quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Mais futebol e menos facciosismo, é o que se exige!

Qualquer jornalista que possua carteira profissional e exerça em jornais, canais televisivos ou quaisquer outros órgãos de comunicação social públicos ou privados, devia ver limitadas por lei as suas funções ao mais elementar dever da informação, sendo proibido de manifestar a sua visão pessoal sobre os assuntos abordados. Isto porque se por um lado encontramos  muitos jornalistas sérios que, independentemente das circunstâncias, nunca perdem de vista as obrigações de isenção, idoneidade e honestidade que o código deontológico lhes impõe, outros há que, mostrando-se incapazes de se distanciar devidamente dos seus próprios interesses mesquinhos, abusam da projecção mediática que a profissão lhes confere para se transformarem em autênticos agentes de propaganda ao serviço de lobbies de carácter duvidoso.

O MaisFutebol começou por ser um jornal on-line sem grande expressão, mas que tem vindo ao longo dos anos a ganhar alguma importância mediática. Lamentavelmente, tem-se vindo a assistir a uma degradação sistemática da isenção jornalística, inversamente proporcional a um aumento dos critérios editoriais em notório favorecimento dos emblemas de Lisboa. A rubrica "Sobe e Desce", um artigo de opinião assinado pelo actual subdirector e editor do jornal, Luís Mateus, no qual, supostamente, deveria ser analisado o que de melhor e de pior vai acontecendo no futebol, é disso exemplo flagrante.

Dos últimos 20 "Desces", nada mais nada menos que 7 (SETE!) foram dedicados ao FC Porto. Por outras palavras, Luís Mateus vislumbrou no clube azul e branco, na sua direcção e no seu treinador, um terço de tudo aquilo que de pior aconteceu no mundo da bola desde Setembro de 2015. Fantástico! Curiosamente, neste mesmo período de quase um ano, o FC Porto e seus agentes não mereceram um único "Sobe", ao contrário dos seus rivais de Lisboa que, em várias ocasiões e por diversos motivos, foram agraciados com rasgados elogios. Ora, se esta simples estatística seria só por si suficiente para, no mínimo, levantar algumas dúvidas sobre a seriedade dos critérios do sr. Luís Mateus, a análise dos seus argumentos rebenta com qualquer bolha de incerteza.

Atente-se, a  título de exemplo, ao último "Desce", atribuído - como não poderia deixar de ser - ao FC Porto, a propósito da inscrição de Laurent Depoitre no play-off da UEFA Champions League. Independentemente de se concordar ou não com a forma como o clube portista lidou com o possível impedimento de usar o avançado recém-contratado nos jogos frente à Roma, não vos parece que essa situação assume contornos de quase total  insignificância quando comparada com o lamentável comportamento violento protagonizado pelos adeptos encarnados nas bancadas do Municipal de Aveiro, ou com a vergonhosa novela Slimani que se arrasta há várias semanas e não parece ter fim à vista? Uma novela que já teve de tudo, desde faltas injustificadas aos treinos, trocas de acusações, ameaças de processos disciplinares, alegadas propostas em catadupa de clubes estrangeiros que afinal não se confirmam, etc, etc, etc? Pois... mas nisso o sr. Luís Mateus não encontra nada de negativo...

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