domingo, 29 de janeiro de 2017

Ide rezar ao Senhor dos Aflitos

O Porto não desarma na luta pelo título nacional e o nervosismo começa a apoderar-se dos voucheristas que, pelo andar da carruagem da arbitragem na primeira volta da Liga, já deviam pensar que o tetra eram favas contadas. O Polvo começa a sentir o bafo quente do Dragão na nuca, causando-lhe arrepios, suores frios e outras reacções sintomáticas. 

Há um iluminado, autor de um conhecido blogue de apoio às cores do clubezeco do regime, que decidiu, esta semana, fazer um brilhante estudo sobre a percentagem de jogos do FC Porto arbitrados por juízes da Associação de Futebol do Porto, pretendendo assim insinuar que os Dragões têm beneficiado da proximidade regional para daí retirarem dividendos desportivos dentro das quatro linhas. Ora, para começar, não deixa de ser caricato ver os voucheristas usarem este tipo de argumentos regionalistas para atacar os rivais, tanto mais que, durante décadas, alimentaram o mito do seu clube possuir mais adeptos na região do Porto do que o próprio FC Porto. Como é fácil de ver, o discurso vai mudando conforme as conveniências e a tão apregoada hegemonia do número de adeptos desaparece quando lhes interessa passar a ideia de que os árbitros da A.F. do Porto são todos pró-FC Porto.

Numa perspectiva regionalista, é muito mais estranho e merecedor de análise o facto de Nuno Almeida, da A.F. do Algarve, ser conhecido como "Ferrari Vermelho de Monte Gordo" e João Pinheiro, da A.F. de Braga, ser conhecido como "Mostovoi", mas isso, aos olhos dos iluminados do regime, não suscita qualquer suspeita. Já para quem estiver atento, é fácil perceber o nível de isenção destes árbitros quando arbitram jogos do clube lisboeta que tanto idolatram. Assim se vê como a questão da região de que são originários tem muita importância...

Também não causa suspeita aos idólatras do regime o facto de vários juizes da A.F. de Lisboa estarem sempre nos primeiros lugares da classificação dos árbitros, não obstante terem sido protagonistas de algumas das mais escandalosas arbitragens dos últimos anos, como é exemplo o recente jogo Chaves-Porto, arbitrado pelo inigualável João Capela, que ditou a eliminação precoce dos Dragões da Taça de Portugal, ou o clássico de Alvalade, disputado entre o Porto e o Sporting, arbitrado por esse portento da arbitragem chamado Tiago Martins, a quem o Rui Vitória se atirou como um cão raivoso no final do jogo com o Moreirense, não obstante o jovem ter poupado duas expulsões claras aos seus pupilos. Vistas bem as coisas, de que adiantaria ter 100% de árbitros portistas na A.F. Porto, se todos os centros de decisão (Conselho de Arbitragem incluído) onde os caldinhos são cozinhados estão centralizados na Capital do Império?

À luz do argumento usado pelo autor do blogue em causa, fica por explicar por que motivo é que Artur Soares Dias, um árbitro da A.F. do Porto, no clássico do Dragão entre o Porto e o Benfica ter decidido sistematicamente em favor dos encarnados nos quatro lances passíveis de penalty na área do Benfica, incluindo no corte com o braço do Mitroglou que o juiz transformou ridiculamente numa falta contra os portistas. Também por explicar fica o facto deste árbitro portuense ter sido o único alvo das ameaças protagonizadas por dois alegados elementos dos Super Dragões no Centro de Treinamento da Maia. Faz todo o sentido que os portistas ameacem precisamente aqueles que, segundo insinua o iluminado autor do blogue, beneficiam o FC Porto, não faz? Faz, faz... Tal como faz muito sentido que Manuel Oliveira, outro árbitro da A.F. do Porto que ontem arbitrou o Estoril-Porto, tenha feito vista grossa a um penalty descarado por puxão da camisola a André Silva ainda com o resultado em 0-0 e tenha mostrado o cartão amarelo ao Rui Pedro por pretensa simulação noutro lance em que bem podia ter assinalado penalty a favor dos Dragões. Para quem quer beneficiar o FC Porto, não está nada mal, não senhor. Que faria se não quisessem... 

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