quarta-feira, 31 de agosto de 2016

APAF - O orgulho na incompetência

Imaginem que um jogador é expulso pelo árbitro, mas em vez de abandonar o terreno de jogo como mandam os regulamentos, continua a jogar como se nada tivesse acontecido durante dois ou três minutos até finalmente sair por sua livre vontade. Seria um escândalo, não seria? O que não diriam de um árbitro que permitisse tal afronta e desrespeito por parte de um jogador? Imaginem agora que o mesmo jogador, à revelia do árbitro, voltava a entrar em campo a dois minutos do final do encontro com o maior dos descaramentos, e jogava durante esse tempo como se nunca tivesse recebido qualquer ordem de expulsão. Maior seria o escândalo, não seria? Pois esta situação, que mais parece uma história rocambolesca inventada por alguém com imaginação fértil, aconteceu mesmo no domingo à noite, em Alvalade. A diferença é que não envolveu um jogador, mas sim Jorge Jesus, treinador do Sporting.

A comunicação social referiu o tempo que Jorge Jesus perdeu a vestir o casaco e a falar com o adjunto antes de abandonar o campo, após ter sido expulso por Tiago Martins. O que poucos disseram foi que o treinador leonino, depois de ter assistido ao resto da partida junto dos adeptos na bancada, regressou ao terreno poucos minutos antes do jogo terminar. No meio da bandalheira a que se assistiu, esta situação em particular já pouca importância tem, mas não deixa de ser mais uma prova da incapacidade de Tiago Martins e demais elementos da equipa de arbitragem de impor a sua autoridade sobre a equipa da casa, permitindo assim que se instalasse um clima de total impunidade para técnicos e jogadores leoninos, com as consequências que se conhecem dentro do campo. Enfim, este é apenas mais um dado que vem reforçar a "grande arbitragem" de que a APAF tanto se orgulha.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

APAF - A apologia da batota

«Todos nós temos os nossos dias maus e Tiago Martins teve o seu em Alvalade. Acontece a qualquer ser humano.»

«Tiago Martins é jovem e deixou-se influenciar demasiado pelo ambiente de Alvalade, mas temos de compreender que isso também faz parte do seu crescimento como árbitro.»

«Apesar do risco que esta escolha envolvia, há que apostar nos árbitros jovens e dar-lhes oportunidades. Tiago Martins irá com certeza aprender com os erros que cometeu em Alvalade e ganhar experiência para o futuro.»

Não, ninguém proferiu estas afirmações. Estes são apenas três exemplos do discurso politicamente correcto que o presidente da APAF poderia ter usado para se referir à arbitragem de Tiago Martins em Alvalade no passado domingo. Em vez disso, Luciano Gonçalves preferiu vir a público armar-se em chico-esperto, afirmando (pasme-se!) que assistimos a uma "grande arbitragem"!!!

Luciano Gonçalves podia ter ficado caladinho ou, na pior das hipóteses, ter dito apenas que foi uma arbitragem normal, mas isso era pouco para as suas pretensões. Tinha de ser algo mais cáustico, mais incisivo, mais provocador para o FC Porto, ou seja, tinha mesmo de dizer que foi uma "grande arbitragem"!!!

Só o simples facto de usar o termo "grande arbitragem" traz água no bico, porque ninguém usa tal expressão - a não ser que assistamos a uma arbitragem completamente isenta de erros, o que muito raramente acontece. Por exemplo, ninguém ousa dizer que a final do Campeonato da Europa, que a Selecção Nacional ganhou frente à França para gáudio lusitano, teve uma "grande arbitragem", já que, logo aos 7 minutos de jogo, Cristiano Ronaldo sofreu uma entrada dura não sancionada pelo árbitro que atirou o nosso capitão para fora da partida. Ora, se bastou esse erro grosseiro para que a performance de Mark Clattenburg tenha perdido o estatuto de "grande arbitragem", só por manifesta desonestidade ou má-fé se pode considerar que o deplorável festival de incompetência e parcialidade a que se assistiu em Alvalade merece tão alta classificação.  
Muito mais próxima da "grande arbitragem" ficou a do polaco Szymon Marciniak em Roma, que, sem olhar a caras nem a camisolas, teve coragem e carácter para punir dois jogadores da equipa da casa com cartões vermelhos plenamente justificados. Como diz o povo, teve-os no sítio - e não me refiro neste caso aos cartões, mas a algo que Tiago Martins, pura e simplesmente, não tem.

O presidente da APAF deve achar que todos nós, adeptos, não passamos de um grupo de saloios, parvos e ignorantes, que nada percebem de futebol. Deve pensar que, com o seu discurso falacioso, irá calar a nossa revolta, convencendo-nos de que, afinal, aquilo que pensávamos ser um roubo descarado foi afinal uma "grande arbitragem". As cotoveladas e entradas de sola que passaram impunes, os cortes com a mão não sancionados e os golos irregulares mal validados que deram a vitória ao Sporting de bandeja, foram apenas uma mera ilusão de óptica, um delírio colectivo que assolou o país de lés a lés. Ainda bem que temos os iluminados dirigentes da APAF para nos trazer luz sobre o assunto...

É por estas e por outras que Portugal não tem, presentemente, qualquer representação entre os árbitros da elite mundial e, pelo que se viu em Alvalade, assim continuará nos próximos anos. Não tivemos (nem teremos) nenhum árbitro português nas fases finais das últimas edições da Liga dos Campeões, nem da Liga Europa, nem do Campeonato da Europa, nem do Campeonato do Mundo, e nem sequer dos Jogos Olímpicos. Para pertencer ao mais alto escalão da FIFA não basta pregar um autocolante no peito de um árbitro inexperiente, incompetente e inapto, e esperar que alguém na UEFA ou na FIFA seja suficientemente cego ou burro para se deixar enganar. Tentar branquear actuações criminosas como a que se viu em Alvalade disfarçando-as de "grandes arbitragens" pode ir ao encontro de certos interesses da Capital do Império e até cair no goto de uma certa elite lisboeta, ávida de conquista de um título de campeão que lhe foge há muitos anos, mas decididamente não convence minimamente ninguém que tenha dois olhos e dois dedos de testa, e muito menos serve os interesses do futebol português. Talvez fosse boa ideia alguém explicar isso ao presidente da APAF.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Parece um pardal à solta, o puto

Tiago Martins é um caso de estudo, um daqueles paradoxos universais que ninguém até hoje conseguiu explicar à luz da razão e da lógica. Não foi, com certeza, devido à idade que este juiz da Associação de Lisboa chegou ao nível internacional, já que é demasiado jovem para tal, estando muito abaixo da média de idades de todos os árbitros do seu escalão. Também não foi graças à experiência, pois antes de receber as insígnias da FIFA tinha arbitrado apenas três jogos da I Liga, nenhum dos quais envolvendo os três clubes grandes. Muito menos terá sido pela competência porque, como já antes o tinha demonstrado e ontem comprovou, não possui nenhuma. 

Não. Tiago Martins terá subido pela mão de pessoas que, por motivos muito estranhos e de difícil compreensão, terão visto nele algum interesse. Provavelmente, as mesmas pessoas que, incompreensivelmente, o escolheram para ir a Alvalade dirigir o confronto entre dois candidatos ao título, sabendo de antemão que pôr um puto a arbitrar um jogo de homens só pode dar mau resultado. As mesmas que agora o protegem, branqueando a postura verdadeiramente criminosa com que foi desvirtuando o jogo e viciando a verdade desportiva em favor da equipa da casa.

Se eu fosse presidente do FC Porto, faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que esta arbitragem de Tiago Martins fosse devidamente punida. Mais do que isso, tudo faria para que este farsante disfarçado de árbitro não voltasse a pôr os pés no Dragão, nem que comprasse bilhete para assistir a um jogo na bancada como um comum adepto. Infelizmente, eu não sou presidente do FC Porto e resta-me esperar que o meu clube tenha finalmente um assomo de dignidade e dê voz à indignação e revolta dos adeptos, agindo de forma contundente face a este autêntico assalto à mão armada de que foi vítima ontem em Alvalade.

domingo, 28 de agosto de 2016

Arbitragem SUJA!

Não quero falar muito de cabeça quente para não cometer injustiças, mas aquilo que se viu em Alvalade foi uma arbitragem muito SUJA! Uma arbitragem que viciou completamente a verdade desportiva, invertendo o rumo dos acontecimentos e inclinando o terreno de jogo em favor da equipa da casa. Essa arbitragem não tem apenas um rosto mas vários, a começar pelo árbitro principal, Tiago Martins, passando pelos juízes-de-linha, o quarto-árbitro e todos aqueles que, estando a frente do Conselho de Arbitragem, puseram um fedelho sem categoria absolutamente nenhuma a arbitrar um jogo desta importância. E, para já, mais não digo.

sábado, 20 de agosto de 2016

A minha fé chama-se Rúben

O futebol moderno joga-se dentro do campo como o xadrez se joga no tabuleiro. As peças, cada qual com a sua hierarquia e importância, assumem funções distintas, dispondo-se e movendo-se no terreno segundo estratégias pré-concebidas. No entanto, qualquer treinador, assim como qualquer bom jogador de xadrez, sabe que entrar para uma partida rigidamente agarrado a uma determinada táctica é sinónimo de derrota. O jogo muda, o adversário muda, as condições mudam, o que exige capacidade de leitura, interpretação e reacção. 

Ao minuto 84 do confronto com a Roma, Rúben Neves  preparava-se para entrar em jogo quando Nuno Espírito Santo, ao aperceber-se que o seu opositor se preparava, também ele, para proceder a uma substituição, decidiu alterar a sua decisão. Mandou sentar Rúben Neves e entrar Evandro, o que apanhou o jovem jogador de surpresa, causando-lhe enorme desconforto. As câmaras de televisão logo se apressaram a captar um Rúben Neves desolado, com as lágrimas a rolar pela cara abaixo, e os abutres da Capital do Império, sempre ávidos de motivos para destabilizar o FC Porto, viram ali uma possível desavença entre o jogador e o técnico. Nada mais falso, como o próprio jogador, de forma irrepreensível, logo tratou de esclarecer através de um comentário publicado no Instagram. 

Mesmo tratando-se de um caso pouco usual, a verdade é que ele nada encerra de negativo, antes pelo contrário. Vista pelo prisma correcto, a situação deve motivar a confiança e a fé dos adeptos portistas nos intervenientes. Por um lado, porque demonstra que temos um treinador atento, versátil, dinâmico, que reage às vicissitudes do jogo e actua em conformidade com as necessidades e objectivos da equipa. Por outro lado, porque temos em Rúben Neves um jogador inconformado, abnegado, que se recusa a ser um simples peão neste xadrez. Nessa perspectiva, pena é que não chorem todos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Mais futebol e menos facciosismo, é o que se exige!

Qualquer jornalista que possua carteira profissional e exerça em jornais, canais televisivos ou quaisquer outros órgãos de comunicação social públicos ou privados, devia ver limitadas por lei as suas funções ao mais elementar dever da informação, sendo proibido de manifestar a sua visão pessoal sobre os assuntos abordados. Isto porque se por um lado encontramos  muitos jornalistas sérios que, independentemente das circunstâncias, nunca perdem de vista as obrigações de isenção, idoneidade e honestidade que o código deontológico lhes impõe, outros há que, mostrando-se incapazes de se distanciar devidamente dos seus próprios interesses mesquinhos, abusam da projecção mediática que a profissão lhes confere para se transformarem em autênticos agentes de propaganda ao serviço de lobbies de carácter duvidoso.

O MaisFutebol começou por ser um jornal on-line sem grande expressão, mas que tem vindo ao longo dos anos a ganhar alguma importância mediática. Lamentavelmente, tem-se vindo a assistir a uma degradação sistemática da isenção jornalística, inversamente proporcional a um aumento dos critérios editoriais em notório favorecimento dos emblemas de Lisboa. A rubrica "Sobe e Desce", um artigo de opinião assinado pelo actual subdirector e editor do jornal, Luís Mateus, no qual, supostamente, deveria ser analisado o que de melhor e de pior vai acontecendo no futebol, é disso exemplo flagrante.

Dos últimos 20 "Desces", nada mais nada menos que 7 (SETE!) foram dedicados ao FC Porto. Por outras palavras, Luís Mateus vislumbrou no clube azul e branco, na sua direcção e no seu treinador, um terço de tudo aquilo que de pior aconteceu no mundo da bola desde Setembro de 2015. Fantástico! Curiosamente, neste mesmo período de quase um ano, o FC Porto e seus agentes não mereceram um único "Sobe", ao contrário dos seus rivais de Lisboa que, em várias ocasiões e por diversos motivos, foram agraciados com rasgados elogios. Ora, se esta simples estatística seria só por si suficiente para, no mínimo, levantar algumas dúvidas sobre a seriedade dos critérios do sr. Luís Mateus, a análise dos seus argumentos rebenta com qualquer bolha de incerteza.

Atente-se, a  título de exemplo, ao último "Desce", atribuído - como não poderia deixar de ser - ao FC Porto, a propósito da inscrição de Laurent Depoitre no play-off da UEFA Champions League. Independentemente de se concordar ou não com a forma como o clube portista lidou com o possível impedimento de usar o avançado recém-contratado nos jogos frente à Roma, não vos parece que essa situação assume contornos de quase total  insignificância quando comparada com o lamentável comportamento violento protagonizado pelos adeptos encarnados nas bancadas do Municipal de Aveiro, ou com a vergonhosa novela Slimani que se arrasta há várias semanas e não parece ter fim à vista? Uma novela que já teve de tudo, desde faltas injustificadas aos treinos, trocas de acusações, ameaças de processos disciplinares, alegadas propostas em catadupa de clubes estrangeiros que afinal não se confirmam, etc, etc, etc? Pois... mas nisso o sr. Luís Mateus não encontra nada de negativo...

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Vêm aí os romanos


Ultrapassado que está o Rio Ave no primeiro embate desta época a contar para a I Liga, é tempo de voltar as lanças para o próximo adversário: a AS Roma. Quis a sorte (?) que calhasse aos Dragões a fava do sorteio do play-off da UEFA Champions League, já que exceptuando as equipas cabeças de série - que o FC Porto não poderia defrontar por ser também ele cabeça de série - o emblema italiano apresentava-se, à partida, como o obstáculo mais complicado no apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus. Mas quem é, afinal, este adversário?

A Associazione Sportiva Roma, normalmente conhecida como A.S. Roma - ou simplesmente Roma - é, a par da Lázio, um dos principais clubes da capital italiana. Fundada em 1927, joga actualmente na primeira divisão da liga italiana, a Serie A, tendo obtido a terceira posição na época passada, atrás da campeã Juventus e do Nápoles, 2º classificado. 

Apesar dos seus 89 anos de história, a Roma possui um palmarés relativamente pobre: conquistou apenas 3 Campeonatos de Itália, 9 Taças de Itália e 2 Supertaças. A nível internacional, o máximo que conseguiu foi disputar duas finais europeias: uma da UEFA Champions League, em 1984, que perdeu frente ao Liverpool, e outra da Taça UEFA, em 1991, que perdeu frente ao Inter de Milão. Não se julgue porém que se trata de um adversário fraco. Ainda que se mantenha num patamar ligeiramente abaixo dos seus principais rivais, a Roma faz, todos os anos, um avultado investimento no seu plantel, apresentando-se sempre como um dos mais fortes candidatos à conquista do título italiano e um oponente temível que ninguém gosta de defrontar nas competições europeias. Atente-se que, na preparação desta nova época, os gastos em reforços rondam já os 100 milhões de euros, o que diz tudo sobre as elevadas expectativas com que os romanos encaram as competições em que estão inseridos. 

O equipamento tradicional da Roma - desde há vários anos patrocinado pela Nike - apresenta duas cores: o vermelho e o amarelo, ambos em tons escuros. O alternativo é branco.
O símbolo tem a forma de brasão e inclui a Lupa Capitolina, uma escultura medieval que representa uma loba a amamentar Rómulo e Remo, um símbolo que os antigos romanos associavam à fundação de Roma.

Uma das principais figuras da equipa da Roma é o seu capitão, Francesco Totti. O avançado de 39 anos de idade fez a sua carreira sempre ao serviço do emblema italiano, mas sagrou-se campeão do mundo em 2006 pela Selecção de Itália. Foi também eleito por cinco vezes como o melhor jogador italiano, sendo considerado o melhor jogador italiano de todos os tempos e um dos melhores 10 da historia do futebol mundial.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Deus queira que eu esteja enganado

Não creio que, a exemplo do que acontece com a eleição dos Papas no Vaticano, a escolha do novo avançado do FC Porto tenha sido decidida por unanimidade dos votos secretos dos Bispos reunidos em Conclave, mas o certo é que foi preciso esperar até ao último dia do período de inscrições para ver fumo branco a sair da chaminé do Dragão. A demora, pouco habitual para estas bandas, causa maior estranheza pelo facto de Pinto da Costa ter decretado o início da presente temporada quando ainda faltavam realizar alguns jogos da época transacta - entre eles a final da Taça de Portugal - deixando a ideia de que o clube tinha pressa em construir um plantel de qualidade com vista à conquista de títulos. Afinal, o Dossier 9 acabou por revelar-se de muito difícil e tardia resolução, não obstante se ter percebido, desde há várias semanas, que Aboubakar era uma carta fora do baralho e Adrián Lopez não passava de uma pálida amostra de ponta-de-lança quando comparado com o jovem portento André Silva. De Bueno, então, nem vale a pena falar.

Longe vão os tempos em que, gozando de uma extraordinária equipa de olheiros, o FC Porto conseguia desencantar, nos mais recônditos lugares, jogadores de elevada qualidade e por valores bastante acessíveis. São disso exemplo Hulk, Falcão e Jackson Martinez - só para enumerar alguns dos mais recentes - ilustres desconhecidos que acabaram por deixar o seu nome escrito a letras de ouro nos anais da história portista. Não será, obviamente, uma regra, mas verifica-se uma certa tendência para que os jogadores que vêm sem a chancela do scouting do clube e apenas com a referência do treinador ou dos agentes, não tenham sucesso. Infelizmente, o plantel está cheio de casos desses - muitos ainda à espera de resolução - muito por força da liberdade excessiva que foi dada a Julen Lopetegui. Nesta perspectiva, não deixa de causar alguma apreensão ouvir Pinto da Costa afirmar que não conhecia o novo reforço e que este veio apenas porque Nuno Espírito Santo o pretendia. Se o jogador fosse mesmo bom, não era suposto estar já referenciado pelo clube?

Sinceramente, custa-me a entender os critérios da escolha de Laurent Depoitre para a posição de ponta-de-lança, de tal forma que não consigo afastar do meu espírito uma certa sensação de desilusão. Parece-me evidente que se trata de uma contratação de recurso, assumida em cima da hora, e não a decisão ponderada e devidamente fundamentada que todos esperávamos e exigíamos. Se por um lado é inquestionável que os seus 27 anos de idade e a longa carreira conferem experiência ao belga, por outro lado parece pouco abonatório que, com tantos anos de futebol, este tenha apenas uma internacionalização pelo seu país e nunca tenha jogado em grandes clubes. Mesmo admitindo que os vídeos disponíveis na Internet sobre o jogador poderão não fazer jus ao seu real valor, a verdade é que tudo o que vi até ao momento não abre grandes expectativas. Não que estejamos na presença de mais um Pablo Osvaldo - esse sim, um verdadeiro flop, um frustrado perdido entre uma paupérrima carreira de futebolista e uma patética vocação de roqueiro - mas talvez um Marc Janko, cuja elevada estatura só serve para acentuar a azelhice. Deus queira que eu esteja enganado.

domingo, 7 de agosto de 2016

Novos equipamentos: 5 estrelas!


Depois do flop que foi o equipamento alternativo cor de cocó, perdão, cor de cacau, da época passada, esperava-se que a New Balance nos oferecesse para este ano produtos superiores, ao nível do melhor que se vê nas equipas de topo. Há que reconhecer que, desta vez, a marca americana esmerou-se e não é por mero acaso que o equipamento principal do FC Porto foi escolhido pela revista FourFourTwo como um dos mais bonitos desta época.

À tradicional camisola azul e branca, a New Balance conferiu um toque de inovação e modernidade com as listas verticais em degrade de azul. A gola e os números a vermelho nas costas e nos calções baseiam-se no equipamento que os dragões usaram aquando da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus e que tão boas recordações traz a todos os portistas que viveram essa época de glória. A lista larga horizontal em torno das meias fecha um conjunto globalmente bem conseguido que, com certeza, muitos portistas quererão juntar à sua colecção. Cinco estrelas!

Ainda que o amarelo não seja propriamente uma novidade nos equipamentos alternativos do FC Porto, o tom vivo da nova camisola destaca-se de todos os demais. Além dos apontamentos em azul forte na forma de listas horizontais, os desenhos geométricos que se distinguem no amarelo formam um conjunto simples mas inovador, moderno e esteticamente atractivo. Excelente!


Infelizmente, nem tudo é positivo, já que o equipamento preto deixa muito a desejar. A Constelação de Draco representada na parte frontal da camisola pode ter muito significado para o clube, mas, a exemplo do que acontece com muitas ideias teoricamente boas, esta não funciona em termos práticos. As estrelas brancas nada dizem a quem não está informado sobre o seu significado e, a uma curta distância, nada mais são do que pequenos pontos praticamente invisíveis e sem qualquer efeito visual. Além disso, a falta de outros elementos estéticos e o tom de cinza do próprio símbolo retira interesse ao equipamento, tornando-o numa monótona mancha negra, sem vida, sem alegria. Desiludiu-me também o material dos emblemas do clube, já que os antigos bordados foram agora substituídos por estampados. Trata-se de um pormenor de somenos importância, é certo, mas que não deixa de mostrar que nem sempre a evolução se faz para melhor.

Agora é a doer

Uma vitória, ainda que pela margem mínima, é sempre uma excelente forma da equipa se apresentar aos sócios, e ainda para mais quando, ao resultado positivo, se juntam alguns momentos de elevada beleza futebolística. As triangulações e as transições rápidas a que se foi assistindo no decorrer do jogo demonstram que Nuno Espírito Santo conseguiu, em cerca de 30 dias, incutir neste grupo algo que os seus antecessores não conseguiram em muitos meses de trabalho: rotinas de jogo.

André Silva mostrou mais uma vez o porquê de ser o novo menino querido dos portistas, não só marcando um golo pleno de oportunidade à boa maneira de um verdadeiro ponta-de-lança, mas também protagonizando um par de outros lances de perigo junto à baliza adversária que entusiasmaram o público e deram mais colorido à festa. Infelizmente, o jovem dragão parece ser, cada vez mais, uma solução isolada no ataque portista, já que Aboubakar é claramente uma carta fora do baralho e Adrián Lopez teima em não corresponder às expectativas, não obstante as múltiplas oportunidades que lhe vão sendo dadas. É certo que, frente ao Vitória de Guimarães, o avançado espanhol podia ter marcado por duas vezes com dois bons remates de cabeça, mas, como sempre acontece, o esforço foi infrutífero. Adrián luta, corre, esforça-se, mas falta sempre aquele pozinho mágico que transforma o vulgar em extraordinário. É perigoso acreditar que Adrián pode ser a solução para o ataque que o FC Porto necessita para fazer frente à exigência da época. Não é, e quanto mais tempo demorarem a perceber isso, pior.

Outro aspecto que motiva preocupação é a defesa, em especial a dupla de centrais. Foram várias as vezes que o sector recuado vacilou perigosamente, dando autênticas abébias aos adversários que estes só por mera azelhice não aproveitaram. Sendo certo que Felipe vai dando mostras de ser um reforço com potencial, parece evidente que o brasileiro não possui os predicados para se afirmar como o patrão da defesa que o FC Porto precisa. Nessa perspectiva, a ausência de uma surpresa de última hora na apresentação do plantel causou desilusão, já que imperava entre os adeptos a convicção de que a contratação de um central experiente era um facto consumado. Ainda é possível proceder a alguns acertos no plantel, mas o tempo começa a apertar, tanto mais que a Roma está já ali ao virar da esquina. E agora é a doer...