sábado, 20 de agosto de 2016

A minha fé chama-se Rúben

O futebol moderno joga-se dentro do campo como o xadrez se joga no tabuleiro. As peças, cada qual com a sua hierarquia e importância, assumem funções distintas, dispondo-se e movendo-se no terreno segundo estratégias pré-concebidas. No entanto, qualquer treinador, assim como qualquer bom jogador de xadrez, sabe que entrar para uma partida rigidamente agarrado a uma determinada táctica é sinónimo de derrota. O jogo muda, o adversário muda, as condições mudam, o que exige capacidade de leitura, interpretação e reacção. 

Ao minuto 84 do confronto com a Roma, Rúben Neves  preparava-se para entrar em jogo quando Nuno Espírito Santo, ao aperceber-se que o seu opositor se preparava, também ele, para proceder a uma substituição, decidiu alterar a sua decisão. Mandou sentar Rúben Neves e entrar Evandro, o que apanhou o jovem jogador de surpresa, causando-lhe enorme desconforto. As câmaras de televisão logo se apressaram a captar um Rúben Neves desolado, com as lágrimas a rolar pela cara abaixo, e os abutres da Capital do Império, sempre ávidos de motivos para destabilizar o FC Porto, viram ali uma possível desavença entre o jogador e o técnico. Nada mais falso, como o próprio jogador, de forma irrepreensível, logo tratou de esclarecer através de um comentário publicado no Instagram. 

Mesmo tratando-se de um caso pouco usual, a verdade é que ele nada encerra de negativo, antes pelo contrário. Vista pelo prisma correcto, a situação deve motivar a confiança e a fé dos adeptos portistas nos intervenientes. Por um lado, porque demonstra que temos um treinador atento, versátil, dinâmico, que reage às vicissitudes do jogo e actua em conformidade com as necessidades e objectivos da equipa. Por outro lado, porque temos em Rúben Neves um jogador inconformado, abnegado, que se recusa a ser um simples peão neste xadrez. Nessa perspectiva, pena é que não chorem todos.

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