segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Voucher para o título

Se a análise da imprensa portuguesa a este clássico fosse isenta, séria e verdadeiramente livre de influências e interesses, os títulos dos jornais amanhã diriam algo como isto: EQUIPA BANAL ARRANCA UM PONTO NO DRAGÃO SEM SABER LER NEM ESCREVER!

É inacreditável que uma equipa como o Benfica, que é "só" o tri-campeão nacional, que beneficiava de uma vantagem confortável de 5 pontos (e, como tal, sabia que podia encarar o jogo com toda a segurança sem correr o risco de perder a liderança na classificação) e que, em caso de vitória, aumentaria a vantagem para 8 pontos (o que praticamente decidiria a questão do título a seu favor quando ainda estão por disputar muitas jornadas) tenha vindo ao Dragão jogar como uma equipazeca qualquer do fundo da tabela: sem ambição, sem chama, sem carácter, sem nível. O empate arrancado pelo Benfica no Dragão é muito mais do que simplesmente lisonjeiro, é um presente de Natal antecipado!

A táctica de estacionar o autocarro em frente da baliza, pontapear a bola de qualquer forma para a frente à espera do erro do adversário e queimar tempo até mais não poder enquanto o resultado se manteve em 0-0, pode até aceitar-se em equipas de fracos recursos, mas nunca no Benfica. A paupérrima imagem deixada pelos lisboetas esta noite no Dragão devia envergonhar qualquer adepto encarnado que se preze e revoltar qualquer portista. De facto, permitir o empate nos últimos segundos de jogo, depois de 90 minutos de um domínio avassalador frente a um adversário claramente inferior e praticamente reduzido a um mero espectador, é um voucher para o título oferecido aos lisboetas e um atestado de menoridade que o FC Porto passou a si próprio. Este era um jogo para o Benfica sair do Dragão vergado por uma derrota de 3-0, não com um empate a uma bola!

Ontem, na antevisão ao jogo, quando confrontado com o mau momento de forma evidenciado por Herrena nas últimas partidas, Nuno Espírito Santo afirmou que não concorda com essa visão e que até considera que o jogador tem vindo a assinar boas exibições. Por ser fiel às suas ideias ou por mera teimosia, o treinador deixou Herrera entrar em jogo a poucos minutos do final da partida, depois deste ter visto praticamente todo o jogo no banco. O resultado desta decisão não podia ser mais desastroso: na primeira vez que tocou no esférico, o mexicano quis ganhar um lançamento pontapeando a bola contra as pernas do adversário e acabou por conceder infantilmente o canto que originou o golo do empate. Estão ambos de parabéns, portanto...

Apesar do empate, sai reforçada deste jogo a seguinte ideia: o Benfica é um líder sem categoria absolutamente nenhuma e sem qualquer justiça, cuja vantagem pontual é fruto, não de uma verdadeira superioridade desportiva, mas sim da intervenção directa das arbitragens. Resta saber até que ponto o FC Porto saberá retirar deste frustrante resultado as devidas ilações e, principalmente, a galvanização necessária para continuar a lutar pelo 1º lugar, com a convicção de que, em circunstâncias normais, sem erros próprios e alheios, tem muito mais condições para ser um justo campeão do que os seus rivais da Luz.

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