quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Estão perdoados, mas...

Ontem, no Dragão, o público da casa quis deixar uma inequívoca mensagem de apoio à equipa azul e branca quando, no final do jogo, brindou os jogadores com um forte aplauso, não obstante a humilhante goleada acabada de sofrer às mãos do Liverpool. Percebe-se que existe ali uma consciência colectiva de que para eliminar uma equipa como o Liverpool (que, mesmo não pertencendo à restrita elite dos colossos europeus em que se inserem Real Madrid, Barcelona ou Bayern de Munique, anda lá muitíssimo perto) é necessário uma conjugação anormal de saber e querer (o que, mesmo assim, pode não chegar se os deuses não estiverem para aí virados). No entanto, há também por detrás desta mensagem de apoio um recado subliminar que convém que Sérgio Conceição e seus pupilos compreendam rapidamente. É que, se a nível externo se compreende  e aceita o desequilíbrio desportivo motivado pela diferença de orçamento face às equipas presentes nesta fase da Champions, o mesmo não acontecerá nas competições internas, onde eventuais desaires frente a equipas de menor qualidade e dimensão, quer na Taça de Portugal quer na Primeira Liga, serão agora intoleráveis.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Labrego é quem não sabe ler

Se há coisa que me provoca uma profunda náusea, é ver gente mesquinha aproveitar-se de acontecimentos trágicos envolvendo terceiros para daí obter proveitos próprios. Por exemplo, detestei ver alguns partidos a tentar retirar dividendos políticos dos incêndios de Pedrógão Grande, aproveitando-se da profunda revolta e consternação que essa tragédia causou em todos os portugueses. Há valores humanos, éticos e morais que deviam sobrepor-se a qualquer interesse, seja este de cariz político, desportivo, ou qualquer outro. Quem não compreende isto, revela uma baixeza de carácter verdadeiramente atroz.

Como se poderia esperar que, perante os súbitos danos surgidos no chão e nas paredes da bancada do estádio António Coimbra da Mota, as autoridades presentes no local pudessem ter outra reacção que não a de evacuar imediatamente os três milhares de pessoas que ali se encontravam? Quem é que, sendo minimamente consciente e responsável, deixaria de proteger a vida de todas aquelas pessoas, incluindo mulheres e crianças, resguardando-as de uma possível tragédia? Mesmo que se venha a admitir que tudo não passou de um susto, é óbvio que, naquele momento, foi feito aquilo que qualquer ser humano sabe que devia ser feito.

Ao contrário do que alega Nuno Saraiva, director de comunicação do Sporting, suportado por vários órgãos de comunicação social, o parecer do LNEC não afirma, em momento algum, que a bancada nunca esteve em risco e que a segurança da mesma esteve sempre assegurada. No seu ponto 6 - Análise das anomalias observadas e da informação obtida, é afirmado o seguinte:

"As anomalias existentes na zona interior da bancada são de tal forma expressivas que exigem a demolição da laje térrea e a elaboração de um projecto de reabilitação dessa zona”

Já no ponto 7 - Conclusões e recomendações, é dito o seguinte:

"Embora, até à data, não existam indícios de comportamento deficiente da estrutura da bancada, é necessário um melhor apuramento das causas das anomalias para se julgar sobre a evolução da respectiva segurança."

Não creio que Nuno Saraiva se ache mais entendido em matéria de Engenharia Civil do que os peritos do LNEC, a ponto de poder afirmar que tudo não passou de uma farsa com o intuito de viciar a verdade desportiva. Simplesmente, Nuno saraiva é mais um desses energúmenos sem carácter que acha que o resultado de um jogo de futebol é mais importante do que a vida das pessoas. Em suma, é gente que não presta.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Será que o IPDJ também não percebe o cântico?

Em Abril de 2017, a propósito do tristemente célebre cântico da Chapecoense entoado pelos Super Dragões, escrevi um texto onde afirmei o seguinte:

"O cântico que diz "quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica" é absolutamente repugnante e de um mau gosto atroz. Primeiro, porque faz alusão a um trágico acontecimento que afectou a vida de muitas pessoas, e com isso não se brinca. Usar tão fatídico destino como arma de arremesso contra outrem é desvirtuar completamente o sentido de reverência, solidariedade e compaixão que as vítimas do acidente e seus familiares nos merecem enquanto seres humanos. Segundo, porque desejar a morte de alguém, mesmo ao nosso mais odioso rival, é algo tão reles e abjecto que não pode contribuir para a boa imagem de ninguém."

Circulam agora nas redes sociais vários vídeos que mostram a claque do Sporting, em pleno Dragão Caixa, a entoar um cântico de conteúdo muito semelhante ao da Chapecoense, no qual se lamenta que a bancada do Estoril não tenha caído, obviamente referindo-se ao facto da mesma estar repleta de adeptos portistas. Por uma questão de coerência, não farei outro comentário sobre este assunto para além do que já tinha feito anteriormente: desejar a morte de alguém, mesmo ao nosso mais odioso rival, é algo tão reles e abjecto que não pode contribuir para a boa imagem de ninguém. Ponto.

Parece-me agora que, mais do que exigir a condenação do cântico da claque do Sporting por parte dos mesmos agentes desportivos, comentadores e comunicação social, que, em Abril do ano passado, se mostraram tão enérgicos no ataque aos Super Dragões, é importante analisar com especial atenção a reacção do IPDJ perante este caso semelhante. Recorde-se que Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, foi duramente punido com uma multa e a proibição de frequentar os recintos desportivos durante seis meses, portanto, existe toda a legitimidade para exigir o mesmo peso e a mesma medida para com os líderes da claque leonina. Veremos pois se, a exemplo de Bruno de Carvalho, os responsáveis do IPDJ não manifestarão também problemas auditivos que os impeça de perceber o cântico...

Dura lex sed lex


O artigo 94 do Regulamento Disciplinar das competições, que determina a sanção de derrota quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, parece estar a causar muito mal-estar lá para as bandas da Capital do Império.

Parece que os cartilheiros e jornaleiros do regime passaram, repentinamente, a defender um conceito muito próprio de "verdade desportiva", segundo o qual os resultados dos jogos se sobrepõem ao cumprimento dos regulamentos das competições e à própria legislação portuguesa. Curiosamente, numa clara inversão dessa mesma linha de raciocínio, esquecem-se, muito convenientemente, de todas as situações em que os clubes lisboetas beneficiaram, ou pretenderam beneficiar, precisamente de decisões de secretaria, menosprezando os resultados desportivos obtidos dentro das quatro linhas. Por exemplo, em 2016, o Benfica B safou-se da descida de divisão, simplesmente porque o Farense foi punido com sanção de derrota por ter usado indevidamente um jogador no jogo com o... Benfica; em 2014, o Sporting pretendeu que o FC Porto fosse excluído da Taça da Liga, devido a um atraso na entrada dos jogadores ao intervalo; em 2008, o Benfica tentou retirar o FC Porto da Liga dos Campeões, na sequência do processo Apito Dourado. Chegam estes exemplos para demonstrar a hipocrisia dessa gente, ou será preciso acrescentar mais alguma coisa?

Obviamente, todos nós, portistas, queremos que a nossa equipa vença os seus jogos desportivamente, dentro dos campos, e não por via de decisões administrativas. Essa é a essência do desporto e do futebol em particular.  No entanto, não podemos admitir que essa premissa sirva de pretexto para que alguém infrinja a lei de forma leviana e irresponsável, pondo em risco a vida de milhares de pessoas, e consiga sair impune como se nada de grave se tivesse passado. Independentemente do resultado final da partida (ao que tudo indica, a segunda parte do jogo Estoril-Porto irá mesmo realizar-se no dia 21 de Fevereiro), há um processo de investigação a decorrer que, doa a quem doer, terá de ter as devidas consequências disciplinares e legais. E se, à luz dos regulamentos, essas consequências ditarem a derrota administrativa do Estoril, pois que assim seja. Não se trata aqui de uma questão de vontade do FC Porto. Trata-se do cumprimento da lei e do respeito pela vida humana, por muito que isso incomode os jornalistas da BOLA, da CMTV, da TVI e outros paladinos da "verdade desportiva" à moda da Capital do Império.

Se os clubes não estão de acordo com os regulamentos, mudem-nos. Para isso é que servem as Assembleias Gerais da Liga. Não venham é pretender que os regulamentos sejam usados como arma de arremesso, ora sendo respeitados, ora sendo ignorados, conforme os interesses mesquinhos de cada um.  

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Porto é o Maior, Carago! De volta ao activo!

Muito tem acontecido no futebol português ao longo dos vários meses de inactividade deste blogue, mas, atendendo às solicitações de muitos portistas, este regressa mais vivo e saudável que nunca, reassumindo o nome inicial que, durante vários anos, lhe deu o mote: O Porto é o Maior, Carago! Portanto, até já, Dragões!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Invasão de campo é uma história mal contada

Quando o Diabo de Gaia invadiu o campo no Estádio da Luz, foi facilmente reconhecido, pois era uma figura assídua, quer na Luz, quer nos campos onde o Benfica jogava. Era conhecido pelo seu fervoroso benfiquismo e pelas vestes vistosas e incomuns que envergava, que lhe valeram a alcunha. Quando agrediu o juiz de linha, fê-lo por achar que este havia prejudicado o seu clube numa ou mais situações. Resumindo, havia antecedentes óbvios que o ligavam ao clube encarnado e uma motivação para agir da forma como agiu.
Já o alegado adepto portista que invadiu o terreno de jogo no Dragão durante o clássico não é conhecido de ninguém. Segundo o jornal Record, este reside e possui uma empresa em Lisboa, não havendo registo da sua presença entre as claques portistas da capital. Ora, não vos parece uma situação estranhamente forçada que um adepto portista venha de Lisboa ao Porto para assistir a um jogo do clube do seu coração e, assim do nada, resolva invadir o campo para agredir um jogador da equipa adversária, sabendo que daí adviriam graves consequências, quer para o clube, quer para a sua vida pessoal? E por que motivo não agrediu o árbitro, que prejudicou gravemente o FC Porto num penalti e consequente expulsão de Luisão, ou o juiz de linha, que invalidou um golo limpo aos portistas, assinalando um fora de jogo verdadeiramente criminoso? Qualquer adepto presente no estádio teria pleno conhecimento destes erros de arbitragem, bastando para tal acompanhar os relatos através da rádio. Então, porquê agredir um jogador? E porquê escolher o Pizzi, que até já tinha sido substituído, entre todos os que se encontravam junto ao banco encarnado? 

Esta história levanta muitas dúvidas que carecem de investigação. Podem achar que estou a ser demasiado desconfiado, mas não se esqueçam de que os emails já demonstraram que estamos a defrontar gente muito desonesta, escumalha da pior espécie, capaz de todo o tipo de subterfúgios para nos prejudicar. E o polvo tem muitos tentáculos.

sábado, 2 de dezembro de 2017

¿Para qué existe el VAR?

Foto de Baluarte Dragão.

Como já vem sendo habitual, a imprensa espanhola acompanha as principais incidências do futebol português e, nesse sentido, o jornal MARCA não podia deixar de fazer referência ao clássico do Dragão na sua edição de hoje. Obviamente, nem aos olhos dos jornalistas espanhóis passou em claro o erro clamoroso cometido aos 56 minutos, quando o árbitro Jorge Sousa, por indicação do seu assistente, anulou um golo limpo ao FC Porto. E à constatação da legalidade óbvia do lance, o autor do artigo acrescenta uma interessante questão:

«La jugada polémica del partido llegó en el minuto 56. El árbitro anuló a Héctor Herrera un gol legal por un supuesto fuera de juego previo de Aboubakar, el cual nunca existió. ¿Para qué existe el VAR en estas ocasiones? Todavía está por aclararse.»

É claro que, desde o apito final do jogo, já muitos analistas de arbitragem se desdobraram nas mais variadas desculpas e justificações para a ausência de intervenção do VAR nesta decisão verdadeiramente criminosa da equipa de arbitragem, mas não explicam - provavelmente por não existir explicação à luz da razão - as questões fulcrais que qualquer adepto de futebol gostaria de ver esclarecidas. Em primeiro lugar, como é possível um juiz de linha internacional cometer um erro tão grotesco como este, assinalando fora de jogo a um avançado que se encontra mais de 2 metros atrás da linha de anti-jogo? Em segundo lugar, por que motivo não aguardou o árbitro pela conclusão da jogada antes de apitar, dando assim a possibilidade do lance ser analisado pelo VAR?

Oremos irmãos

O Benfica é a ÚLTIMA equipa em Portugal com autoridade moral para se queixar de critérios disciplinares. Já esta época, assistimos a várias situações protagonizadas por jogadores encarnados claramente merecedoras de punição disciplinar e que simplesmente passaram impunes graças à passividade dos árbitros. Vimos, por exemplo, Eliseu a cravar os pitões na perna de um adversário e a agredir jogadores com joelhadas e cotoveladas, sem que fosse marcada falta, sequer. Vimos Samaris a fazer uma gravata e a apertar o pescoço a adversários, sem ser expulso. Pior, vimos o SLB a recorrer do castigo aplicado à posteriori, por considerar que o seu atleta estava a ser vítima de uma injustiça. E perante tudo isto, têm a lata de vir reclamar vermelho directo numa entrada dura de Felipe que a crítica em geral considera apenas merecedora de amarelo?

Em qualquer jogo existem erros de arbitragem a favor de ambas as equipas e, se quisermos analisar o jogo à lupa, facilmente encontraremos lances em que os encarnados poderão reclamar de Jorge Sousa. Os amarelos poupados a Felipe e Alex Telles são exemplos disso. Mas alegar que estes erros menores, quando colocados no prato da balança, compensam o peso que os erros clamorosos cometidos pela equipa de arbitragem em prejuízo do FC Porto tiveram no resultado final, é uma manobra do mais puro cinismo e desonestidade. Duas grandes penalidades não assinaladas, uma expulsão perdoada a Luisão e um golo perfeitamente legal criminosamente anulado por um fora de jogo verdadeiramente inacreditável inventado pelo juiz de linha, são demasiados erros grosseiros para se poderem aceitar como normais em qualquer parte do mundo civilizado.

Em duas jornadas consecutivas, o FC Porto foi prejudicado em 4 pontos, graças a decisões de arbitragem que foram unanimemente classificadas pela crítica em geral como erros grosseiros. É altura de se questionar se todos os analistas de arbitragem estarão errados ou se algo de muito grave se passará na arbitragem portuguesa, já que, mesmo munidos de VAR, continuamos a assistir a uma clara e indiscutível deturpação da verdade desportiva.


domingo, 15 de outubro de 2017

Ribeiro Cristóvão


Ribeiro Cristóvão, conhecido comentador radiofónico e televisivo, faz parte de uma trupe que incluía Rui Cartaxana, Alfredo Farinha e outros energúmenos da mesma geração, que se faziam passar por jornalistas isentos e idóneos mas, quando ultrapassavam a sua simples função jornalística de transmitir as informações nuas e cruas e começavam a debitar opiniões pessoais, davam mostras de um facciosismo atroz. Nunca pude com esta estirpe de pseudo-jornalistas nem lhes concedo o mais pequeno respeito e consideração pelo que dizem. É gente que já ultrapassou o seu prazo de validade no futebol há muitos anos, mas que continua a ser perigosa pelo cinismo com que usa e abusa da sua veteranice para conferir alguma credibilidade a um discurso falacioso e trauliteiro  que, na prática, mais não é do que pura propaganda da cartilha do regime nacional-benfiquista.

Veio agora Ribeiro Cristóvão, sem qualquer pudor, alegar que o facto do jogo da Taça de Portugal, disputado entre o FC Porto e o Lusitano de Évora, se ter realizado no Estádio do Restelo, se tratou de um favorecimento aos portistas. Ignora este energúmeno que a mudança de campo aconteceu, não por vontade do FC Porto, mas por imposição da própria FPF devido à falta de condições do estádio, como, inclusivamente, foi assumido desde o primeiro instante pela direcção do emblema alentejano. Aliás, basta fazer uma rápida busca no Google por imagens do Campo Estrela (assim se chama o estádio do Lusitano de Évora) para se perceber a pertinência da decisão da FPF. 



As fotos são perfeitamente elucidativas quanto à falta de condições do estádio, mas enfim, talvez a idade avançada de Ribeiro Cristóvão justifique a sua incapacidade para pesquisar e analisar os factos de forma competente e idónea antes de ir para a televisão debitar alarvidades como as que agora proferiu. O que não explica é a desonesta dualidade de critérios com que, numa completa inversão de critério, considerou compreensível a mudança do jogo Olhanense-Benfica para o Estádio do Algarve, justificando-a com a alegada pretensão de obter melhor receita de bilheteira. Como é perfeitamente sabido, a Olhanense possui um excelente estádio, o José Arcanjo, e não é seguramente por falta de condições que o jogo não se realizou ali . Ora, o emblema algarvio obteria maior receita de bilheteira enchendo o seu próprio reduto com os seus adeptos, do que aquela que obteve indo jogar a Faro. E isto já para não falar do prejuízo desportivo causado pelo facto de jogar em campo neutro, prescindindo assim do apoio dos seus adeptos à equipa. Tivesse a Olhanense beneficiado do factor casa e talvez o desfecho do jogo fosse diferente, mas aqui, com certeza, já o Ribeiro Cristóvão não conseguirá descortinar qualquer favorecimento aos lisboetas. 

Fica mais este registo, para juntar a tantos outros que evidenciam a falta de honestidade e seriedade de Ribeiro Cristóvão, com a certeza de que, na próxima vez que este indivíduo abrir a boca, saberemos conceder-lhe o devido respeito e consideração que merece.

sábado, 14 de outubro de 2017

Manifesto interesse público

A publicação do acórdão do Tribunal Cível da Comarca do Porto veio esclarecer os fundamentos  da decisão de indeferir a providência cautelar intentada pelo Benfica e demonstrar de forma cabal a desonestidade e hipocrisia da reacção do clubezeco do regime, manifestada sob a forma de um comunicado a todos os níveis vergonhoso. 

A leitura do acórdão permite perceber que o tribunal rejeitou liminarmente a acusação de concorrência desleal porque “manifestamente, não é concebível uma transferência de adeptos ou sócios de um clube para outro, pelo menos com dimensão significativa”. Além disso, “não se mostra alegado qualquer facto que indicie, ou de onde se possa retirar a possibilidade, o potencial dano de, por força dos factos alegados, qualquer dos patrocinadores fazer cessar o seu patrocínio”
Note-se que, ao contrário da falsa ideia que o SLB procurou ontem difundir, não está aqui em causa a eventual ilicitude da obtenção dos emails, já que essa é uma questão que deverá ser analisada em processo próprio, mas apenas a questão da alegada concorrência desleal. E essa, como muito bem explicou o tribunal, não existe.

O acórdão do tribunal termina com duas conclusões de grande relevância para todo este processo dos emails, primeiro ao caracterizar a acção do SLB como “aquilo que poderá ser, na prática, uma hipotética censura a um meio de comunicação social" e segundo ao afirmar que "é inequívoco que algumas das afirmações, a ser comprovada a sua veracidade, revestem manifesto interesse público”. Esta afirmação encerra em si duas questões fundamentais: a primeira, porque reconhece o Porto Canal como um meio de comunicação social legítimo e, consequentemente, confere rigor jornalístico e interesse público à investigação levada a cabo por Francisco J. Marques; a segunda, porque reconhece a má-fé das acções movidas pelo Benfica na justiça, na tentativa óbvia de esconder actos ilícitos perpetrados pelos seus dirigentes.

A Camorra

"A SAD do Sport Lisboa e Benfica considera a decisão do Tribunal Judicial da Comarca do Porto de determinar como improcedente a providência cautelar por si apresentada como muito grave e absurda num Estado de Direito e que justifica e impõe o inevitável recurso imediato para o Tribunal da Relação. A confissão clubística do Senhor Juiz que proferiu esta sentença, evidenciada no primeiro despacho, atenuou a surpresa desta decisão, apesar do carácter inédito de que se reveste e da gravíssima doutrina que pode originar."

Este comunicado vergonhoso, publicado hoje pelo SLB em reacção à decisão do Tribunal em indeferir o pedido de providência cautelar por si interposto no sentido de obrigar o FC Porto a parar com a divulgação dos emails no Porto Canal, vem demonstrar, mais uma vez, que a escumalha do clubezeco do regime se julga acima da lei e da justiça. Mas que país é este em que um energúmeno qualquer pode ter o descaramento de vir pôr em causa a decisão de um tribunal, chamando-lhe "muito grave e absurda"??? Quem é esta gentalha para se achar no direito de vir pôr em causa a idoneidade e a isenção de um juiz, levantando suspeitas gratuitas contra ele com base na sua alegada afinidade clubística??? Julgarão porventura estes burgessos que toda a gente neste país é fanática como eles próprios, que passam por cima das leis e dos valores morais em nome dos supremos interesses do regime nacional-benfiquista??? Até quando é que as autoridades portuguesas vão continuar a fazer vista grossa perante os insultos, as difamações e a falta de respeito evidenciadas por esta corja???

Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que a verdadeira intenção do Benfica ao avançar com esta providência cautelar era simplesmente calar as denúncias gravíssimas que têm vindo a público pela voz de Francisco J. Marques. Obviamente, nenhum tribunal poderia pactuar com tal pretensão, sob pena de se tornar cúmplice dos possíveis crimes que estarão aqui em causa. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O que o vídeo-árbitro não viu... ou não quis ver

José Mourinho queixou-se de que o primeiro golo do Real Madrid frente ao Manchester United na Supertaça Europeia foi irregular e afirmou que, caso esse jogo tivesse vídeo-árbitro, o lance teria sido invalidado. As imagens televisivas revelam que o treinador português tem efectivamente motivos de queixa, já que Casemiro se encontrava ligeiramente adiantado em relação à linha da defesa no momento do passe. No entanto, desengane-se o Special One se pensa que o vídeo-árbitro é uma garantia de verdade desportiva, pois está provado que a tecnologia, só por si, de nada valerá enquanto a interpretação das imagens estiver dependente do critério de seres humanos. E esse, já se sabe, vagueia ao sabor de muitos ventos...


A análise das imagens do lance do primeiro golo do Benfica no jogo da Supertaça permite concluir que o avançado encarnado se encontrava em posição irregular no momento em que a bola lhe é endereçada. Este facto, aliado à falta cometida por Seferovic sobre o defesa do Vitória de Guimarães, torna o lance duplamente irregular, mas nem o árbitro, nem o vídeo-árbitro, conseguiram descortinar qualquer motivo para anular o golo.

Como se percebe pela imagem ampliada, o adiantamento do avançado encarnado em relação ao jogador vitoriano é de cerca de 10 centímetros, pelo que seria extremamente difícil para o juiz-de-linha aperceber-se da situação. Mas... e o vídeo-árbitro? Não é precisamente para a detecção de irregularidades deste tipo que foi criado? E, já agora, por que motivo nenhum canal televisivo referiu esta ilegalidade? Com tantas imagens e tecnologia de que dispõem, não seria fácil realizarem uma análise semelhante a esta que eu fiz recorrendo apenas a um simples programa de desenho assistido por computador?

domingo, 6 de agosto de 2017

Grupo de assassinos organizados

Todos nos recordamos do verdadeiro vendaval que a CMTV produziu a propósito do roubo de um microfone, alegadamente perpetrado por elementos ligados aos Super Dragões, à entrada do tribunal, no Porto. Durante vários dias a fio, o caso foi notícia de destaque nos noticiários e tema de discussão nos mais diversos programas televisivos. O arraial contou com a preciosa colaboração da classe jornalística que, demonstrando um espírito de corporativismo verdadeiramente arrasador, condenou veementemente o acto, conferindo-lhe uma dimensão e gravidade quase ao nível de terrorismo internacional.

Hoje, a imprensa nem pia sobre a agressão de que os jornalistas da CMTV foram vítimas ontem, antes do jogo da Supertaça, durante um directo televisivo a partir das ruas de Aveiro. Não há manifestações de indignação contra a violência exercida sobre os profissionais da comunicação social, nem uma condenação firme dos elementos da claque, perdão, do grupo de adeptos organizado que perpetrou a agressão, nem sequer, na maioria dos jornais e canais televisivos, um pequena referência ao ocorrido. Não fossem as imagens divulgadas e partilhadas no Facebook e quase se juraria que nada de grave se passou nas ruas de Aveiro. Será porque os agressores estavam perfeitamente identificados com as camisolas do clube do regime, ou será que o forte espírito de corporativismo demonstrado noutras circunstâncias, envolvendo outros intervenientes, se esmorece conforme os interesses dos lobbies económicos da Capital do Império? Que autoridade moral terá a classe jornalística para se queixar em futuras situações deste género, quando, perante esta agressão, se mostra cúmplice com o seu silêncio? Não seria de aconselhar aos jornalistas cá do burgo que arranjem uma coluna vertebral e ganhem vergonha na cara?

Revolta!

Hoje, vai-se percebendo ainda melhor a dimensão do roubo de arbitragem que aconteceu ontem em Aveiro, mais uma vez com o clube do regime a ser escandalosamente beneficiado pelos senhores do apito. Além dos jornais O Jogo e Record considerarem unanimemente a existência de uma falta de Seferovic sobre um defesa, ocorrida no lance do primeiro golo do Benfica (a qual, em conjunto com o adiantamento do avançado encarnado no momento do passe, torna o golo duplamente irregular), é notório o critério disciplinar estranhamente benevolente demonstrado pelo árbitro perante as entradas violentas protagonizadas por jogadores encarnados sobre os adversários, designadamente numa tesoura de Jonas junto à linha lateral, um carrinho de Luizão já em tempo de descontos e um pontapé de Jardel, sem bola, no joelho de Raphinha. A tudo isto, junta-se o corte com o braço em plena área do Benfica, que seria obviamente merecedor de penalty, não fosse a equipa de padres de serviço ao vídeo-árbitro ter, uma vez mais, adoptado um critério discutível, em claro favorecimento da equipa do regime. 
Por muito que a corrupta imprensa da Capital procure esconder este escândalo, não podemos permitir que a podridão que se instalou no futebol luso passe novamente impune, cabendo-nos o direito e o dever de protestar veementemente contra estes roubos descarados que outro objectivo não têm senão oferecer títulos ao clube do regime e assim produzir artificialmente uma grandeza fictícia que, com justiça e honestidade, não conseguiria obter.

sábado, 5 de agosto de 2017

Video-roubo!


Com a conquista da Supertaça em Aveiro, Luisão, capitão do Benfica, fez história ao sagrar-se como o jogador encarnado com mais títulos conquistados. Igualmente merecedor de destaque nos anais da história do clube do regime é o padre, perdão, o árbitro Hugo Miguel, que, sentado num cadeirão com os ecrãs na frente dos olhos, foi incapaz de assinalar uma agressão clara de Jardel a Raphinha, jogador do Vitória de Guimarães, ao pontapeá-lo por trás num joelho, num lance sem bola. Este caso é a maior prova da incapacidade do video-árbitro de julgar contra o clubezeco do regime, mas outros lances houve, menos evidentes mas nem por isso menos graves, em que as decisões do padre de serviço à sacristia foram sistematicamente favoráveis aos lisboetas. Atente-se, por exemplo, ao primeiro golo do clubezeco dos vouchers, onde a posição do avançado deixa muitas dúvidas quanto à sua legalidade (sem que a RTP se dignasse a mostrar uma única imagem de um ângulo que permitisse tirar as dúvidas) ou a outro lance, ocorrido na área encarnada, em que o corte evidente do defesa com o braço foi interpretado como casual.
É por estas e por outras que o video-árbitro de nada servirá enquanto o Ministério Público não tiver a dignidade de investigar a podridão que se passa nos meandros do futebol português e, principalmente, enquanto não vasculhar até ao ínfimo pormenor a vida destes padres, perdão, destes árbitros, cujas ligações ao clube do regime estão por demais comprovadas através dos emails denunciados por Francisco J. Marques no Porto Canal.

domingo, 25 de junho de 2017

Birra de putos mimados

Não é costume falar-se neste blogue de outras modalidades que não o futebol, mas, neste caso, é pertinente que o façamos face à gravidade da situação que se vive no hóquei em patins. 

Está previsto para este fim de semana a final-four da Taça de Portugal em hóquei em patins, com os jogos Porto-Benfica e Sporting de Tomar-AE Física agendados para hoje. Acontece porém que os encarnados não compareceram ao jogo, em protesto pela alegada "necessidade e urgência de se tomar uma posição clara que demonstre o estado de degradação que atingiu este ano a cúpula da modalidade". Na verdade, o que está em causa é o golo anulado ao Benfica na última jornada do campeonato, frente ao Sporting, que ditaria a perda do título nacional para o FC Porto. Um golo cuja legalidade as imagens não esclarecem, mas que, segundo a visão do árbitro, terá sido marcado com o corpo (e não com o stick, como as regras impõem) e, como tal, foi bem anulado.

Antes de mais, há que salientar a profunda hipocrisia patente nesta postura do Benfica, já que o mesmo foi muito crítico numa situação semelhante protagonizada por outro clube. Em Novembro de 2011, o Benfica conquistou, pela primeira vez na sua história, a 31.ª edição da Taça Continental de hóquei em patins, ao beneficiar da falta de comparência dos espanhóis do Liceo da Corunha. Os espanhóis haviam apresentado um protesto junto do Comité Europeu de Hóquei no Ringue (CERH) contestando vários aspectos da prova e exigindo o adiamento da final, mas, pelo facto de não terem visto atendidas as suas pretensões, faltaram ao jogo. João Coutinho, vice-presidente  do Benfica, afirmou então o seguinte: “O Liceo da Corunha faltou ao respeito ao Benfica e à modalidade ao não comparecer neste jogo. Foi marcado um local, uma data e uma hora para disputar esta taça. Nós estivemos cá”.

Além de hipócrita, esta posição do Benfica encerra em si uma desonestidade atroz, uma vez que o clube lisboeta foi escandalosamente beneficiado pelas arbitragens em vários jogos deste campeonato de hóquei, incluindo o confronto com o Sporting e a Oliveirense na jornada imediatamente anterior, sem que daí tenha resultado qualquer comentário dos seus responsáveis, treinador ou jogadores. Recorde-se, a propósito, que logo após o jogo Benfica-Oliveirense, o treinador da equipa visitante, Tó Neves, deu largas à indignação e revolta que sentia com a arbitragem, afirmando que o rinque da Luz estava inclinado em favor dos encarnados. Perante tal realidade, como pode o Benfica vir agora armar tão grave campanha contra os árbitros, acusando-os mesmo, pela voz do seu treinador, de influenciarem premeditadamente a entrega do título nacional, quando nem sequer conseguem apresentar provas concretas de que o golo anulado ao Benfica foi limpo? Pretenderia o Benfica vencer o campeonato beneficiando de um golo ilegal com o beneplácito do árbitro, ou estará agora a servir-se deste caso para retirar futuros dividendos desportivos deste clima de vitimização? Estamos aqui perante um evidente litígio de má fé, um acto prepotente de força e coação sobre a arbitragem e o dirigismo do hóquei nacional, que deveria resultar numa punição muito mais severa do que a mísera multa a que o Benfica estará sujeito.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Memórias de Guerra


Recordam-se do filme Chicago, um musical premiado com seis Óscares da Academia de Hollywood, em que Richard Gere interpreta o papel de um advogado de sucesso, contratado para defender duas mulheres (Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger) condenadas à pena de morte por homicídio? Numa cena final, Richard Gere confunde o juiz e os jurados com uma série de alegações em que diz e desdiz, afirma e nega, avança e recua, com as imagens do tribunal a alternarem-se com um número de sapateado em palco, como se a actuação do advogado não passasse também de uma encenação, um espectáculo. Ora, aquilo a que se assistiu ontem no programa Prolongamento da TVI24 foi também um número de sapateado, com o artista Pedro Guerra a deambular em sucessivos rodopios, ora reconhecendo a possibilidade de ter escrito os emails comprometedores denunciados por Francisco J. Marques, ora afirmando que é tudo um embuste "de um canalha". 

Confrontado com a pergunta "Foi você que escreveu aqueles emails", o que toda a gente (e em especial os benfiquistas) esperava ouvir da boca do Pedro Guerra seria "Não, não fui eu, porque sou uma pessoa íntegra, honesta, de bom carácter, e jamais escreveria tal coisa"! Em vez disso, ouviu-se aquela pérola do "Admito que possa ter escrito, mas não me lembro", que é a mais antiga estratégia de advocacia usada na defesa de todos aqueles que têm culpas claras no cartório. Basta lembrar que o jogador do Canelas, Marco Gonçalves, em declarações à televisão logo após o jogo em que agrediu o árbitro, também alegou que não se lembrava do momento da agressão. Não há dúvida de que a mente humana é um universo complexo, repleto de insondáveis mistérios, e estas perdas de memória selectivas e convenientes são algo que a ciência ainda tem dificuldade em explicar. Felizmente, há muito que os tribunais deixaram de ser palco para este estilo trauliteiro de advocacia e estão a marimbar-se para as flutuações memoriais dos réus. Que o diga Marco Gonçalves, que levou quatro anos de suspensão. Haja a vontade política de investigar a fundo o conteúdo destes emails e a deplorável postura de Pedro Guerra será apenas um lamentável pormenor deste caso.

Pedro Guerra pode vir alegar agora que não se lembra do que foi escrito nos emails que trocou com Adão Mendes em 2013, mas a verdade é que, na altura, teve conhecimento de que algo muito grave se passava na arbitragem e não teve a decência de denunciar o caso às autoridades. Como tal, mesmo admitindo que nada tinha a ver com o processo, Pedro Guerra tornou-se cúmplice moral do mesmo com o seu silêncio. Isso e a tentativa evidente de branquear a gravidade do caso e de fugir ao seu esclarecimento, diz bem do carácter do director da BenficaTV. Apesar disso, não podemos aceitar que a comunicação social centre a discussão deste caso em Pedro Guerra, tanto mais que o discurso de Adão Mendes nos emails deixa bem claro que o grande responsável pelo tal sistema de corrupção é o "Primeiro Ministro", o qual só pode ser Filipe Vieira.

Não conheço pessoalmente Francisco J. Marques e confesso que, antes dele ser Director do FC Porto, nem sabia da sua existência, mas, por aquilo que já vi, parece-me ser uma pessoa inteligente e esperta, que sabe movimentar-se bem nesta pocilga que é o mundo do futebol. Não me parece que seja pessoa de se expor a um processo-crime por difamação e calúnia apenas por interesses clubísticos. O passado recente demonstra que tudo aquilo que Francisco Marques apresenta publicamente tem fundamento factual. As cartilhas são disso exemplo evidente. Esperemos portanto para ver o que acontecerá amanhã, no programa Universo Porto - da bancada, prometida que está a apresentação de mais dados polémicos sobre este caso.

sábado, 10 de junho de 2017

Pedro Guerra, o bode expiatório

A CMTV divulgou hoje, até à náusea, imagens de adeptos encarnados insultando Pedro Guerra à porta do pavilhão da Luz, exigindo a sua saída do clube. Mas, por muito gozo que nos possa dar ver esse dejecto humano receber tal tratamento dos seus próprios correligionários, não podemos deixar-nos enganar por essas manifestações cínicas dos adeptos do clubezeco dos vouchers. 
Em primeiro lugar, aqueles que agora insultam e assobiam o Pedro Guerra são os mesmos que, há poucas semanas atrás, festejaram no Marquês a conquista de uma Liga e de uma Taça de Portugal oferecidas pelos árbitros cujos nomes constam na lista de "padres escolhidos e ordenados para presidir às missas do Benfica". Ora, se os adeptos encarnados foram cúmplices desta fraude mesmo quando, jornada após jornada, se ia percebendo que algo de muito podre se passava nos bastidores do futebol português, não venham agora fazer-se passar por gente honesta e moralista, apanhada de surpresa pela denúncia do FC Porto! Fazem lembrar os alemães no final da 2ª Guerra Mundial, fazendo-se de ingénuos e alegando que nada sabiam sobre o holocausto judeu, quando até o cheiro a carne putrefacta e as cinzas dos cadáveres lhes entravam pelas janelas dentro! 
Em segundo lugar, o Pedro Guerra é apenas um peão neste esquema de favorecimento ao Benfica, porque, como o próprio Adão Mendes afirma no email denunciado por Francisco J. Marques, o cabecilha de tudo isto é o "Primeiro Ministro" e esse só pode ser o Vieira. Que o Pedro Guerra tinha conhecimento de tudo e estava envolvido no conluio é evidente,  mas não podemos permitir que façam dele o bode expiatório deste crime para safar o presidente e o clube do regime!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Corrupção provada!

Poucos dias depois da FPF apresentar uma proposta para alteração dos regulamentos no sentido de estabelecer em 200 euros o limite máximo admitido para os presentes aos árbitros das competições não profissionais, eis que a Liga segue o exemplo e define o mesmo limite em 150 euros para todas as competições por si organizadas. Esta medida foi aprovada em Assembleia Geral da LPFP, com os votos favoráveis de 27 clubes e 15 contra. Como se esperava (e não é difícil perceber os motivos), o Benfica foi um dos clubes que votou contra este novo regulamento. 

Depreende-se assim que a maioria dos clubes da 1ª Liga considera que o Benfica andou, durante vários anos, a cometer um crime de corrupção activa ao oferecer aos árbitros e delegados de jogo kits cujo valor ultrapassava largamente os 150 euros agora estabelecidos como valor máximo admissível. 

Tal como referi anteriormente, talvez a justiça desportiva seja impotente para penalizar este comportamento ilícito do clubezeco dos vouchers, tanto mais que os regulamentos desportivos eram até aqui omissos nesta matéria, mas recorde-se que a investigação da Polícia Judiciária, que ainda há bem pouco tempo procedeu a buscas no Estádio da Luz, ainda está em aberto. Queira o Ministério Público ter a decência de fazer transitar o processo para os tribunais e veremos o que poderá acontecer.

Enquanto o valor de referência foram os 300 euros admitidos pela UEFA, os vassalos do regime andaram preocupadíssimos em contar os cêntimos, garantindo que o valor dos kits do Benfica não ultrapassava o 250 euros, na pior das hipóteses. Agora que o limite legal foi estabelecido em 150 euros, já há quem venha dizer que os mesmos kits não valem mais de 100 euros. Se amanhã o limite legal for reduzido para zero euros, muito provavelmente o valor do kit descerá para valores negativos. Querem apostar? São as contas à moda do Polvo!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A assumpção do crime de corrupção

A FPF apresentou hoje um novo Regulamento Disciplinar para as competições por si organizadas. Entre as alterações ao regime actual agora propostas, destaca-se a definição do limite máximo das ofertas permitidas aos árbitros das competições não profissionais em 200 euros, valor acima do qual será considerado corrupção. 

Recorde-se que o kit que o Benfica oferecia aos árbitros da 1ª Liga até há bem pouco tempo, no conjunto dos vouchers de refeição, camisola do Eusébio e entradas para o museu, não excedia os 300 euros admitidos pela UEFA (argumento amplamente utilizado em defesa do clube lisboeta), mas ultrapassava largamente os 200 euros, o que é agora assumido como corrupção nas competições não profissionais. Logo, é legítimo afirmar que o clubezeco dos vouchers andou efectivamente a praticar um acto condenável durante vários anos, ainda que, por omissão dos regulamentos, tal não seja juridicamente punível. Pois, se os 200 euros para uns é corrupção, por que motivo não o é para todos? Quem define os limites de corruptibilidade, que para uns são os 200 e para outros são os 300 euros? Tal como existem árbitros de 1º e 2º escalão, também existem corruptos de diferentes escalões? Se o objectivo é tornar o futebol mais sério e transparente, porquê diferentes critérios? E sendo o futebol profissional mais exigente, não deveria ter critérios mais apertados?