sexta-feira, 26 de maio de 2017

A assumpção do crime de corrupção

A FPF apresentou hoje um novo Regulamento Disciplinar para as competições por si organizadas. Entre as alterações ao regime actual agora propostas, destaca-se a definição do limite máximo das ofertas permitidas aos árbitros das competições não profissionais em 200 euros, valor acima do qual será considerado corrupção. 

Recorde-se que o kit que o Benfica oferecia aos árbitros da 1ª Liga até há bem pouco tempo, no conjunto dos vouchers de refeição, camisola do Eusébio e entradas para o museu, não excedia os 300 euros admitidos pela UEFA (argumento amplamente utilizado em defesa do clube lisboeta), mas ultrapassava largamente os 200 euros, o que é agora assumido como corrupção nas competições não profissionais. Logo, é legítimo afirmar que o clubezeco dos vouchers andou efectivamente a praticar um acto condenável durante vários anos, ainda que, por omissão dos regulamentos, tal não seja juridicamente punível. Pois, se os 200 euros para uns é corrupção, por que motivo não o é para todos? Quem define os limites de corruptibilidade, que para uns são os 200 e para outros são os 300 euros? Tal como existem árbitros de 1º e 2º escalão, também existem corruptos de diferentes escalões? Se o objectivo é tornar o futebol mais sério e transparente, porquê diferentes critérios? E sendo o futebol profissional mais exigente, não deveria ter critérios mais apertados?

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