sábado, 20 de janeiro de 2018

Labrego é quem não sabe ler

Se há coisa que me provoca uma profunda náusea, é ver gente mesquinha aproveitar-se de acontecimentos trágicos envolvendo terceiros para daí obter proveitos próprios. Por exemplo, detestei ver alguns partidos a tentar retirar dividendos políticos dos incêndios de Pedrógão Grande, aproveitando-se da profunda revolta e consternação que essa tragédia causou em todos os portugueses. Há valores humanos, éticos e morais que deviam sobrepor-se a qualquer interesse, seja este de cariz político, desportivo, ou qualquer outro. Quem não compreende isto, revela uma baixeza de carácter verdadeiramente atroz.

Como se poderia esperar que, perante os súbitos danos surgidos no chão e nas paredes da bancada do estádio António Coimbra da Mota, as autoridades presentes no local pudessem ter outra reacção que não a de evacuar imediatamente os três milhares de pessoas que ali se encontravam? Quem é que, sendo minimamente consciente e responsável, deixaria de proteger a vida de todas aquelas pessoas, incluindo mulheres e crianças, resguardando-as de uma possível tragédia? Mesmo que se venha a admitir que tudo não passou de um susto, é óbvio que, naquele momento, foi feito aquilo que qualquer ser humano sabe que devia ser feito.

Ao contrário do que alega Nuno Saraiva, director de comunicação do Sporting, suportado por vários órgãos de comunicação social, o parecer do LNEC não afirma, em momento algum, que a bancada nunca esteve em risco e que a segurança da mesma esteve sempre assegurada. No seu ponto 6 - Análise das anomalias observadas e da informação obtida, é afirmado o seguinte:

"As anomalias existentes na zona interior da bancada são de tal forma expressivas que exigem a demolição da laje térrea e a elaboração de um projecto de reabilitação dessa zona”

Já no ponto 7 - Conclusões e recomendações, é dito o seguinte:

"Embora, até à data, não existam indícios de comportamento deficiente da estrutura da bancada, é necessário um melhor apuramento das causas das anomalias para se julgar sobre a evolução da respectiva segurança."

Não creio que Nuno Saraiva se ache mais entendido em matéria de Engenharia Civil do que os peritos do LNEC, a ponto de poder afirmar que tudo não passou de uma farsa com o intuito de viciar a verdade desportiva. Simplesmente, Nuno saraiva é mais um desses energúmenos sem carácter que acha que o resultado de um jogo de futebol é mais importante do que a vida das pessoas. Em suma, é gente que não presta.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Será que o IPDJ também não percebe o cântico?

Em Abril de 2017, a propósito do tristemente célebre cântico da Chapecoense entoado pelos Super Dragões, escrevi um texto onde afirmei o seguinte:

"O cântico que diz "quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica" é absolutamente repugnante e de um mau gosto atroz. Primeiro, porque faz alusão a um trágico acontecimento que afectou a vida de muitas pessoas, e com isso não se brinca. Usar tão fatídico destino como arma de arremesso contra outrem é desvirtuar completamente o sentido de reverência, solidariedade e compaixão que as vítimas do acidente e seus familiares nos merecem enquanto seres humanos. Segundo, porque desejar a morte de alguém, mesmo ao nosso mais odioso rival, é algo tão reles e abjecto que não pode contribuir para a boa imagem de ninguém."

Circulam agora nas redes sociais vários vídeos que mostram a claque do Sporting, em pleno Dragão Caixa, a entoar um cântico de conteúdo muito semelhante ao da Chapecoense, no qual se lamenta que a bancada do Estoril não tenha caído, obviamente referindo-se ao facto da mesma estar repleta de adeptos portistas. Por uma questão de coerência, não farei outro comentário sobre este assunto para além do que já tinha feito anteriormente: desejar a morte de alguém, mesmo ao nosso mais odioso rival, é algo tão reles e abjecto que não pode contribuir para a boa imagem de ninguém. Ponto.

Parece-me agora que, mais do que exigir a condenação do cântico da claque do Sporting por parte dos mesmos agentes desportivos, comentadores e comunicação social, que, em Abril do ano passado, se mostraram tão enérgicos no ataque aos Super Dragões, é importante analisar com especial atenção a reacção do IPDJ perante este caso semelhante. Recorde-se que Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, foi duramente punido com uma multa e a proibição de frequentar os recintos desportivos durante seis meses, portanto, existe toda a legitimidade para exigir o mesmo peso e a mesma medida para com os líderes da claque leonina. Veremos pois se, a exemplo de Bruno de Carvalho, os responsáveis do IPDJ não manifestarão também problemas auditivos que os impeça de perceber o cântico...

Dura lex sed lex


O artigo 94 do Regulamento Disciplinar das competições, que determina a sanção de derrota quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, parece estar a causar muito mal-estar lá para as bandas da Capital do Império.

Parece que os cartilheiros e jornaleiros do regime passaram, repentinamente, a defender um conceito muito próprio de "verdade desportiva", segundo o qual os resultados dos jogos se sobrepõem ao cumprimento dos regulamentos das competições e à própria legislação portuguesa. Curiosamente, numa clara inversão dessa mesma linha de raciocínio, esquecem-se, muito convenientemente, de todas as situações em que os clubes lisboetas beneficiaram, ou pretenderam beneficiar, precisamente de decisões de secretaria, menosprezando os resultados desportivos obtidos dentro das quatro linhas. Por exemplo, em 2016, o Benfica B safou-se da descida de divisão, simplesmente porque o Farense foi punido com sanção de derrota por ter usado indevidamente um jogador no jogo com o... Benfica; em 2014, o Sporting pretendeu que o FC Porto fosse excluído da Taça da Liga, devido a um atraso na entrada dos jogadores ao intervalo; em 2008, o Benfica tentou retirar o FC Porto da Liga dos Campeões, na sequência do processo Apito Dourado. Chegam estes exemplos para demonstrar a hipocrisia dessa gente, ou será preciso acrescentar mais alguma coisa?

Obviamente, todos nós, portistas, queremos que a nossa equipa vença os seus jogos desportivamente, dentro dos campos, e não por via de decisões administrativas. Essa é a essência do desporto e do futebol em particular.  No entanto, não podemos admitir que essa premissa sirva de pretexto para que alguém infrinja a lei de forma leviana e irresponsável, pondo em risco a vida de milhares de pessoas, e consiga sair impune como se nada de grave se tivesse passado. Independentemente do resultado final da partida (ao que tudo indica, a segunda parte do jogo Estoril-Porto irá mesmo realizar-se no dia 21 de Fevereiro), há um processo de investigação a decorrer que, doa a quem doer, terá de ter as devidas consequências disciplinares e legais. E se, à luz dos regulamentos, essas consequências ditarem a derrota administrativa do Estoril, pois que assim seja. Não se trata aqui de uma questão de vontade do FC Porto. Trata-se do cumprimento da lei e do respeito pela vida humana, por muito que isso incomode os jornalistas da BOLA, da CMTV, da TVI e outros paladinos da "verdade desportiva" à moda da Capital do Império.

Se os clubes não estão de acordo com os regulamentos, mudem-nos. Para isso é que servem as Assembleias Gerais da Liga. Não venham é pretender que os regulamentos sejam usados como arma de arremesso, ora sendo respeitados, ora sendo ignorados, conforme os interesses mesquinhos de cada um.  

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Porto é o Maior, Carago! De volta ao activo!

Muito tem acontecido no futebol português ao longo dos vários meses de inactividade deste blogue, mas, atendendo às solicitações de muitos portistas, este regressa mais vivo e saudável que nunca, reassumindo o nome inicial que, durante vários anos, lhe deu o mote: O Porto é o Maior, Carago! Portanto, até já, Dragões!