domingo, 7 de agosto de 2016

Agora é a doer

Uma vitória, ainda que pela margem mínima, é sempre uma excelente forma da equipa se apresentar aos sócios, e ainda para mais quando, ao resultado positivo, se juntam alguns momentos de elevada beleza futebolística. As triangulações e as transições rápidas a que se foi assistindo no decorrer do jogo demonstram que Nuno Espírito Santo conseguiu, em cerca de 30 dias, incutir neste grupo algo que os seus antecessores não conseguiram em muitos meses de trabalho: rotinas de jogo.

André Silva mostrou mais uma vez o porquê de ser o novo menino querido dos portistas, não só marcando um golo pleno de oportunidade à boa maneira de um verdadeiro ponta-de-lança, mas também protagonizando um par de outros lances de perigo junto à baliza adversária que entusiasmaram o público e deram mais colorido à festa. Infelizmente, o jovem dragão parece ser, cada vez mais, uma solução isolada no ataque portista, já que Aboubakar é claramente uma carta fora do baralho e Adrián Lopez teima em não corresponder às expectativas, não obstante as múltiplas oportunidades que lhe vão sendo dadas. É certo que, frente ao Vitória de Guimarães, o avançado espanhol podia ter marcado por duas vezes com dois bons remates de cabeça, mas, como sempre acontece, o esforço foi infrutífero. Adrián luta, corre, esforça-se, mas falta sempre aquele pozinho mágico que transforma o vulgar em extraordinário. É perigoso acreditar que Adrián pode ser a solução para o ataque que o FC Porto necessita para fazer frente à exigência da época. Não é, e quanto mais tempo demorarem a perceber isso, pior.

Outro aspecto que motiva preocupação é a defesa, em especial a dupla de centrais. Foram várias as vezes que o sector recuado vacilou perigosamente, dando autênticas abébias aos adversários que estes só por mera azelhice não aproveitaram. Sendo certo que Felipe vai dando mostras de ser um reforço com potencial, parece evidente que o brasileiro não possui os predicados para se afirmar como o patrão da defesa que o FC Porto precisa. Nessa perspectiva, a ausência de uma surpresa de última hora na apresentação do plantel causou desilusão, já que imperava entre os adeptos a convicção de que a contratação de um central experiente era um facto consumado. Ainda é possível proceder a alguns acertos no plantel, mas o tempo começa a apertar, tanto mais que a Roma está já ali ao virar da esquina. E agora é a doer... 

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