terça-feira, 8 de novembro de 2016

Na dúvida, prejudica-se o Porto


Na linha do que vem acontecendo praticamente em todas as jornadas, o FC Porto saiu do clássico do passado domingo com razões objectivas de queixa contra o árbitro. Artur Soares Dias cometeu erros que podem ter tido influência directa no resultado, erros esses que, se tivessem acontecido em prejuízo do clube do regime, teriam motivado uma reacção bem mais agressiva da parte dos rivais e da imprensa da capital. Infelizmente, graças a uma postura de quase total passividade (excepção feita ao Dragões Diário, que fez uma tímida referência à questão da dualidade de critérios) a SAD portista vai deixando caminho livre para o constante branqueamento de uma situação que está a deixar os portistas (e não só) à beira de um ataque de nervos.

Dos três lances polémicos ocorridos na área do Benfica, todos eles susceptíveis de grande penalidade, Artur Soares Dias não marcou nenhum. Esta estatística deveria ser, por si só, motivadora de estranheza, pois não é normal que, perante um considerável número de lances duvidosos, um árbitro decida 100% a favor de uma das equipas. Se acrescentarmos a isto o facto do FC Porto jogar em casa e sabendo-se que a pressão do público exerce normalmente algum efeito sobre as decisões dos árbitros, a postura de Artur Soares Dias assume contornos ainda mais suspeitos.

Atente-se agora à questão dos critérios: se no caso da queda do Otávio e do puxão da camisola ao André Silva a questão da intensidade ainda poderá de alguma forma justificar as decisões do árbitro, já na falta assinalada ao Felipe aos 25 minutos de jogo ficou bem patente uma linha de orientação que tem sido comum a todos os árbitros: na dúvida, prejudica-se o Porto! É que, para além do toque de Felipe na bola ser absolutamente casual (como reconhecem unanimemente os analistas de arbitragem), é Mitroglou quem corta primeiro o centro com o braço, logo, a ser assinalada alguma falta, teria obviamente de ser penalty contra o Benfica. Artur Soares Dias podia ter optado simplesmente por deixar seguir o jogo, considerando que a carambola que a bola fez entre os braços dos dois jogadores foi casual, mas em vez disso optou pela mais ridícula e inexplicável das decisões: ignorou a falta do jogador benfiquista e assinalou falta contra os Dragões, anulando assim um lance de golo feito. 

O que mais revolta nesta postura de constante prejuízo do FC Porto é a sua previsibilidade. Já não estamos aqui a falar de casos isolados, mas da repetição sistemática dos erros de arbitragem, sempre a fazer pender os pratos da balança para o mesmo lado, o que denuncia uma gravíssima padronização comportamental dos árbitros. Parece estar instituído que, em caso de dúvida, os juízes decidam contra o FC Porto, o que, obviamente, se traduz numa clara viciação da verdade desportiva. A brutal diferença de nível verificada no futebol praticado pelo Porto e pelo Benfica neste confronto directo demonstrou de forma clara e inequívoca que o fosso de 5 pontos que se mantém entre o primeiro e o segundo classificados não reflecte o  verdadeiro valor das equipas, sendo antes fruto da interferência directa das arbitragens nos resultados de vários jogos e, consequentemente, na classificação da Liga.  

Parece-me evidente que enquanto as autoridades não actuarem com firmeza na clarificação de casos como o dos presentes aos árbitros e outras manigâncias que vão acontecendo com total impunidade nos meandros do futebol, dificilmente se conseguirá limpar a cabeça dos árbitros, libertando-os das pressões e coacções que, consciente ou inconscientemente, os conduzem ao atropelo dos valores de isenção e idoneidade que deveriam orientar a sua função. Parece-me também claro que  a implementação de meios audiovisuais na arbitragem contribuiria para reduzir os comportamentos de viciação da verdade desportiva a que temos assistido dentro dos campos, pois retiraria aos árbitros uma grande parte do seu poder decisório.

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