta nobre causa chamada FC Porto. Por esse motivo, Jorge Nuno Pinto da Costa será sempre o maior herói da história do clube portista e qualquer tentativa de beliscar a sua imagem, ou pôr em causa a sua fidelidade às cores azuis e brancas, não passará de uma ignóbil injustiça perpetrada por gente que desconhece o significado da palavra gratidão.

As lamentáveis ocorrências da semana passada (que a comunicação social nos transmitiu com especial regozijo, ou não andasse essa corja, há tantos anos, ávida por momentos como este), designadamente as tarjas insultuosas exibidas e os petardos rebentados à porta da casa do presidente portista, só podem causar repugnância e náusea a qualquer fiel e indefectível portista. Independentemente das críticas que se possam dirigir a Pinto da Costa e das culpas que lhe possam ser imputadas nesta crise que o clube atravessa, há coisas que ultrapassam completamente o limites da sanidade mental e entram no campo da psicopatia. Infelizmente, esses actos execráveis não são mais do que uma consequência previsível da campanha verbal lançada contra Pinto da Costa por gente irresponsável, que acha que o simples facto de debitar diatribes na blogosfera lhe confere algum tipo de credibilidade ou estatuto no universo azul e branco. Mais do que prejudicar o próprio clube, esta gente oferece de bandeja aos nossos rivais as ambicionadas armas para destruírem tudo o que de melhor se fez no FC Porto ao longo das ultimas décadas.

É completamente FALSO que Pinto da Costa tenha tentado sacudir do seu capote as culpas do insucesso. Pelo contrário! Numa demonstração de elevado carácter e de inegável portismo, Pinto da Costa assumiu, na entrevista concedida ao Porto Canal, os erros próprios e manifestou-se desiludido e revoltado com o momento actual do clube, comprometendo-se a tudo fazer para inverter rapidamente este rumo.
Dentro da estrutura do clube, cada elemento assume uma determinada função específica e é no âmbito das suas competências que cada um deve ser avaliado.  Nesse sentido, a culpa do presidente na crise actual resume-se, tal como foi reconhecido pelo próprio Pinto da Costa, à contratação de treinadores incompetentes e inexperientes, a quem foi dada demasiada liberdade na construção de plantéis desequilibrados e de fraca qualidade. Não é coisa pouca? Claro que não! Tendo em conta que todo o resto veio por arrasto, é muita! Mas o facto de Pinto da Costa reconhecer os erros e identificar o que esteve mal na sua condução é um sinal muito positivo. O resto, só com tempo, paciência e perseverança se corrigirá.

Se há clube entre os grandes de Portugal que prima pela transparência nas contas, é precisamente o FC Porto. Há muitos anos que se sabe quanto é que os dirigentes auferem e quanto é pago em comissões pela transferência de jogadores. Vir agora fazer disso um cavalo de batalha, como se a situação fosse nova ou exclusiva do nosso clube, é simplesmente RIDÍCULO! Houve alguém que quis fazer dessa questão a causa da crise actual, a reboque do discurso populista de certos dirigentes quixotescos de clubes lisboetas, e muitos deixaram-se inebriar por esse argumento falacioso como carneirinhos. Pensarão estes pobres ingénuos que os jogadores que tiveram sucesso de dragão ao peito vieram de borla, sem agentes envolvidos e sem verbas passadas pela mão de terceiros? Em que mundo é que vivem? Onde andaram durante todos estes anos? Para que serviram os relatórios de contas? Tenham juizinho, pá!

Podemos criticar a demora das declarações públicas de Pinto da Costa, mas seria mesmo necessário que elas acontecessem? O trilho de sucesso que marcou os seus mandatos ao longo de mais de 30 anos de presidência não deveriam ser suficientes para que, no mínimo, lhe fosse agora concedido o benefício da dúvida? Tantas décadas de convívio com este homem não serão ainda suficientes para que conheçamos o seu estado de espírito nestes maus momentos? Os inúmeros sacrifícios pessoais que fez em prol do clube não serão suficientes para afastar da nossa mente qualquer dúvida quanto à sua seriedade e competência? Alguém, no seu perfeito estado de sanidade mental, pode acreditar que Pinto da Costa poria os euros acima do sucesso desportivo do clube? Por muito que nos custe suportar a falta de títulos, o que significam estes três anos de miséria face aos trinta anos de fortuna que Pinto da Costa nos proporcionou? Pinto da Costa é a pessoa certa, no lugar certo e no momento certo para fazer regressar o clube à glória. Ninguém o deseja mais do que ele e ninguém saberá fazê-lo melhor do que ele!

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