sábado, 4 de junho de 2016

Expresso: falta de vergonha, decência e honestidade

Miguel Cadete, director-adjunto do jornal Expresso, é mais um exemplo acabado da corrupção intelectual que grassa na imprensa lisboeta. Ontem, este patético indivíduo teve o descaramento de assinar um artigo de opinião onde, a respeito do lance que ditou a expulsão de Bruno Alves no jogo da Selecção Nacional frente à Inglaterra, afirma o seguinte:
 
«Estaria Bruno a pensar que ainda jogava no FC Porto, no início do século, com os árbitros desse tempo? Ou julgava que já tinha voltado a jogar no FCP, com os árbitros de hoje?»

Miguel Cadete deve pensar que os portugueses são um imenso rebanho de carneirinhos subjugados pelo cajado lisboeta, pois só assim se compreende que assuma um discurso tão flagrantemente tendencioso em favor dos interesses dos lobbies da capital num jornal que se diz sério e isento. De facto, se tivesse um pingo de vergonha, decência e honestidade, Miguel Cadete estaria caladinho com a conversa da arbitragem, dada a profusão de exemplos evidentes da protecção escandalosa que os árbitros portugueses, cobardes e servis, têm concedido ao clubezeco do regime, protecção essa que, nos últimos anos, muito contribuiu para a conquista do tão almejado tricampeonato. Recordar-se-ia, por exemplo, da entrada assassina de Renato Sanches sobre Bryan Ruiz, punida por Artur Soares Dias com um simples amarelo:
Lembrar-se-ia também do golpe de karaté - que em nada ficou a dever ao de Bruno Alves - que Eliseu deu na cabeça de Paolo Hurtado, mas que o árbitro deixou passar em claro, sem qualquer cartão: 
Compararia ainda a gritante diferença de critérios de arbitragem que, durante os oito anos de Maxi Pereira ao serviço do clubezeco dos vouchers, permitiu que o uruguaio distribuísse cacetada a seu bel-prazer sem ver um único cartão vermelho, enquanto que, de azul e branco vestido, qualquer encosto no adversário serve de pretexto para acção disciplinar:
Perante tudo isto (e muito mais), é preciso ter LATA para vir falar do FC Porto no panorama actual, ainda para mais servindo-se, como arma de arremesso, de um jogador que há vários anos deixou de vestir de azul e branco e que protagonizou o lance em questão ao serviço da Selecção Nacional, mas é óbvio que vergonha, decência e honestidade são conceitos que há muito deixaram de constar nos dicionários da imprensa da Capital do Império Ultramarino.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Figo seco

Tenho imenso respeito pelo Luís Figo, quer pela brilhante carreira que teve enquanto jogador, quer pela sua já notável carreira empresarial, quer ainda pelo pai e chefe de família que é, mas não revejo nele a mais pequena autoridade para se pronunciar sobre questões do foro administrativo do FC Porto. Se Pinto da Costa continua ou não a ser um bom presidente, isso cabe, única e exclusivamente, aos sócios do clube decidir, e estes já se pronunciaram nas recentes eleições. Aconselhava-se a Figo maior recato nas declarações públicas, tanto na forma como no conteúdo.

P.S.- A newsletter Dragões Diário dedicou um parágrafo da sua edição de hoje, dia 2 de Junho, às declarações de Figo, chamando-lhe "pesetero", em alusão a vários casos protagonizados pelo antigo jogador, designadamente o episódio da assinatura simultânea por dois clubes italianos e a polémica troca de Barcelona para Madrid. Parece-me legítima a resposta dada pelos dragões, mas dispensava-se, também aqui, o tom excessivamente agressivo. Por vezes, uma simples frase é suficiente para responder a quem não merece que se lhe dê demasiada importância.