terça-feira, 9 de agosto de 2016

Deus queira que eu esteja enganado

Não creio que, a exemplo do que acontece com a eleição dos Papas no Vaticano, a escolha do novo avançado do FC Porto tenha sido decidida por unanimidade dos votos secretos dos Bispos reunidos em Conclave, mas o certo é que foi preciso esperar até ao último dia do período de inscrições para ver fumo branco a sair da chaminé do Dragão. A demora, pouco habitual para estas bandas, causa maior estranheza pelo facto de Pinto da Costa ter decretado o início da presente temporada quando ainda faltavam realizar alguns jogos da época transacta - entre eles a final da Taça de Portugal - deixando a ideia de que o clube tinha pressa em construir um plantel de qualidade com vista à conquista de títulos. Afinal, o Dossier 9 acabou por revelar-se de muito difícil e tardia resolução, não obstante se ter percebido, desde há várias semanas, que Aboubakar era uma carta fora do baralho e Adrián Lopez não passava de uma pálida amostra de ponta-de-lança quando comparado com o jovem portento André Silva. De Bueno, então, nem vale a pena falar.

Longe vão os tempos em que, gozando de uma extraordinária equipa de olheiros, o FC Porto conseguia desencantar, nos mais recônditos lugares, jogadores de elevada qualidade e por valores bastante acessíveis. São disso exemplo Hulk, Falcão e Jackson Martinez - só para enumerar alguns dos mais recentes - ilustres desconhecidos que acabaram por deixar o seu nome escrito a letras de ouro nos anais da história portista. Não será, obviamente, uma regra, mas verifica-se uma certa tendência para que os jogadores que vêm sem a chancela do scouting do clube e apenas com a referência do treinador ou dos agentes, não tenham sucesso. Infelizmente, o plantel está cheio de casos desses - muitos ainda à espera de resolução - muito por força da liberdade excessiva que foi dada a Julen Lopetegui. Nesta perspectiva, não deixa de causar alguma apreensão ouvir Pinto da Costa afirmar que não conhecia o novo reforço e que este veio apenas porque Nuno Espírito Santo o pretendia. Se o jogador fosse mesmo bom, não era suposto estar já referenciado pelo clube?

Sinceramente, custa-me a entender os critérios da escolha de Laurent Depoitre para a posição de ponta-de-lança, de tal forma que não consigo afastar do meu espírito uma certa sensação de desilusão. Parece-me evidente que se trata de uma contratação de recurso, assumida em cima da hora, e não a decisão ponderada e devidamente fundamentada que todos esperávamos e exigíamos. Se por um lado é inquestionável que os seus 27 anos de idade e a longa carreira conferem experiência ao belga, por outro lado parece pouco abonatório que, com tantos anos de futebol, este tenha apenas uma internacionalização pelo seu país e nunca tenha jogado em grandes clubes. Mesmo admitindo que os vídeos disponíveis na Internet sobre o jogador poderão não fazer jus ao seu real valor, a verdade é que tudo o que vi até ao momento não abre grandes expectativas. Não que estejamos na presença de mais um Pablo Osvaldo - esse sim, um verdadeiro flop, um frustrado perdido entre uma paupérrima carreira de futebolista e uma patética vocação de roqueiro - mas talvez um Marc Janko, cuja elevada estatura só serve para acentuar a azelhice. Deus queira que eu esteja enganado.

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